quarta-feira, 4 de março de 2015

Do conforto ao renovo: A sabedoria



Não é difícil encontrar alguém que a almeje a sabedoria. Às vezes não precisamos ir além do nosso espelho para encontrar um aspirante a Salomão do século XXI. Porém, a sabedoria está num lugar onde alguns de nós tememos chegar.

"No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas, ela se coloca."
-Provérbios 8.2

A sabedoria está dalém da neblina que não nos deixa ver o pico da montanha. Quando começamos a aprender o ABC, somos tentados a desafiar a nós mesmos e a duvidar se os nossos limites são realmente barreiras ou se são apenas a chave para subir de nível. Para escrever esse texto hoje, há quase dez anos atrás precisei enfrentar algo que eu não conhecia.

Hoje, de outro ângulo, posso entender porque Jesus nos aconselhou a ser como uma criança. É que criança tem medos - bem mais do que todo mundo -, mas mesmo assim luta contra eles. Criança tem a fama de ser medrosa por ter medo de tanta coisa, mas o que nos deve chamar a tenção é que elas vencem seus medos a cada dia. Se não fosse assim, eu ainda teria medo de beber água no meio da noite e de desligar as luzes da casa antes de dormir.

Para a criança tudo é novo. Sua vida no colo da mãe não é o bastante para conhecer o mundo que a rodeia, de modo que ainda lhe é estranho olhar para si diante do espelho. Nossa jornada espiritual não é diferente.Somos crianças em busca de um Deus desconhecido traçando um caminho inesperado. Temos de ousar, de gritar, de prosseguir. Temos medo de arriscar.

"Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação"
-2 Timóteo 1.7

Me arrisco a dizer que esse é o pior medo de todos. É com ele que nos atamos ao comodismo e onde tudo passa a ser normal. É normal não orar mais, é normal não sentir mais a presença de Deus, é normal não mais ouvir a voz dele.

Temos todo respaldo para inovar. O comodismo só vai nos fazer amar o mundo onde estamos quando nossa reação a respeito deveria ser repulsa. O comodismo venda nossos olhos e não nos deixa ver quem é o príncipe deste século; não nos deixa enxergar o mundo podre caindo aos pedaços em que habitamos.

Precisamos subir ao cume do monte, e deixar o povo com seus ídolos de ouro, só para ouvir a voz de Deus. Chegamos ao ponto em que é impossível ter um contato com Deus do nosso lugar. Ele não se aproxima do pecado, mas estamos mergulhados nele.

O sábio sabe como viver em paz, e no fim é isso o que queremos. Porém não podemos confundir paz com águas calmas; pelo menos não a paz duradoura que buscamos. Somos convidados a escalar o Everest em dia de nevasca todas as vezes que desejamos tem com Deus. É um desafio diário. Sentimos nossas mãos congelando e por vezes parece que o equipamento de segurança vai falhar; nossa pele fica vermelha e mesmo com nosso agasalho sentimos como se estivéssemos vestindo regata e bermuda. Como se não bastasse, ouvimos a voz dos mais chegados nos dizendo que é perigoso. Isso dói.

Mas pense comigo: vale a pena?

A traição de Judas perfurou o corpo de Cristo, mas manter-se calado e suportar o castigo de um traidor era a sua primeira opção. Sabe por quê? É que valia a pena. O risco era grande, mas o resultado seria maior.

Precisamos escolher entre nosso conforto e nosso crescimento. Temos que ter foco e determinar objetivos. É o momento decisivo. Temos recursos e o apoio dono do mundo nos dizendo que vamos conseguir. De nós só basta dar o primeiro passo.

Do cume dos montes ecoa uma voz que nos chama pelo nome, e que nos oferece uma porção de sabedoria para que não nos afoguemos nesse mar de iniquidade.

"Quanto te deitares, não temerás; sim, tu te deitarás, e o teu sono será suave."
-Provérbios 3.24

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Por um momento assim
Fernanda Brum

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