quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Vitrine



Eu sempre ouvi alguma coisa que dizia que somos sempre observados e por isso temos que tomar cuidado na hora de agir, o problema é que além do cuidado às vezes existe um pouco de censura, ou repressão, não sei ao certo.

Às vezes eu não quero ser quem todos querem e esperam que eu seja. Eu não quero ser aquele modelo de garota patricinha que sai berrando quando borra a maquiagem, mas também não quero ser aquela estilo rockeira que não lê uma poesia de vez em quando.

Tudo que eu quero é ser eu mesma, mas parece que ser quem se é chega a ser pior que lepra!

Se eu gosto de livros e eu não leio aquele último que saiu daquele escritor super famoso já parece que o mundo desaba. Se eu gosto de música e não ouço aquela banda que está tocando em todas as rádios parece que sou de outro mundo. Se eu falo que curto o trabalho de algum artista então, nem se fala.

O problema é que algumas pessoas não aceitam o diferente. Algumas pessoas não entendem que hoje eu posso estar com um sorriso de orelha a orelha e amanhã estar cabisbaixa. Não entendem que hoje eu posso escutar rock e amanhã escutar reggae. Não entendem que hoje eu posso ser poesia e amanhã eu posso ser artigo.

E o que não entra na minha cabeça é porque tem tanto disso! Será que esse povo que critica nunca se viu naquele momento em que seu eu de ontem não serve? Será que nunca tentaram aproveitar o hoje pois amanhã já será outra pessoa? Ou então passam por isso mas preferem esconder quem são por baixo de estilos pré-definidos só pra fazer parte de grupinhos?

Será que todos já pararam pra pensar que se todos parassem de ser quem não são não existiria essa coisa louca de um grupo não se dar com o outro?

Então eu me encontro quase que num beco sem saída. De um lado eu ajo como quem sou e sou excluída do mundo, do outro eu sou quem querem que eu seja e deixo de ser quem eu sou.

Estou cansada de todos olhando pra mim com olhar de reprovação. Estou cansada de botar minhas ideias dentro da mochila pra ninguém querer esmagá-las. Estou cansada de tentar me encaixar quando eu mesma não tenho forma.

Preciso colocar o fone de ouvido no último volume para não prestar atenção no mundo perdido.

Preciso quebrar essa vitrine e correr para o meu mundo.

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