quarta-feira, 28 de maio de 2014

Amnesia



Minhas palavras...
Às vezes tiro-as a força do fundo da minha alma.
E nelas me afogo,
E nelas me jogo.

Meus pensamentos...
Às vezes com eles consolo meu lamento.
Com eles grito,
Com eles vivo.

Meus sonhos...
Às vezes tornam meu mundo cinza um pouco risonho.
Por eles corro,
Por eles morro.

Minha vida...
Às vezes a perco e a torno esquecida.
Esqueço minhas palavras,
Esqueço meus pensamentos,
Esqueço meus sonhos.

Perco minha calma,
Acabo adormecendo,
Em meu leito decomponho.

E a vida?
Pobre da vida.
Está guardada em meio ao que se perdeu,
Ao que já morreu,
Ao que se esqueceu,
E um dia terá o mesmo fim.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eu não tenho ritmo



Sabe, vivem me dizendo que eu devo entrar na dança da vida, o problema é que eu nunca sei qual é a dança da vez. Às vezes acho que ela simplesmente não se decide, e mesmo que tomasse logo sua decisão, ainda não conseguiria acompanhá-la. Sabe como é, eu não tenho ritmo. Sequer a coordenação motora entre corpo e pensamentos.

Seria bem mais confortável tocar para a vida, pois assim ela teria que dançar o que quero, quando quero. Mas não é assim que funciona. Nem sei como agir perante esses acordes loucos que mudam com mais frequência que vez ou outra. Talvez eu devesse segui-los sem reclamar, mas como eu já disse, eu não tenho noção alguma de ritmo.

As pessoas que conhecem-me poderiam até dizer que eu tenho o tal ritmo que nego ter, mas as que dizem isso mal sabem que não me refiro às marcações compassadas entre melodia e harmonia. Se fosse assim seria mais prático, por mais que eu ainda me recusasse a aprender tal lição. Me refiro à habilidade de dançar conforme a música. Não uma música comum, mas uma diferente. Essa tal música que me recuso a dançar.

Esse ritmo não tem padrão, nem tem simpatia com minha pessoa. Esse ritmo está parecendo mais o auge da abstração do que um elemento da música. Esse ritmo tem sua consideração por mim das cores do oxigênio, e eu o entendo tanto quanto um grego sabe falar português.

Resumindo tudo: esse ritmo sequer faz sentido. Porém é com este que eu sigo. Para onde? Se eu soubesse talvez eu fosse sozinha. Para quê? Para agir como todos os outros, talvez. Mas volto a dizer e repito sem pesar: Eu não tenho ritmo, mas me arrisco a dançar como ordena a vida, não pelo prazer de dançar, mas pela esperança de deixar de seguir o tal ritmo, e passar a seguir com ele.


domingo, 25 de maio de 2014

A vida não é só de contras e baixos



Cansei das aulas de ritmo e harmonia que sempre carregam a costumeira monotonia. Quero me virar com oque sei, e inventar com oque não sei. Quero viver no universo em miniatura separado em quatro cordas.

Com o som surdo que só eu ouço, consigo esquecer tudo ao redor, e ter um tempo a sós com meu mundo. Pensamentos bailam ao som de cada batida, e só me lembro de onde estou quando meus dedos começam a queimar.

E eu não sei o que queima mais: a pele ou a vontade de tocar.

Acho incrível como a melodia grave lembra-me das suaves teclas pretas e brancas que conheci quando criança. As lembranças se juntam com o presente, e nem sei dizer se é muito diferente. Acho que foi só o tempo que passou e minha vida que mudou.

Mas acho que não deveria mudar, pois ainda hoje me encontro no mesmo lugar, tentando achar os cabos, fontes e baterias debaixo da poeira que me tenta a esquecer a fascinante alegria que me empurrou até onde agora estou.

No meu mundo não existem contras, tampouco me incomodam os baixos. Apenas junto-me aos trastes e ao braço, e sigo com a dança das novas lembranças que um dia serão só passado.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O reino esquecido



Era uma vez um começo com cara de fim.
Era uma vez uma realidade sonhada.
Era uma vez uma mente encantada
Que via mais beleza no "não" que no "sim".

Era uma vez uma história escrita em linhas tortas.
Era uma vez uma vida que se recusava a endireitar.
Era uma vez uma máquina de esperança
Que com toda petulância persistia em emperrar.

Era uma vez uma princesa de roupa surrada.
Era uma vez uma trombeta que não podia soar.
Era uma vez um grande castelo de papelão
Que príncipes e princesas tinham como lar.

Era uma vez uma fada encantada.
Era uma vez umas páginas mágicas.
Era uma vez uma ilusão colorida
Que revivia qualquer utopia jazida.

Era uma vez um reino distante.
Era uma vez um mundo inquieto.
Era uma vez um decreto secreto
Que tinha o tal reino como lixo ambulante.

Era uma vez nosso mundo.
Era uma vez nossa esquina
Desconhecida, esquecida.

Era uma vez nosso reino de concreto.
Era uma vez outro reino de papel.
Reinos que veem o mesmo céu,
Reinos que correm o mesmo sangue.
E como foi até agora há de ser doravante.

Reinos que derramam as mesmas lágrimas,
Reinos que carregam as mesmas mortes.
Era uma vez nosso reino soberbo.
Era uma vez outro reino lançado à sorte.

Era uma vez outra vez
Igual a vez que se foi.

Era uma vez o fim.
O fim que começa outra vez.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Só meu silêncio. Nada mais.



Quero ficar calada,
Guardar em mim minhas palavras.
Não por não querer que alguém ouça,
Mas pelo medo de falar.

Quero ficar em silêncio,
Pois ele me entende e eu o entendo.
Ninguém mais me entende nesse momento,
Nem fazem esforço pra me entender.

Quero cantar em pensamento,
Onde ninguém pode me dizer pra afinar,
Onde as críticas não vão me desanimar,
Onde minhas ideias ecoam em mim mesma.

Quero gesticular na frente do espelho,
Quero desabafar ao meu reflexo.
Quero fugir de tudo que venha me interromper,
Quero só meu silêncio até que o mundo venha me compreender.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Nostalgia


Sinto saudade de brincar de esconde-esconde.
Sinto saudade de esculpir na areia.
Sinto saudade de ouvir conto de fada.
Sinto saudade da musiquinha antes de dormir.

Sinto saudade de existir por existir.
Sinto saudade dos meus rabiscos.
Sinto saudade de apostar no gol-a-gol.
Sinto saudade de acordar de madrugada
E ouvir os passarinhos cantando para mim.

Eu queria correr de novo na terra molhada,
Brincar na chuva sem pensar no amanhã,
Voltar a ter um tempo a sós
Com a brisa suave comigo a bailar.
Minha roupa suja não era de preocupar.

Quero parar de pensar em números.
Quero cantar antes de afinar a voz.
Quero que apenas exijam de mim o sorriso.
Quero voltar ao que se perdeu,
Reviver a criança que em mim morreu.

Mas acima de tudo:
Quero voltar a ser eu.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

DEScomplicados DESamores

Dedico essa poesia à Herlene Santos, escritora do blog DEScomplicando. Na verdade escrevi pensando em ti, e apenas para ti, mas duvido que não haja alguém que se identifique com estas palavras.



Menina, sabe,
Às vezes perco-me em tua dor.
Acho que sofro contigo.
Tuas solenes palavras mudam de mim
O que dantes achava eu ser amor.

Menina, calma,
Pois teu sofrimento um dia passa.
Tuas lágrimas não são para manchar tua aquarela,
São apenas novas cores para pintar a tua tela.

Menina, nem sofre
Com desmerecidos amores.
Que tuas doces palavras venham fazer-te sorrir,
E não lembrar-te dos teus piores temores.

Menina, sorria!
Um belo mundo ansiosamente te espera.
Tuas canções ao vento apagam teu passado,
Convidam tua alegria,
Expulsam tua tristeza.

Menina, sei que é estranho
O que sentes, o que lês,
Mas saiba que escolho as melhores palavras
Do fundo do meu baú-coração
Apenas para dizer-te
Que ficará tudo bem.
Cuide bem do teu coração.