sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Noite Clara



Já de madrugada
Clarice cantava
Claramente assustada.

Cantava pra espantar o medo,
Escondia na sombra um segredo:
Medo escondido que amava.

Amava mais frio que calor,
Amava mais voz que amor,
Preferia um silêncio só
Mais no escuro que no claro.

Clara, Clarinha chorava.
Clarice sombria escondia no escuro suas lágrimas.
No manto nevado aquecia
A noite pensava, de dia dormia.

Sorria para a imensa escuridão,
Sua confidente de antigamente.
Tinha medo de se mostrar,
Pavor de existir.
Falar não era tão fácil quanto agir.

Clara como alva da manhã
Clarice desistiu de se esconder,
Aprendeu que o vento é mais fiel que o espelho.

Clarinha revive a infância perdida,
A criança esquecida.
Acendeu o sorriso apagado,
Abriu os olhos outrora cerrados.

Clarice agora vê o mundo,
Sorri mais que tudo.
Não tem mais medo do que vão dizer,
Nem liga se vão a conhecer.

Então me coloco na frente do espelho,
Olho no fundo dos meus olhos e digo:
"Tudo bem, Clarice?"

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