quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Vai onde não há amor e ama


Jesus nos chamou para amar. O amor foi o centro de seu ministério. Por amor ele morreu, por sua morte somos salvos. E assim como ele nos amou, devemos amar os outros. A salvação dos perdidos depende de nós.

Jesus nos disse para amar a todos, mas às vezes parece que o "todos" começa a partir da África ou da Cracolândia. Parece que o nosso amor não merece ser apregoado no nosso bairro ou no nosso ambiente de trabalho. Parece que só amamos por status ou grandeza.

Ouvi uma música que diz: "Vai onde não há amor e ama"¹. Pensamos logo em um asilo, um orfanato ou hospital. Por que é tão difícil enxergar que talvez o coração vazio pertença ao seu patrão? É que ele sorri demais, não é? Como você nunca reparou seus olhos inchados? Seu sorriso expressava seus sonhos perdidos. Ele queria poder sorrir de verdade, mas não pode.

E você, onde está?

"Onde está o amor? Onde está o evangelho? Onde está esse tal de Deus?", ele murmura em sua alma. Suas lágrimas se misturam com sua amargura, e ele te vê. Você, sempre animado e falando de um homem que foi martirizado por amor, o deixava confuso. Ele só quer entender o que é esse amor.

Onde estamos? Até quando permaneceremos calados diante das dores e gemidos do mundo? Até quando nos faremos de surdos? Até quando assistiremos montes de pessoas sendo lançadas ao inferno sem fazer nada? Até quando viveremos um evangelho hipócrita? Até quando nos esconderemos atrás de desculpas? Até quando nos acomodaremos como se tudo estivesse bem?

Até quando negaremos Cristo com nossas obras?

É tempo de fechar a boca e começar a agir. O mundo clama por amor. Não sejamos soberbos ao ponto de desejar as nações e rejeitar as nossas raízes.

Vai onde não há amor e ama. Vai onde não há paz, onde não há alegria e ama. Vai onde há dor e mostre o amor do seu Deus. Estamos em constante guerra espiritual. Jesus deve ser nosso estandarte, e o seu amor a nossa tática.

Paulo falava muito sobre amor. Ele falava amor, mas também vivia amor. Inclusive incentivava seus seguidores a amarem.

Filemom, discípulo de Paulo, teve o amor imposto diante de si. Ele tinha o dever de receber Onésimo, um escravo fugido, em seu lar. Não por força, mas voluntariamente. Paulo pedia que Filemom perdoasse um traidor e que o amasse mais do que outrora. O amor pelo fugitivo devia igualar-se ao amor que Jesus ensinou. Amor incondicional, independente de seus esforços.

Imagino eu que quando esse homem leu a carta que Paulo lhe escreveu seu sangue esquentou, mas antes que pudesse expressar sua indignação, ele respirou fundo. Esse amor agora cobrado era o mesmo amor cujo Deus o havia amado. Então aceitou a situação focando na cruz.

Talvez Jesus precise impôr a nós o amor. Às vezes estamos tão centrados em quantos visitantes chegaram ou na afinação do grupo de louvor que esquecemos do amor. Não podemos cair no engano de tratar a igreja com números. Aquela jovem que aceitou a Jesus no domingo passado não é só mais uma da membresia. Ela tem uma história de sorrisos e lágrimas, de amizades e de antissocialismo, uma vida de momentos e emoções. A partir do momento em que a história das pessoas não importar, estaremos a agir como uma tropa de robôs entregando panfletos no meio da rua. Amar em Cristo, além de apenas levar uma pessoa a um evento na sua igreja, é lembrar que lidamos com seres humanos, é tentar compreendê-los e a ver seu ponto de vista. Amar é se colocar no lugar e encontrar a melhor forma de encaixar Jesus no vazio que eles têm no peito.

Jesus foi quem primeiro nos amou. Ele enviou um pacote para Um Lugar No Meio do Nada e você o recebeu, entusiasmado. Você esperava algo grande, valioso, mas a única coisa que tinha dentro da caixa era um bilhete. Isso te desanimou, mas você tinha que lê-lo, de qualquer forma.

É com muito carinho que lhe presenteio com o meu amor. Não parece muita coisa, mas não jogue fora, por favor. Eu sei que é uma falta de educação falar o preço das coisas que se dá, mas esse aqui custou sangue. O meu sangue, para dizer a verdade. Doeu bastante, mas essa dor se igualaria a nada comparada à dor de te ver rejeitando esse presente.

Você pode retribuir, se quiser. Passe adiante.

Atenciosamente,
Jesus

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Deus, onde estás?
Palavrantiga


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Notas
¹ - Trecho da música Deus, onde estás? - Palavrantiga


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