domingo, 30 de março de 2014

Meu novo eu



Desde que me conheço por gente, sempre fui muitíssimo infantil. Talvez o fato de eu ser a irmã mais nova e teoricamente mimada ajudasse um pouco, mas esse sempre foi meu jeito. Jeito irritante, afirmo, mas vivia assim sem problema algum.

Mas todo mundo passa por um momento em que sua personalidade não serve mais. Talvez por não ser compatível com a idade, ou simplesmente por não gostar mais dela. Eu estou passando por um momento assim, mas sem saber o porquê dessa mudança drástica.

O grande desafio agora é mudar meu eu e continuar com meu eu antigo.

Talvez não seja tão difícil. Olhando para trás não vejo outra alternativa. Não posso mais conviver com minhas irresponsabilidades e incompreensões pelos próximos anos. Até porque não quero mais isso pra mim.

De qualquer maneira, não sou mais a mesma de quando tinha sete anos de idade. Brinquedos não me agradam, a vida não é paraíso, reservo hoje meus sorrisos, penso nas coisas antes de fazer.

E oque está por vir não aceita essa minha personalidade teimosa. Simplesmente não entendo porque esse tal de mundo aceitou até agora. Talvez sua tolerância comigo tivesse se estendido mais do que devia.

De certa forma, nenhuma responsabilidade nova me veio a mãos, apenas terei de cumprir com o que me foi pedido até agora.

Não é que eu não queira ser desse jeito. É que eu não sou mais. Não tenho mais parte alguma com esse jeito estranho de bater o pé até conseguir algo. Isso foi embora, há muito tempo. Só demorei tempo demais para perceber.

De um jeito ou de outro, continuo sendo a mesma criatura psicodélica que todos conhecem. Não há com o que se preocuparem. Pelo andar da carruagem vou continuar do mesmo jeito por um bom tempo.


sexta-feira, 28 de março de 2014

Saudade da gente



Sinto saudade de tanta gente...
Gente que se foi,
Gente que não volta mais,
Gente de repente desapareceu sem querer.

Meus pensamentos se afogam
Nessa saudade descontente,
De gente que se foi pra sempre,
Sem ao menos dizer adeus.

Essa gente experiente
Que não lembra do simples,
Que nem liga se a gente sente
A dor dessa separação.

Tantas amizades perdidas
Por causa de gente doente,
Que foram embora,
E que nessa hora, nem da gente deve lembrar.

Gente importante
Que valia a pena lutar,
Arrastada pela obrigação inteligente,
Gente que agora mente e desmente.

Gente inocente,
Pura até o último osso,
Mas que deixou a gente pra trás
Por causa de amor adolescente .

Gente como eu,
Que perdeu o importante,
Tão falante que esqueceu
Que dói na gente dizer adeus.

Gente, o que aconteceu com a gente?
Destruímos nosso mundo com próprias mãos,
Esfaqueamos com deveres nosso coração,
E a razão se tornou maior que a amizade.
Nem sei mais dizer se digo a verdade,
Ou apenas hipocrisia vã.

Tire-me dessa monarquia
Onde servimos ao dinheiro-rei.
Também não quero comunismo por lei.
Quero tempos antigos, unidos,
Onde poder não era mais que amigo,
Quando vocês todos estavam comigo
Repartindo das coisas que hoje nem mais sei.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Hora de dizer adeus

Adeus ao meu mundo pequeno,
Ao meu mundo ingênuo
Aos sonhos que me tiram do chão


Adeus ao meu eu complicado
Um pouco exagerado
Que não sabe receber um não


Adeus à minha infantilidade
Que só diz a verdade
Sem pensar na questão


Adeus ao que sempre fui
Que não escolhi ser
Por falta de opção



Adeus ao meu eu tolo
Que não encontra dolo
Nesse mundo ruim



Adeus ao meu eu pensador
Que pensa mais na dor
Do que no seu fim



Adeus à minha mente rasgada
Com ideia desgastada
Criada por mim



Adeus à minha vida velha
Personalidade cega
Pois vivo assim



Preciso de um fim
De um ponto final
No meu jeito ruim
De interpretar o real

Mais que criar um mundo é poder senti-lo



Você pode chegar até lá navegando pelo rio de chocolate: O lugar perfeito.
Com som e harmonia se perdendo no silêncio agradável. Deitando no chão é possível apreciar a aquarela que pinta o céu. Animais correndo livres, por todos os cantos.
Caminhando um pouco chegamos à colina mais alta. Livre de todo barulho, de todos, com apenas a brisa suave fazendo companhia. Ali as palavras correm soltas, e você pode senti-las apenas de olhá-las.
A floresta abriga as mais distintas flores musicais. As árvores, com sua folhas, escrevem seus livros, e a cada dia vão acrescentando mais.
No fundo, a noite cai. A lua mostra seu brilho perante o mar. E banhar-se nele torna-se um grande prazer da vida.
As estrelas dançam e se desprendem do céu. Repousam suavemente sobre as águas. Cantam sua canção delicada. Descem ao fundo do lago.
Arbustos fechar o lugar de descanso, protegendo todos os presentes.
Não há muito o que ver. O que vale mesmo é sentir. Sentir os sons, as palavras, a beleza do recanto. Num desabafo tirar tudo que impede de sentir a essência das coisas.
É par isso que esse lugar serve. Para afogar as mágoas. Para lembrar da parte feliz da vida.
Ele existe para fugir do mundo. Nada mais que isso.

terça-feira, 11 de março de 2014

A Pena



Dias vêm e vão
E o pequeno pássaro sempre a voar
Numa hora está aqui
Na outra, onde está?

Noites vão e vêm
E a criança a pensar
Queria amor para sua cidade
Queria fazer do lugar rude, um lar

E o pássaro passava por lá
Num voo descuidado bateu em uma árvore
E deixou sua pena cair

A criança passeava ali
Viu a pena voando e a foi pegar
Numa ação involuntária começou a sorrir

Talvez fosse disso que a cidade precisasse:
Um presente que um amigo inusitado veio lhe trazer!

Feliz, a criança mostrou a toda a cidade
Um a um
Todos puderam ver a pena dourada que era carregada em suas mãos frágeis
E decidiram usá-la

Em todos os cantos da cidade só se ouvia falar da pena
Pena aqui, pena acolá
E foi deixado um tempo para cada um usar
E todos queriam ter a sua

Pena dos famintos
Pena dos moradores de rua
Pena dos órfãos
Pena das viúvas
Pena dos pobres
Pena dos negros
Pena dos doentes
Pena dos cegos

Por todo canto todos chamavam o pássaro
A pena virara a atração da cidade
Queriam cada um ter a sua
E era essa a conversa que predominava nas ruas

Afinal de contas, a cidadezinha se tornara um lugar melhor!
Ninguém mais ignorava quem pedia esmola
Nem rejeitavam alguém por sua cor
Todos tinham pena que julgavam ser amor

Num outro dia o pássaro passou pela mesma cidade
Com seus olhos encontrou sua pena há tempos procurada
Na mão da criança, correndo por todo lugar
E seu próximo passo foi resgatá-la

Chegando perto do menino, subiu em sua mão
O mesmo percebeu sua presença
Começou a acariciar o animal
E o que aconteceu não lhe pareceu real

"Quero minha pena de volta"
Disse o bicho a ponto de bicá-lo
O menino então se lembrou daquele dia
E decidiu atender o pedido do pássaro

Reuniu todos os cidadãos em uma praça
Tarefa fácil para o herói do lugar
Pediu ao prefeito um microfone
E em alto e bom som começou a falar:

"Esse é meu amigo pássaro
Que nos presenteou com sua pena
Mas agora ele a quer de volta"
Um silêncio seguiu suas palavras

"Não podemos dar nossa pena!"
Alguém gritou no meio da multidão
Na verdade todos acreditavam a cidade estava melhorada
Desde que a "pena milagrosa" fora encontrada

Num pio desafinado o pássaro começou a falar

"Por que guardam essa pena?
Não veem que não traz melhoria alguma?
Vocês continuam os mesmos de sempre
Mas tendo a pena como desculpa"

Todos se entreolharam, envergonhados
Pensaram que o amor cairia do céu, como uma pena
Esqueceram que essas coisas é necessário cultivar
E devolveram a pena ao pássaro
Não por pena, mas gratidão

"Se querem realmente ver diferença
Esqueçam as diferenças que os fazem duvidar
Amar quem está do lado não é tarefa difícil
Apenas é preciso paciência para cultivar"

Ninguém tinha pena do pássaro
Nem o amavam, certamente
Mas tinham que agradecê-lo pelo que fez naquele dia
Dizendo a verdade e mudando suas mentes.