quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sigam-me os loucos


Jesus nos chamou. E não foi para sermos os mais sábios ou os mais amados do mundo, mas para o contrário disso. Ele nos chamou para espalhar sua glória sobre a terra, e consequentemente nos tornarmos as pessoas mais loucas desse mundo.

A cruz que pregamos é escândalo para os judeus e loucura para os gregos (1 Coríntios 1.23). Fomos chamados para isso. E para cumprir a nossa missão temos que abrir mão de nossa razão. Não é questão de escolher se queremos ou não; é uma consequência inevitável.

Temos que dizer não à nossa família, não ao nosso sistema e inclusive não a nós mesmos. A cada cenário presenciamos uma luta contra a cruz. Pessoas que acham que não se passa de dois pedaços de madeira; pessoas que dizem que entendem seu significado, mas dizem que não precisam.

Em certos momentos nos encontramos em um beco sem saída. Temos que escolher entre nossa reputação e nosso amor a Cristo. Por alguns momentos até dá pra ficar com as duas coisas, mas depois de um tempo elas começam a se combater. Cabe a nós escolher qual vencerá.

Em algum dia de minha história Jesus me disse para eu segui-lo. Eu aceitei o pedido, e a partir daquele momento eu me tornei uma completa estranha no lugar em que eu estava. A partir daquele momento eu estava invadindo território inimigo. E a partir do momento em que ergui a minha bandeira e fiz questão de que todos vissem a minha braçadeira me senti como e estivesse colocando uma espada em meu próprio pescoço. Depois entendi que meu senhor de guerra tinha ideias bem melhores do que gritar "Independência ou morte!" e sair matando todo mundo que estivesse pela frente.

Ao ingressar nesse exército percebi que meu senhor tem as melhores táticas, as melhores armas, as melhores posições, e a coragem de defender cada soldado. Porém percebi que, de vez em quando, ele permite que um de nós vá com a cara e a coragem entregar alguma carta para o exército à nossa frente. Algumas vezes ele nos explica o que tem dentro do envelope, mas na maioria das vezes não. Então nos encontramos numa situação bem difícil. Somos obrigados a ouvir coisas como "Não era você quem tinha abandonado a gente?" e "Voltou pra pedir desculpas, é?". Então ignoramos esses comentários e tentamos manter a calma.


"Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundos, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece."
-João 15.16

Para andar com Jesus você precisa ser louco o suficiente para deixar para trás toda a sua vida e suas convicções. Jesus não vai em momento algum usar a razão, e é aí onde mora a loucura.

A razão vai fazer você questionar a sua fé, e a fé vai questionar o seu eu. Na verdade nós somos os únicos que precisamos ser questionados.

Da mesma maneira que Jesus não veio para os sãos, Deus não alista em seu exército os donos da razão. Ele não quer aquele cara que arranja explicação para qualquer hífen que acontece em sua vida, tampouco aquela moça que tenta decifrar os planos de Deus. Ele procura aqueles que deixem o seu conhecimento para confiar nele. Que confiem o bastante para vendar os olhos e andar em uma corda-bamba tendo como apoio as mãos dele.

Eu nunca conheci alguém que tenha planos mais loucos do que Deus. Eu nunca vi alguém que faça tanta coisa sem sentido para um propósito final como ele faz. Sequer conheci alguém com os pés na razão e cabeça no ego que vivenciou a obra de tão grande Deus.

Tudo o que você precisa é confiar no seu Deus. Num Deus invisível, não palpável, quase sempre inaudível e que sequer foi criado. É preciso confiar no Deus que é por simplesmente ser. É acreditar que, mesmo quando todos o ignorarem, ele ainda está a te ouvir. Isso é fé.

"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, poque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam"
-Hebreus 11.6

Jesus procura os loucos que estejam dispostos a viver loucuras à nível Cristo.

Não, não precisa ter a capacidade de fazer essas loucuras. Você só precisa ter o anseio. Jesus vai agir no desejo do teu coração. Se você deseja viver como um cristão "mediano", ele não vai te impedir. Agora, se sua vontade é viver como um daqueles que deixaram as redes e a vida para trás para segui-lo, então ele vai te levar até mais alto do que você imaginou.

Vejamos Pedro. Ele, um pescador. Um cara que conseguia se manter através desse negócio. Então chega Jesus, pede para entrar no barco dele e se afastar um pouco da margem. Pedro ouvia atentamente a cada palavra que ele falava para a multidão à sua frente, e quando a última palavra de ensino foi pronunciada, ele ouviu: "Leve o barco para o alto mar". Várias coisas poderiam passar pela cabeça de Pedro, mas antes que ele conseguisse, Jesus disse mais: "Lance sua rede para pescar". "Mas mestre!", Pedro hesitou, "Nós pescamos a noite inteira e não pegamos nada. Mas só porque o senhor mandou, eu vou fazer". Quando ele fez como Jesus tinha lhe falado, as redes voltaram cheias, transbordando, de modo que precisou de ajuda para tornar a rede ao barco.

Talvez Pedro tivesse reconhecido que eram sábias as palavras que Jesus dizia, ou talvez ele obedeceu à ordem por respeito ao mestre que passeava em sua cidade. Mas certamente Pedro não queria lançar as redes ao mar. "Quem sabe se eu fizer isso ele vai embora", ele pode ter pensado, ou então "O que eu tenho a perder?". Mas quando os barcos estavam a ponto de afundar pelo peso que os peixes faziam sobre ele, Pedro reconheceu que aquele homem que entrara em seu barco não era qualquer um. Poderia ser um profeta ou um anjo, talvez. Poderia ser alguém para trazer salvação ou maldição sobre eles. Mas tinha poder, certamente.

"Senhor, se retire, pois não sou digno de estar em sua presença", ele disse, prostrado aos pés daquele homem que tinha acabado de conhecer. Ele estava pasmo com o que acabara de ver. Se ele tinha poder para dar ordem aos peixes porque não teria poder para mandar ursas devorá-los, como aconteceu no tempo de Eliseu?

O coração de Pedro palpitava e ele podia senti-lo na garganta. E Jesus à sua frente com cautela tentou acalmá-lo. E disse com uma voz bem mansa: "Não temas". Naquele instante Pedro sentiu tudo voltando ao lugar. "A partir de agora você será um pescador de homens". Pedro se levantou, calado. Ele ainda estava tentando entender o que tinha acabado de ouvir. Então chamou Tiago e João, seus companheiros de pesca, para ajudá-lo a puxar os barcos de volta à terra. Depois Jesus olhou para eles. "Vocês vêm?", seu olhar dizia. E então os três deixaram tudo e o seguiram.

[Você pode ler esse história em Lucas 5.1-11]

Eles deixaram tudo. Não foram as redes, não foram os barcos. Foi tudo. Além das redes e barcos, foi a família, a profissão, os sonhos e inclusive a identidade. Pedro deixou de ser o pescador de Genesaré para se tornar o discípulo do curandeiro de Israel. Claro que Jesus não tinha como objetivo apenas curar as pessoas, mas era assim que ele era visto.

Talvez quando ouvimos que temos que ser loucos para seguir a Cristo não conseguimos nos localizar e definir o significado de loucura. Mas é bem mais simples de entender do que parece.

Loucura é você amar e conversar com alguém invisível, é mudar pra agradá-lo, deixar a popularidade alcançada com esforços próprios para honrá-lo e, acima de tudo isso, deixar de ser crentinho para ser cristão.

Você pode me dizer: "Mas qual é a diferença?".

A diferença é que crentinho é aquela pessoa que faz drama por qualquer coisa, que reclama de cada culto, que muda de igreja porque não gostou de uma palavra, que ouve louvor nos ensaios e em casa ouve músicas seculares, que se diz vivo mas está morto e que vai para o templo para receber aplausos. E o cristão é aquele que ora ao ver algum problema, que é a mesma pessoa dentro e fora da igreja, que tem como alvo Cristo e não o pastor, que não importa se vai aparecer ou não. Cristão é aquele que tem experiência com Deus. E experiência com Deus não é ver bola de fogo voando no quarto. Experiência com Deus é ser humilhado, rejeitado e até agredido (seja verbalmente ou fisicamente) e ao final do dia poder dizer: "Mais uma lição hoje, Jesus. Eu confio em ti."

Jesus procura gente com atitude. Sua atitude vai gerar o caráter que Jesus quer que você tenha. Não precisa vestir uma camiseta com versículo, comprar uma Bíblia de Estudos e ir pregar de terno e gravata na praça pra dizer que é louco por Jesus. Ser louco por Jesus é deixar de fazer o que se quer fazer. É preferir um lugar nos bastidores do que um holofote na cara.

Jesus não procura quem acha que é. Ele procura quem sabe que não é e que quer investir seus esforços para divulgar o nome do Eu Sou.

"Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor."
-1 Coríntios 1.30,31



O que não precisa
Resgate

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