terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Mude. Se der mude de novo!



Lá estava eu no mesmo lugar em que fico todas as noites, manhãs e às vezes tardes. Diante de tantas coisas jogadas, de tantas coisas iguais. Abri o guarda roupa. As roupas sempre no mesmo lugar. Meus livros na mesma ordem.

Sempre foi desse jeito, nunca me incomodei. Mas dessa vez eu vi a necessidade de mudar. A mesma imagem que via todos os dias me inquietou.

"As roupas vão para cá e os livros ali", planejei. Mas no meio dos meus planos me peguei num pensamento que me faria desistir: E se eu não gostar de como ficar depois?

Sentei no chão e encostei na minha cama. Era mais fácil deixar tudo como estava, afinal, eu ainda tinha mais um monte de coisa para fazer e essa arrumação só me atrapalharia.

Lembrei de uma música que dizia: "Mas se eu volto atrás como saber o que perdi?".

Me levantei, esvaziei o guarda-roupa e as prateleiras. Mal conseguia pisar no chão. Estava completamente rodeada de coisas que remexiam meu coração e outras que não provocavam emoção alguma.

Em alguns instantes pensei em colocar tudo no lugar de sempre. Mas então um raio de lucidez me fez cerrar os olhos, então dormi para o mundo.

"Sempre foi assim, não é?", eu pensei. "Do jeito que deve ser.", continuei.

"Eu vivo dizendo que quero mudar, que tento mudar e, diante de uma mudança tão besta, me encontro receosa. A vida me exige mudanças, e devo exigir mudanças da vida, e vou começar pelo meu quarto."

"Mas... E se eu não gostar?", finalizei.

Essa é a pergunta que me inquietou não só enquanto eu descansava em cima das minhas roupas mas também quase todos os dias. Tanta coisa que quis fazer e deixei pra lá por medo de mudar. Meu maior receio era me colocar diante da minha pintura e achar que tinha vermelho demais.

"E se eu não gostar?", eu dizia.

Depois disso comecei a falar comigo mesma:

"Por que você não toma vergonha na cara? Se você mudar e não gostar desmude, ora! Não era você quem ficava reclamando que não aguentava mais quando suas camisetas se misturavam com suas saias? Faça ser diferente! Você é a única pessoa que pode arrumar as suas coisas. E além disso, o que você tem a perder?"

Me toquei.

E mais uma vez em meio a um monólogo eu achei a solução que eu tinha guardado no bolso.

Então mudei.

Se me arrependi? Não, mas confesso que me confundo quando quero vestir uma roupa e acabo pegando outra. Porém essa é uma das pequenas coisas que desejo mudar. É apenas o primeiro item da minha extensa lista de "não gosto nem desgosto".

E hoje eu entendi que não é preciso ter medo de mudar. Mude do seu jeito e o que vão pensar de você pouco importa. É que quando você para de dar muita importância ao que os outros pensam você passa a fazer as loucuras que você sempre sonhou.

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