quinta-feira, 4 de junho de 2015

Uma palavrinha sobre mudança



As coisas mudam. As pessoas mudam. Isso faz parte da vida e bem no fundo todos sabemos disso. Alguns, porém, recusam-se aceitar o fato.

Há pouco tempo atrás eu me enquadrava nesse "alguns". A cada dia uma nova tortura com essa coisa de personalidade em formação. Na verdade mudar sempre me assustou muito, não sei ao certo o porquê. Só sei que nesse tempo eu mudei bastante, mas olhando direito não vi nenhum progresso. Passei pela fase de aluna perfeitinha, revolucionária inconsequente (inconsequente até que sim, mas revolucionária... não, não podia ser), já fui a pessoa que se abria com qualquer um que conhecia na esquina, depois me recusei a confiar em qualquer pessoa, mesmo naquelas que já haviam provado tantas vezes merecer minha confiança.

Depois de um tempo virei ninguém. Sabe, desisti de me mudar. Na verdade eu me tornei o que eu realmente sou, porque parei de me encolher para me encaixar nesses estereótipos de gente que a gente vê por aí. Se me perguntarem hoje como eu me defino, acredito que o máximo que ouviriam seria "uma pessoa infantil que busca a maturidade". Diria com um sorriso no rosto, olhando no fundo dos olhos de quem me perguntou. Não desviaria o olhar, não tremeria, e minha resposta poderia ser bem diferente a cada dia, mas indicando a mesma pessoa. Dessa vez não mentiria, nem a mim e nem a eles.

Me tornar "ninguém" foi o que me fez conhecer quem eu sou. Exatamente, eu sou ninguém. Na minha escola ninguém além do meu grupinho e de alguns professores sabem quem eu sou. Na minha extensa lista de amigos no facebook não chegam dez a me conhecer. Quando ando na rua ninguém me para para pedir autógrafo. Ninguém me conhece por meu jeito, que não é muito atraente, nem por meus feitos, que na verdade nunca foram muitos, mas que vêm diminuindo com o tempo.

Mas se tem algo pelo qual eu venho tentando me parecer, e se precisar eu me contorço toda só pra me encaixar no molde, é o molde de Jesus. Diferente de todos os estereótipos que vemos por aí, ser igual a Cristo é diferente para cada um. Você não vai ver um exército de cristãos andando todos iguais. Antes mesmo de eu nascer ele criou uma fôrma toda especial para mim, assim como para todos quando ainda não passavam de carne e sangue sem forma.

E se tem algum motivo pelo qual eu quero ser conhecida por onde eu passe, é parecer com esse cara. Saber meu nome pra quê? Recompensa muito maior é ouvir alguns cochichos dizendo "Ela é diferente" e "Queria ser como ela", e saber que ao dizer isso estão apenas dizendo "Queria ser como o Cristo que ela tem".

Descobri que o prazer vai além de vanglórias. Que me fazer conhecida vai fazer as pessoas repararem mais em meus erros do que em meus acertos. Aprendi que Cristo em mim vai me fazer melhorar a cada dia, e que quando não der certo eu vou ter pra quem contar que eu falhei. Com Cristo em mim eu posso ser quem eu sou sem me desviar de quem eu devo ser. Não preciso ser quem esperam que eu seja, porque na verdade o que eu tenho já é tudo o que precisam mas não confessam.

A honra diante dos meus olhos e eu demorei tanto pra entender. Preferi por tanto tempo meu sorriso amarelo ao doce canto que me esperava. Usava minha caneta para mandar todos mudarem, quando minha mudança nem existia de verdade. Eu sempre fui a pessoa que se mudava sempre e que nunca satisfez ninguém, que mudava de roupa, mudava de cabelo, mudava o vocabulário, mas que continuava a mesma pessoa vazia e sem graça de sempre.

Ser sal e luz é um grande desafio. Representar Cristo na terra é dar a cara a tapa. Mas é justamente essa adrenalina que vai te guiar pra uma aventura nova a cada dia. Ser diferente de todo mundo, dizer não aos amigos, ser como Jesus por onde passar é difícil no começo, mas com o tempo você vai parar e pensar "Meu Deus, como eu mudei! Quem diria que eu sempre fugi do que me traria paz?".


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