sábado, 3 de janeiro de 2015

Insônia



Já era mais de meia-noite. Meus olhos ardiam enquanto eu me remexia em meio aos lençóis. O sono tinha fugido e o medo vinha de longe caminhando em minha direção. Eu não aguentaria mais uma noite em claro.

Comecei a chorar.

"De novo, não", pensei. Depois comecei a me questionar dentro de minha mente coisas que não me lembro. Quando percebi ele estava sentado na beira da minha cama. Ele passou a mão no meu cabelo e minhas lágrimas escorriam entre seus dedos.

-Não chore - ele sussurrou no meu ouvido.

Suspirei e passei a mão na última lágrima que não saía de minha bochecha.

Eu tentei tocá-lo como tento todas as noites e, como sempre, percebi que era impossível.

"Eu só queria poder abraçá-lo", disse em pensamento.

-Só falta mais um pouquinho - ele me disse.

Eu sabia do que se tratava, mas fazia tanto tempo que eu não pensava nisso...

-Você se esqueceu, não é?

A verdade é que eu tinha, sim, me esquecido. Tinha me esquecido também que não dava pra esconder nada dele.

-O meu palácio te espera. - ele olhou nos meus olhos penetrando meus segredos e dissipando minhas incertezas - Não se esqueça de mim.

Meus lábios estavam preparados para pronunciar "não esquecerei", mas já tantas vezes passamos por isso e não honrei minha palavra.

-Vou tentar - falei desviando o olhar.

Ele tocou a mão em meu ombro.

-Você vai conseguir - ele disse.

-Só me prometa uma coisa. - ele já sabia o que era, mas silenciou-se e aguardou atenciosamente meu pedido - Que quando eu chegar lá você me abrace.

-Então você vai conseguir?

-Só você pode me dizer.

-Mas você vai lutar?

-Com todas as minhas forças.

-Era isso o que eu queria ouvir.

Suas palavras soaram como uma torrente de calmaria. Me senti mergulhando em um oceano de paz. O desespero já não existia mais. E pela primeira vez em horas pude descansar.

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