segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eu não tenho ritmo



Sabe, vivem me dizendo que eu devo entrar na dança da vida, o problema é que eu nunca sei qual é a dança da vez. Às vezes acho que ela simplesmente não se decide, e mesmo que tomasse logo sua decisão, ainda não conseguiria acompanhá-la. Sabe como é, eu não tenho ritmo. Sequer a coordenação motora entre corpo e pensamentos.

Seria bem mais confortável tocar para a vida, pois assim ela teria que dançar o que quero, quando quero. Mas não é assim que funciona. Nem sei como agir perante esses acordes loucos que mudam com mais frequência que vez ou outra. Talvez eu devesse segui-los sem reclamar, mas como eu já disse, eu não tenho noção alguma de ritmo.

As pessoas que conhecem-me poderiam até dizer que eu tenho o tal ritmo que nego ter, mas as que dizem isso mal sabem que não me refiro às marcações compassadas entre melodia e harmonia. Se fosse assim seria mais prático, por mais que eu ainda me recusasse a aprender tal lição. Me refiro à habilidade de dançar conforme a música. Não uma música comum, mas uma diferente. Essa tal música que me recuso a dançar.

Esse ritmo não tem padrão, nem tem simpatia com minha pessoa. Esse ritmo está parecendo mais o auge da abstração do que um elemento da música. Esse ritmo tem sua consideração por mim das cores do oxigênio, e eu o entendo tanto quanto um grego sabe falar português.

Resumindo tudo: esse ritmo sequer faz sentido. Porém é com este que eu sigo. Para onde? Se eu soubesse talvez eu fosse sozinha. Para quê? Para agir como todos os outros, talvez. Mas volto a dizer e repito sem pesar: Eu não tenho ritmo, mas me arrisco a dançar como ordena a vida, não pelo prazer de dançar, mas pela esperança de deixar de seguir o tal ritmo, e passar a seguir com ele.


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