segunda-feira, 16 de junho de 2014

Amanhecer distante



Tudo o que eu queria no momento era estar a sós com uma lua quase nascente. Ou talvez eu só quisesse entender o porquê daquele nervosismo e daquelas lágrimas escorrendo sem pedir. Meu cabelo solto nunca foi-me tão útil.

Tentei diversas vezes disfarçar a dor sem causa, mas cada sorriso forçado eu encarava como uma faca cravada em minhas costas. Não recusaria uma capa da invisibilidade, se bem que todos agiam como se eu não estivesse ali.

Minha personalidade dramática não ajudou em nada, nem meu jeito infantil, sequer minha criação mimada. Na verdade pareciam só piorar tudo. Talvez todo essa história tenha servido para mostrar ao meu eu encabulado que não estou preparada para lidar com pessoas, ou talvez não com aquele tipo de pessoa.

Queria fugir, queria gritar, queria entender meu desespero. Mas como todos dizem, é uma pena que querer não é poder. Se assim não fosse não estaria no estado que estava, e todo meu bem-querer seria realizado, assim como meu mal-querer, que acabaria se tornando um perigo mortal para minha pessoa.

Mas então chega o fim da noite, junto à minha cama bagunçada, aos papéis espalhados, ao tão esperado silêncio. E enfim fecho meus olhos, e durmo. E parece que nada disso nunca aconteceu. Parece só mais uma dessas minhas histórias que crio para passar o tempo. E com o amanhecer ficam apenas as lembranças. Nenhuma dor mais. E a tristeza finalmente chega ao fim.

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