sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Fidelidade em forma de obras



A fidelidade de Deus é algo incompreensível. A tão aclamada frase "Deus é fiel" muda o sentido quando estudada a fundo. A fidelidade faz dele alguém exclusivo seu, e você alguém exclusivo dele. Jardim fechado ele te chama com a intenção de te proteger. Ele sabe omo lidar com cada rosa de pensamento do seu coração. Ele te chama de filho, te dá alimento e abrigo. Você deve ser fiel e não fugir de casa.

Fidelidade. Uma palavra tão forte com um significado tão simples. Por fidelidade você é servo de Deus. Ser servo é a parte difícil.

Ser servo é abandonar um pouco as próprias vontades e o desejo de alcançar a felicidade para se entregar e ser feliz no seu Deus. Se parece loucura? Parece e é.

Imagine você em um lugar desconhecido. Imagine que você foi escalado para a filial vizinha, onde é estritamente proibido fazer menção do nome de Deus, e que se alguém perguntar, nem cristão você é. A punição para essa desobediência  seria demissão. Ser demitido do emprego conquistado com esforço era seu pior medo desde o ensino médio. Em uma ocasião, seu chefe colocou-lhe à prova e começou a zombar a sua fé. Você estava furioso. Você poderia respondê-lo e ser demitido, ou abaixar a cabeça e ser rejeitado por Deus.

O que você fez?

Ser fiel é decidir estar do lado de alguém mesmo que a consequência seja morte. Jesus foi fiel. Ele morreu por nós. Sua expressão naquela cruz dizia "eu te amo". O que a sua face diz?

Amar a Cristo e lábios é fácil, qualquer um faz. Nada impede que a boca de um ateu pronuncia "Jesus, eu te amo". Mas sua face lhe denunciaria. O que seu rosto diz? O que suas obras gritam?

Seria um problema se suas mãos falassem "eu quero dinheiro", ou se o seu olhar exclamasse "hoje a noite vai ser boa" ao olhar a pessoa do outro lado da rua. Um problema ainda maior seria se, enquanto isso, você estivesse a dizer "Jesus, eu te amo".

É tempo de amá-lo com obras. Assim como tratamos bem quem gostamos, e nem sempre declaramos nosso amor em palavras, devemos amá-lo.

A Palavra de Deus diz: "Aquele é sujo suje-se ainda" (Apocalipse 22.11). Seu prazer está em se aproveitar da situação dos outros para autopromover-se? Pode empenhar-se, suje-se ainda. Mas a Bíblia também diz: "Aquele que é limpo, limpe-se ainda". Seu tempo se consome e brota em prol da obra de Deus? Continue, melhore, limpe-se ainda.

Talvez você tenha levado a vida torta até então. Talvez você tenha prostituído a sua mente ou manchado a suas mãos de iniquidade. O meu Deus te dá um tempo para mudar. Apresse-se. Amanhã pode ser tarde.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Descanso na tempestade


Quando obedecer parece difícil, precisamos olhar para o que realmente importa. Isso só se torna um problema quando o importante se perde.

Quando perdemos o foco, tudo fica mais difícil. Qualquer escuro é motivo de choro. Agora, quando nosso foco está em Cristo, fica mais simples de viver. O conforto de seus braços nos leva a dormir nas noites mais alvoroçadas. Miramos nossa flecha no ponto pequeno do alvo e em troca recebemos alívio. Você não precisa vencer, só precisa tentar.

Estamos cercados de armadilhas. De um lado você vê aquele garoto encantador que abomina a sua fé, do outro uma família que tenta tirar a sua paz. Por todos os cantos você encontra quadros de caos, e o único lugar cujas ondas parecem não atingir é em um barquinho. Por um momento se abrigar parece uma boa opção.

Você se sentiu sozinho. Quando se deu conta estava sobre um pedaço de madeira com peso suficiente para voar com um sopro. Barco sem leme, remo e nem vela. Você tinha certeza de que estaria seguro, até a primeira onda aparecer.

Você gritou, e em resposta ouviu um ronco baixinho. Você se aproximou, e quem estava lá? Um maltrapilho com aspecto repugnante que sorriu ao te ver com seus olhos semi-cerrados. Ele apontou para um espaço vazio do outro lado do barco e disse: "Você pode dormir ali". Mas você quase não o pôde ouvir.

"Como você pode dormir num momento como esse?", você gritou para que ele te ouvisse bem, e porque essa situação pareceu a desculpa perfeita para demonstrar sua indignação e expôr seu pânico.

Ele se levantou e caminhou lentamente até o fim da parte coberta do barco. Ele te olhou como quem diz "você vem?". Você o seguiu por curiosidade, mas planejava fugir assim que descobrisse o que ele pensava.

Enfim estavam vocês diante das ondas. Se você respirasse um pouco mais fundo poderia sentir a água em seus pulmões. Você se escondia atrás dos barris, mas ele agia como se estivesse assistindo ao pôr-do-sol. Ele foi em sua direção e te pediu para olhar para as ondas. Você olhou, incrédulo.

E como quem dança sozinho, ele começou a agitar os braços harmoniosamente. Cada gota do oceano seguia o ritmo e dançava junto. Você já não tinha mais medo das ondas. Sua insegurança foi depositada naquele homem, que mesmo assim dizia que não deixaria afundar.

Ele brincava com as ondas como quem pinta um quadro. Você dependia dele como quem depende do motorista para chegar em casa. Você tinha tudo para sair correndo, mas decidiu ficar.

Obedecer em troca de segurança não lhe pareceu uma proposta ruim.

Às vezes é difícil enfrentar os problemas. A verdade é que você não pode enfrentá-los. Então Jesus te oferece uma almofada e te convida a descansar. Enquanto você dorme ele ordena aos problemas que se aquietem, mas você precisa confiar. Sua confiança precisa ser tamanha, de maneira que você não precise ver ou ouvir como ele faz os problemas sumirem.

Se você confia, você obedece. Se obedecer, o alvo é garantido. Se descansar, o sofrimento acaba, e aquele aperto que dá no coração ao pensar em tal pessoa cai por terra.

Então você fecha os olhos, e antes de dormir sente uma carícia entre os fios de seu cabelo, e um sussurro que diz: "Vou cuidar de você".



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mudança radical



Nem sei se existem palavras para expressar o quão doloroso, e ao mesmo tempo aliviador, é botar as entranhas para fora e registrar a dor no papel. Parece que vamos dar de cara com nossa angústia na esquina, mas expulsar num grito de dentro de nós nos impede de ver nossas lágrimas no espelho.

Já tantas vezes eu expus para o mundo minhas frustrações. Tantas vezes quis enfiar goela abaixo minha indignação em tanta gente. Às vezes eu gritava, mesmo sem mexer os lábios. A cada estrondo eu enfiava uma lança no meu peito transpassando o meu coração, sem querer. Eu achava que a exposição dos meus problemas me levaria ao desejado estado de paz.

Já transformei experiências que me serviriam a vida toda em discursos de ódio. Já me escondi atrás do sagrado para justificar minhas besteiras, até que as máscaras que eu usava finalmente caíram.

Tive a sorte de ninguém além de mim ver, mas o que vi foi bem pior do que eu esperava. Como um sepulcro caiado, ao retirar a parte bonita que não era minha, vi um rosto podre. Marcas de ódio em meio ao falso sentimento de autossuficiência. O que era para ser templo do Espírito Santo havia se tornado sinagoga de Satanás. Difícil de aceitar até para mim. A hipocrisia ocupava o lugar da sinceridade. A religiosidade tomou o lugar de Deus. Uma vida podre escondida atrás de palavras bonitas.

 Se antes disso eu lesse um texto como esse em outro lugar, eu discordaria, certamente. Para mim era impossível uma pessoa que vive dentro da igreja se corromper. E para meu conceito mudar tive que sentir na pele.

A cada pedaço de carne que eu arrancava eu sentia uma dor mais profunda do que a dor de um osso quebrado ou de um coração partido. Era a dor da abnegação, de reconhecer que bem no fundo eu estava errada.

Eu sempre soube que eu não estava de todo certa, mas reconhecer não me parecia uma opção. Afinal, me bastava vestir uma saia e cantar nos grupos para que ninguém pegasse no meu pé. Pouco importava o que eu fazia enquanto meu pastor não estivesse olhando. Infelizmente minha memória me deixou na mão quando eu precisava lembrar que Deus não tira seus olhos de mim.

Por um momento eu me esqueci para quem era meu show. Esqueci para quem era meu canto e de quem vinha minha inspiração. Fui acometida com uma grave amnesia que me fez esquecer quem eu era e quem Deus me chamou para ser.

Somente quando eu arranquei meu último pedaço de carne e me deparei com um esqueleto quebradiço foi que minha mente voltou a funcionar. Instantaneamente percebi em que estava meu sustento.

Pedi ajuda.

Esperava eu que Deus me abraçasse e, como com os cadáveres daquele vale, nervos e carne começassem a nascer. Felizmente não foi como pensei.

"Você vai aprender a lição", ele me disse. Não foi num tom ameaçador como quem castiga o filho por ter roubado a carteira do pai. Suas palavras soaram como "eu vou te ajudar".

Dou graças ao meu Deus que me conhece tão bem e que sabe quão teimosa eu sou. Se fosse fácil demais ele sabia que eu faria de novo.

Como em um quebra-cabeça, meu Senhor foi me dando parte por parte para eu encaixar em mim. Um balde de problemas de um lado, um balde de soluções do outro. À frente estava Jesus, que como na pré-escola tentava me ensinar que o bloco quadrado não se encaixa no buraco triangular.

Na hora me pareceu extremamente cruel começar do zero, mas agora me orgulho desse Deus. Com os degraus tortos eu cairia e me machucaria. Nessa nova fase ele me deu instruções de construção e me dá os tijolos um a um.

"Cuide bem dele", ele me disse quando meu corpo já estava reconstruído. E em mim nasceu uma certeza de que ele jamais me abandonaria, e que me protegeria para sempre. Essa seria a única forma de não me acontecer novamente uma catástrofe.

Eu aprendi que não adianta mostrar-me quente quando bem lá no fundo eu sou morna. Só teria serventia para ser vomitada da boca de Deus. Também aprendi que se sou quente, só importa ao meu Deus. Minhas atitudes, minhas escolhas e minha vida são para ele. Minha posição diante das pessoas, só consequência.

Prosseguindo para o alvo que é Cristo, deixando Sodoma para trás.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Agindo hoje, esperando o amanhã



O ser humano tem uma trágica tendência à ansiedade. Começa quando somos bem pequenos, e quemos descobrir o que há dentro daquele embrulho grande e colorido antes mesmo dos convidados irem embora. E estende-se pela vida toda nas mais temidas entrevistas de emprego espalhadas pela nossa agenda. Alguns são ansiosos para o dia do pagamento, outros para a festa de quinze anos. Dezoito então, nem se fala... A liberdade tão esperada finalmente em mãos!

O meu primeiro encontro com a ansiedade foi mágico, mas a reação da pessoa ao meu lado me desanimou ferozmente. Estávamos minha tia, minha mãe e eu no ponto, aguardando o ônibus que me deixaria a uma rua de casa. Eu mergulhava em fantasias com minha cara de paisagem de sempre.

-O que foi, Karina? - ela me disse

-Nada não, tia. É que eu estou ansiosa para fazer a lição nova da cartilha...

-Você não pode ficar assim. Jesus disse "não ficais ansiosos".

Quando eu ouvi essas palavras, todo meu conceito sobre ansiedade mudou. Se Jesus disse que não era bom, não devia ser mesmo, mas por quê? Seria tão ruim assim querer chegar ao momento de se dedicar a algo?

Essa palavra foi motivo de questionamento para mim durante vários dias. Depois esqueci. E só me veio à tona novamente quando eu estava prestes a cair de um precipício espiritual.

Sabe aqueles amigos que te chamam para orar, que te dão um tapa na cara quando você diz que vai atropelar os planos de Cristo e que te dizem, justamente, para desviar da ansiedade? Então, ele não era um desses. Na verdade ele cultivava ansiedade em mim. Mas conversar com ele era cativante, certamente. Eu sempre fui interessada em pessoas mais velhas que podiam me contar sobre trotes no campus, mas conhecer alguém com os mesmos gostos que os meus, além de universitário, foi simplesmente arrebatador. A cada dia tínhamos uma nova conversar, com novas piadas e risadas. Sem perceber eu já estava brincando de cabra-cega no Corcovado.

Sabe aquela coisa que todo cristão deve ter de esperar o momento em que todos estiverem dormindo para ficar a sós com Jesus? Pra começo de conversa, eu nunca tinha sentido isso por Cristo até então. E o pior de tudo: Me via numa situação em que sentia isso por uma pessoa, pó do pó, assim como eu.

Não me lembro quando me toquei, só sei que eu estava vendada. Todos os meus sentidos afirmavam que eu devia seguir em frente. Mas ao longe eu consegui ouvir alguns passos rápidos, correndo, e um grito percorreu todas as camadas de derme em meu peito e atingiu como uma flecha o meu coração. "Espere!", essa voz me disse. Já paralisada, senti uma mão em meus olhos, puxando para baixo, até o meu pescoço, a faixa preta que me impedia de ver que a dois passos pequenos eu voaria e então me envolveria nos braços da morte.

É isso o que a ansiedade faz. E se eu fosse um pouco menos teimosa, eu não me meteria numa dessas nunca mais. Infelizmente, uma experiência dessas não me convencer de que ansiedade fosse algo realmente ruim.

A ansiedade nos tira a essência. O seu caráter formado se desmorona quando você passa a dar valor desnecessário para o amanhã sem nem abrir a porta para o hoje, que está do lado de fora, tomando chuva.

Essas palavras são vãs se, para você, não passam de palavras. Pense no último "espere" que você recebeu de Deus. Você sabia o que a palavra "esperar" significava, mas aquele carro era tão bonito! Além disso, era para a obra de Deus. Você não podia mais molhar seu terno sob seu guarda-chuva quebrado, não é? Não te culpo. Mas é uma pena que minha opinião não valerá de nada no dia do juízo. E Deus? Ele te tem como inocente? Ou num momento como esses ele te vê como casa rebelde?

A ansiedade nos leva a desobedecer a Deus. Os nossos planos parecem doces para agora, mas nem se comparar com os doces planos que Deus tem para semana que vem. Diferente de nós, Deus já tem uma visão geral da nossa vida toda. Ele vê nosso labirinto de cima, e ele sabe onde cada caminho vai dar. E ele sabe perfeitamente bem que aquele caminho com os caules das rosas te espetando é o que vai dar na saída. Mas preferimos as rosas. São mais bonitas, têm um odor agradável e não machucam a ninguém. Mas é realmente uma pena quando nos encontramos cercados por elas e não queremos voltar para o nosso lar, com o nosso Pai.

"Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos"
-Isaías 55.9

Vejamos o rei Ezequias. Em quatorze aos de reinado nunca lhe havia acontecido algo parecido. Israel estava sendo atacado pela Assíria, e um numeroso exército marchava em direção a Jerusalém para tomar suas terras. Ele então enviou um filho de mordomo (Eliaquim, filho de Hilquias) e um escrivão (Sebna) para terem com Rabsaqué, o representante de Senaqueribe, o rei assírio. Rabsaqué não lhes agrediu, não os expulsou, sequer levantou sua espada contra eles. Ele apenas disse: "Em quem vocês confiam para se rebelarem contra mim?". Ou, em outras palavras: "Por que vocês não estão no palácio para aquietar o rei? Vocês estariam mais seguros lá do que aqui. Quem vai defender vocês agora?". E sem esperar resposta ele continuou.

"Se vocês confiam no Egito, sinto-lhes dizer que vocês serão apunhalados pelas costas. É desse jeito que Faraó faz com todos os que confiam nele. Agora, se você me diz que confia no Senhor, seu Deus, não é esse aí cujo Ezequias derrubou os altares e disse para vocês adorarem a ele? Dê reféns à Assíria, e eu lhes darei dois mil cavalos se estiverem dispostos a dar-me os cavaleiros. Como vocês não podem se erguer contra um mísero servo do meu senhor, vocês se uniram aos egípcios para receber ajuda de carruagens e cavalos. Você acha que eu vim sem respaldo do seu Deus para tomar suas terras? Pois saiba que esse Deus que me enviou até aqui para destruí-las. Não se enganem dizendo que o seu Deus vai te livrar. Saibam que o nosso exército atacou a Hamate e Arpade, e onde estavam seus deuses para proteger-lhes? Se eles não foram atendidos, vocês acham que o Deus de vocês ouvirá a nossa conversa e me impedirá? Me diga qual deus dentre todas as terras conseguiu livrar seu povo do ataque do exército assírio!"

Eliaquim e Sebna disseram: "Não vamos responder". Depois foram contar para o rei Ezequias o que Rabsaqué havia dito. Ele se entristeceu muito. Os servos do rei foram ter com o profeta Isaías, que lhes disse para que Ezequias não se desesperasse, pois o Senhor Deus se vingaria e o faria cair morto a espada. 

Quando Rabsaqué voltou para Assíria, ele mandou uma carta para Israel com mais afrontas. Num momento como esse, Ezequias tinha todos os motivos do mundo para arregaçar as mangar e ir ter com Rabsaqué, ou então enviar um exército para lutar contra ele. Talvez ele devesse aceitar a sugestão e fazer aliança com os egípcios porque, realmente, eles não tinham força alguma contra um servo que fosse do rei da Assíria. Ele podia gritar, ele podia acumular aliados até que finalmente pudesse devastar a Assíria. Mas ele não fez nada disso. Ele foi ao Templo, com as cartas na mão, mostrou-as para Deus, e orou: "Senhor, ouve as palavras que Senaqueribe disse - através de seu representante - afrontando ao Deus vivo. É verdade que eles atacaram povos e seus deuses não lhes ajudaram, mas isso porque eles eram feitos de madeira e pedra, e não podiam fazer nada. Mas tu Senhor, livra-nos das mãos deles para que eles saibas que só tu és Deus".

Deus honrou a oração de seu servo, e enviou um anjo que destruiu cento e oitenta e cinco mil soldados assírios.

Às vezes o que nos falta é comunicação. Esquecemos de falar para Deus o que nos inquieta, então tentamos tratar nosso ferimento com nossas próprias mãos. Às vezes a dor é tanta que queremos acabar logo com tudo, mas esquecemos de tratar. E o que era pra ser uma raiva tratada se torna uma mágoa enraizada.

"...lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós."
-1 Pedro 5.7

Enquanto o mundo está no processo de autodestruição e as pessoas lutam para sobreviver, Cristo dá para todos aqueles que nele confiam o prazer de viver. E a ansiedade rouba isso de nós. Às vezes corremos tanto atrás de dinheiro e esquecemos que há um Deus, dentro de nós, que cuida até dos lírios dos campos. Eles não trabalham, nem fiam (Mateus 6.28). Eles dependem totalmente de Deus. E nós, filhos do Deus vivo, servos do Altíssimos, correndo desesperados atrás do que comer e vestir.

Se eu pudesse definir o oposto da palavra ansiedade, eu escolheria dependência de Deus. Se dependemos de Deus, o importante é o hoje e o amanhã ele proverá. Se não dependemos, tudo é motivo para desespero. Se a água acabou, desespero para um lado; se a geladeira está vazia, desespero para o outro. Se você viver o amanhã em vez do hoje, você simplesmente não vai viver. Será apenas escravo de responsabilidades.

"Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal."
-Mateus 6.34

Mesmo que você esteja decidido a deixar a ansiedade, não desanime se logo na primeira tentativa você ceder. É um treinamento. Da mesma maneira que você tem que se educar para orar e ler a Bíblia, você tem que se educar para deixar de lado as coisas que atrapalham o seu relacionamento com Deus. Muitas vezes você vai ter que abrir mão da própria razão, pois ela estará andando lado a lado com a sua ansiedade. Outras vezes você terá que abrir mão de alguém. Às vezes você terá que abrir mão de si mesmo, de seus sonhos e desejos mais profundos.

Cristo está a postos para arrancar toda a ansiedade do seu coração. Você só precisa reconhecer que precisa dele e chamá-lo para perto de você.

Deus no controle
Eyshila

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Não mais escravos



A vida é tão complicada. Tem tantos planos e projetos que sempre acabam se frustando e nos frustando de tabela. Se pararmos para pensar não temos sequer um firmamento sólido para pisar. Nos vemos sem rumo, sem propósito para existir. Num estágio desses, questões existenciais pouco importam comparadas ao que fazer da vida. Então encontramos uma pessoa com planos simples - completamente incompreensíveis, mas ainda mais simples que os nossos. Ele nos diz que tem uma vida inteira preparada para nós, e nos faz uma proposta: Trocar a nossa vontade pela vida inteira por um projeto infalível para a vida toda. Cabe a nós escolher.

Paulo - o de Tarso - escolheu aceitar. Quando ele escreveu uma carta para os romanos, ele preencheu a parte de remetente assim: "Paulo, escravo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus" (Romanos 1.1). Ele escolheu trocar a sua liberdade para viver conforme a vontade de um Cristo ressurreto.

Dizendo assim, às vezes parece que Jesus está nos altos céus fazendo o papel de senhor feudal e dando ordens para seus escravos aqui no engenho-Terra. Mas não é assim que funciona. A escravidão cujo Paulo se refere não é igual à escravidão dos africanos aqui em meados de 1500. A escravidão de Paulo era completamente diferente. Funcionava assim: O escravo deveria seguir todas as ordens de seu senhor que, por sua vez, mantinha o escravo com alimento, bebida, abrigo, vestes e todas as condições necessárias para uma vida razoável.

Sendo assim, abrimos mão de nossos desejos, de nossos planos, de nossas certezas para agarrar os planos traçados por Jesus. Diferente de nós, ele tem os maiores e melhores planos que ninguém pode imaginar. Você quer ganhar seu amigo pra Jesus? Ele te faz missionário; Você quer sabedoria para entender as escrituras? Ele te faz pregador; Você quer uma solução para o seu problema? Ele te oferece uma vida de relacionamento com ele.

Quando nos tornamos escravos de Cristo, geralmente não temos escolhas. Na maioria das vezes estamos vivendo uma vida de tragédias. É término de relacionamento de um lado, desavença familiar do outro, e por aí vai. Num momento como esse, apenas Jesus tem a paz que precisamos. Então nos rendemos a ele como única opção. Depois que tudo melhora, depois que as feridas cicatrizam e o vendaval se estabiliza, nós temos que tomar uma decisão: Continuar andando com esse Deus e demonstrar eterna gratidão pela sua companhia durante nosso momento difícil, ou esquecer desse momento e voltar com a vida de antes.

Se escolhermos continuar andando com ele, passamos para um estágio talvez até acima de escravo. Passamos a ser servos.

Diferente do escravo, o servo obedece ao senhor por livre espontânea vontade. Podemos ser comparados a cachorrinhos. Quando passeamos na rua com eles junto a uma coleira, podemos dizer que eles são nossos escravos. Eles estão conosco, felizes, bem alimentados, fortes, mas há algo que não os deixa fugir de nós, por qualquer motivo. Quando saímos só nós e eles - sem coleira, sem corrente, sem borrifador ou biscoitos -, e eles continuam caminhando do nosso lado, podemos chamá-los de servos.

Com Deus não é diferente. Quando somos escravos, há uma dor que não nos deixa sair de perto dele. Há uma memória que vai te lembrar que você é incapaz e que só ele te dá força. Depois ele tira esse tormento de você, não há mais nenhum elo de ligação. Você já está bem de novo. Pode voltar para seu antigo dono se quiser, ou então dar uma volta no bairro vizinho. Nesse momento só há você e Deus - sem dores, sem complexos, sem depressão. Sempre desejou provar alguma coisa para Deus? Prove a sua fidelidade.

"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim"
-Galátas 2.20

Se pararmos um pouco para pensar, é tudo questão de gratidão. Se tivermos uma fagulha de gratidão que seja, serviremos a Cristo sem hesitar. Às vezes pensamos que temos a vida toda pra viver à toa, e que Cristo vai acabar com nossa liberdade. Mas o que precisamos entender é que escravidão com Cristo é liberdade. Temos que entender que, como escravos de Cristo, somos mais livres do que aqueles que apregoam a liberdade. Apregoam liberdade mas estão acorrentados a vícios e carências.

Jesus nos leva por caminhos que nem imaginamos, nos coloca em situações que por nós mesmos passaríamos de largo. Ele nos pede para fazer algumas coisas que nos fazem dizer: "Isso é sério?". Mas em troca, ele nos dá paz, conforto, consolo, companhia, conselhos, fora os diálogos fora do comum que farão você duvidar de sua sanidade.

Jesus exige bastante coisa de nós. É difícil cumprir tudo à risca. Ele nos pede coisas como deixarmos de fazer o que gostamos e tentarmos fazer algo que nos amedronta. Mas ele só nos pede coisas difíceis porque são essas coisas difíceis que nos fazem arriscar, e é arriscando que nós mudamos nosso caráter. Seria fácil - e chato - demais se nós decidíssemos segui-lo num dia e no outro já deixássemos os nossos maus hábitos para trás. Jesus gosta de uma boa história. E ele quer que nós tenhamos nossas próprias histórias para contar. Do mesmo jeito que ele pode contar para você que cada gota de sangue que saía de seu corpo valeu apena, você pode contar para seu amigo que você conheceu um cara que te pediu para parar de se desesperar atrás de um parceiro e que te concedeu um relacionamento para a vida toda.

Como eu disse antes, basta uma fagulha de gratidão. Pense em todas as coisas boas que ele já te fez. Lembre-se de quando ele te acalmou naquela noite de insônia e de quando ele te fez sorrir. Lembre-se daquela sua experiência íntima que só ele conhece. Fixe essas memórias na parte mais profunda de sua mente. Agora decida: As correntes de Cristo ou a sua liberdade?


Neófito
Banda Resgate


sábado, 3 de janeiro de 2015

Insônia



Já era mais de meia-noite. Meus olhos ardiam enquanto eu me remexia em meio aos lençóis. O sono tinha fugido e o medo vinha de longe caminhando em minha direção. Eu não aguentaria mais uma noite em claro.

Comecei a chorar.

"De novo, não", pensei. Depois comecei a me questionar dentro de minha mente coisas que não me lembro. Quando percebi ele estava sentado na beira da minha cama. Ele passou a mão no meu cabelo e minhas lágrimas escorriam entre seus dedos.

-Não chore - ele sussurrou no meu ouvido.

Suspirei e passei a mão na última lágrima que não saía de minha bochecha.

Eu tentei tocá-lo como tento todas as noites e, como sempre, percebi que era impossível.

"Eu só queria poder abraçá-lo", disse em pensamento.

-Só falta mais um pouquinho - ele me disse.

Eu sabia do que se tratava, mas fazia tanto tempo que eu não pensava nisso...

-Você se esqueceu, não é?

A verdade é que eu tinha, sim, me esquecido. Tinha me esquecido também que não dava pra esconder nada dele.

-O meu palácio te espera. - ele olhou nos meus olhos penetrando meus segredos e dissipando minhas incertezas - Não se esqueça de mim.

Meus lábios estavam preparados para pronunciar "não esquecerei", mas já tantas vezes passamos por isso e não honrei minha palavra.

-Vou tentar - falei desviando o olhar.

Ele tocou a mão em meu ombro.

-Você vai conseguir - ele disse.

-Só me prometa uma coisa. - ele já sabia o que era, mas silenciou-se e aguardou atenciosamente meu pedido - Que quando eu chegar lá você me abrace.

-Então você vai conseguir?

-Só você pode me dizer.

-Mas você vai lutar?

-Com todas as minhas forças.

-Era isso o que eu queria ouvir.

Suas palavras soaram como uma torrente de calmaria. Me senti mergulhando em um oceano de paz. O desespero já não existia mais. E pela primeira vez em horas pude descansar.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Desafio #100HappyDays


Hey meu povo e minha pova õ/

Comecei hoje o desafio 100 Happy Days, que consiste em tirar fotos durante 100 dias de momentos felizes e depois divulgá-las nas redes sociais.

Conheci o projeto no blog Coisa de Jovem e resolvi fazer também.

"PORQUE UM CRISTÃO DEVE FAZER ISSO? Bom, primeiro você não deve nada, faz se sentir que deve fazer, segundo um motivo bem simples, em primeira Tessalonicenses 5:18 diz 'Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.'"
-Vinicius Castro, blog Coisa de Jovem

Com base nessa frase que li (e que inclusive foi a que me convenceu a participar), tenho como objetivo divulgar a graça que Deus tem derramado sobre nós, através das redes sociais. Às vezes são coisas tão pequenas que pensamos ser insignificantes, mas que na verdade nos fazem sorrir com o canto da boca, talvez escondidos, e pensamos: "Esse presente é para mim, Jesus".

Eu vou fazer o desafio pelo Facebook. Não vou usar a página do blog pois quero deixar lá só os textos e posts daqui, mas você pode acompanhar o projeto com a minha hashtag #100DiasFelizesDeUmaCapivara.

Quer entrar nessa também? Vai lá! GO GO -> 100 Happy Days

Participe e deixe sua hashtag personalizada nos comentários!

E para finalizar, eu quero deixar uma música para vocês.

Sol de primavera
Praise Machine

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sigam-me os loucos


Jesus nos chamou. E não foi para sermos os mais sábios ou os mais amados do mundo, mas para o contrário disso. Ele nos chamou para espalhar sua glória sobre a terra, e consequentemente nos tornarmos as pessoas mais loucas desse mundo.

A cruz que pregamos é escândalo para os judeus e loucura para os gregos (1 Coríntios 1.23). Fomos chamados para isso. E para cumprir a nossa missão temos que abrir mão de nossa razão. Não é questão de escolher se queremos ou não; é uma consequência inevitável.

Temos que dizer não à nossa família, não ao nosso sistema e inclusive não a nós mesmos. A cada cenário presenciamos uma luta contra a cruz. Pessoas que acham que não se passa de dois pedaços de madeira; pessoas que dizem que entendem seu significado, mas dizem que não precisam.

Em certos momentos nos encontramos em um beco sem saída. Temos que escolher entre nossa reputação e nosso amor a Cristo. Por alguns momentos até dá pra ficar com as duas coisas, mas depois de um tempo elas começam a se combater. Cabe a nós escolher qual vencerá.

Em algum dia de minha história Jesus me disse para eu segui-lo. Eu aceitei o pedido, e a partir daquele momento eu me tornei uma completa estranha no lugar em que eu estava. A partir daquele momento eu estava invadindo território inimigo. E a partir do momento em que ergui a minha bandeira e fiz questão de que todos vissem a minha braçadeira me senti como e estivesse colocando uma espada em meu próprio pescoço. Depois entendi que meu senhor de guerra tinha ideias bem melhores do que gritar "Independência ou morte!" e sair matando todo mundo que estivesse pela frente.

Ao ingressar nesse exército percebi que meu senhor tem as melhores táticas, as melhores armas, as melhores posições, e a coragem de defender cada soldado. Porém percebi que, de vez em quando, ele permite que um de nós vá com a cara e a coragem entregar alguma carta para o exército à nossa frente. Algumas vezes ele nos explica o que tem dentro do envelope, mas na maioria das vezes não. Então nos encontramos numa situação bem difícil. Somos obrigados a ouvir coisas como "Não era você quem tinha abandonado a gente?" e "Voltou pra pedir desculpas, é?". Então ignoramos esses comentários e tentamos manter a calma.


"Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundos, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece."
-João 15.16

Para andar com Jesus você precisa ser louco o suficiente para deixar para trás toda a sua vida e suas convicções. Jesus não vai em momento algum usar a razão, e é aí onde mora a loucura.

A razão vai fazer você questionar a sua fé, e a fé vai questionar o seu eu. Na verdade nós somos os únicos que precisamos ser questionados.

Da mesma maneira que Jesus não veio para os sãos, Deus não alista em seu exército os donos da razão. Ele não quer aquele cara que arranja explicação para qualquer hífen que acontece em sua vida, tampouco aquela moça que tenta decifrar os planos de Deus. Ele procura aqueles que deixem o seu conhecimento para confiar nele. Que confiem o bastante para vendar os olhos e andar em uma corda-bamba tendo como apoio as mãos dele.

Eu nunca conheci alguém que tenha planos mais loucos do que Deus. Eu nunca vi alguém que faça tanta coisa sem sentido para um propósito final como ele faz. Sequer conheci alguém com os pés na razão e cabeça no ego que vivenciou a obra de tão grande Deus.

Tudo o que você precisa é confiar no seu Deus. Num Deus invisível, não palpável, quase sempre inaudível e que sequer foi criado. É preciso confiar no Deus que é por simplesmente ser. É acreditar que, mesmo quando todos o ignorarem, ele ainda está a te ouvir. Isso é fé.

"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, poque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam"
-Hebreus 11.6

Jesus procura os loucos que estejam dispostos a viver loucuras à nível Cristo.

Não, não precisa ter a capacidade de fazer essas loucuras. Você só precisa ter o anseio. Jesus vai agir no desejo do teu coração. Se você deseja viver como um cristão "mediano", ele não vai te impedir. Agora, se sua vontade é viver como um daqueles que deixaram as redes e a vida para trás para segui-lo, então ele vai te levar até mais alto do que você imaginou.

Vejamos Pedro. Ele, um pescador. Um cara que conseguia se manter através desse negócio. Então chega Jesus, pede para entrar no barco dele e se afastar um pouco da margem. Pedro ouvia atentamente a cada palavra que ele falava para a multidão à sua frente, e quando a última palavra de ensino foi pronunciada, ele ouviu: "Leve o barco para o alto mar". Várias coisas poderiam passar pela cabeça de Pedro, mas antes que ele conseguisse, Jesus disse mais: "Lance sua rede para pescar". "Mas mestre!", Pedro hesitou, "Nós pescamos a noite inteira e não pegamos nada. Mas só porque o senhor mandou, eu vou fazer". Quando ele fez como Jesus tinha lhe falado, as redes voltaram cheias, transbordando, de modo que precisou de ajuda para tornar a rede ao barco.

Talvez Pedro tivesse reconhecido que eram sábias as palavras que Jesus dizia, ou talvez ele obedeceu à ordem por respeito ao mestre que passeava em sua cidade. Mas certamente Pedro não queria lançar as redes ao mar. "Quem sabe se eu fizer isso ele vai embora", ele pode ter pensado, ou então "O que eu tenho a perder?". Mas quando os barcos estavam a ponto de afundar pelo peso que os peixes faziam sobre ele, Pedro reconheceu que aquele homem que entrara em seu barco não era qualquer um. Poderia ser um profeta ou um anjo, talvez. Poderia ser alguém para trazer salvação ou maldição sobre eles. Mas tinha poder, certamente.

"Senhor, se retire, pois não sou digno de estar em sua presença", ele disse, prostrado aos pés daquele homem que tinha acabado de conhecer. Ele estava pasmo com o que acabara de ver. Se ele tinha poder para dar ordem aos peixes porque não teria poder para mandar ursas devorá-los, como aconteceu no tempo de Eliseu?

O coração de Pedro palpitava e ele podia senti-lo na garganta. E Jesus à sua frente com cautela tentou acalmá-lo. E disse com uma voz bem mansa: "Não temas". Naquele instante Pedro sentiu tudo voltando ao lugar. "A partir de agora você será um pescador de homens". Pedro se levantou, calado. Ele ainda estava tentando entender o que tinha acabado de ouvir. Então chamou Tiago e João, seus companheiros de pesca, para ajudá-lo a puxar os barcos de volta à terra. Depois Jesus olhou para eles. "Vocês vêm?", seu olhar dizia. E então os três deixaram tudo e o seguiram.

[Você pode ler esse história em Lucas 5.1-11]

Eles deixaram tudo. Não foram as redes, não foram os barcos. Foi tudo. Além das redes e barcos, foi a família, a profissão, os sonhos e inclusive a identidade. Pedro deixou de ser o pescador de Genesaré para se tornar o discípulo do curandeiro de Israel. Claro que Jesus não tinha como objetivo apenas curar as pessoas, mas era assim que ele era visto.

Talvez quando ouvimos que temos que ser loucos para seguir a Cristo não conseguimos nos localizar e definir o significado de loucura. Mas é bem mais simples de entender do que parece.

Loucura é você amar e conversar com alguém invisível, é mudar pra agradá-lo, deixar a popularidade alcançada com esforços próprios para honrá-lo e, acima de tudo isso, deixar de ser crentinho para ser cristão.

Você pode me dizer: "Mas qual é a diferença?".

A diferença é que crentinho é aquela pessoa que faz drama por qualquer coisa, que reclama de cada culto, que muda de igreja porque não gostou de uma palavra, que ouve louvor nos ensaios e em casa ouve músicas seculares, que se diz vivo mas está morto e que vai para o templo para receber aplausos. E o cristão é aquele que ora ao ver algum problema, que é a mesma pessoa dentro e fora da igreja, que tem como alvo Cristo e não o pastor, que não importa se vai aparecer ou não. Cristão é aquele que tem experiência com Deus. E experiência com Deus não é ver bola de fogo voando no quarto. Experiência com Deus é ser humilhado, rejeitado e até agredido (seja verbalmente ou fisicamente) e ao final do dia poder dizer: "Mais uma lição hoje, Jesus. Eu confio em ti."

Jesus procura gente com atitude. Sua atitude vai gerar o caráter que Jesus quer que você tenha. Não precisa vestir uma camiseta com versículo, comprar uma Bíblia de Estudos e ir pregar de terno e gravata na praça pra dizer que é louco por Jesus. Ser louco por Jesus é deixar de fazer o que se quer fazer. É preferir um lugar nos bastidores do que um holofote na cara.

Jesus não procura quem acha que é. Ele procura quem sabe que não é e que quer investir seus esforços para divulgar o nome do Eu Sou.

"Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor."
-1 Coríntios 1.30,31



O que não precisa
Resgate