sexta-feira, 23 de maio de 2014

O reino esquecido



Era uma vez um começo com cara de fim.
Era uma vez uma realidade sonhada.
Era uma vez uma mente encantada
Que via mais beleza no "não" que no "sim".

Era uma vez uma história escrita em linhas tortas.
Era uma vez uma vida que se recusava a endireitar.
Era uma vez uma máquina de esperança
Que com toda petulância persistia em emperrar.

Era uma vez uma princesa de roupa surrada.
Era uma vez uma trombeta que não podia soar.
Era uma vez um grande castelo de papelão
Que príncipes e princesas tinham como lar.

Era uma vez uma fada encantada.
Era uma vez umas páginas mágicas.
Era uma vez uma ilusão colorida
Que revivia qualquer utopia jazida.

Era uma vez um reino distante.
Era uma vez um mundo inquieto.
Era uma vez um decreto secreto
Que tinha o tal reino como lixo ambulante.

Era uma vez nosso mundo.
Era uma vez nossa esquina
Desconhecida, esquecida.

Era uma vez nosso reino de concreto.
Era uma vez outro reino de papel.
Reinos que veem o mesmo céu,
Reinos que correm o mesmo sangue.
E como foi até agora há de ser doravante.

Reinos que derramam as mesmas lágrimas,
Reinos que carregam as mesmas mortes.
Era uma vez nosso reino soberbo.
Era uma vez outro reino lançado à sorte.

Era uma vez outra vez
Igual a vez que se foi.

Era uma vez o fim.
O fim que começa outra vez.

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