quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A história sobre quando eu me tornei verdadeiramente cristã



Dia desses eu estava pensando sobre o fato de ninguém nascer servindo a Deus. Dizia a mim mesma que todos têm um momento em que reconhecem que não são nada e escolhem caminhar rumo ao céu. Não são nossos pais que nos ensinam isso. Nem que eles nos levem à igreja todos os fins de semana e nos façam participar de todas as atividades. Isso vem de nós mesmos. Não importa quantos sermões ou testemunhos ouçamos.

Depois de concluir todo esse raciocínio me perguntei: E quando é que eu decidi me tornar cristã?

A resposta demorou a vir. Pensei bastante, mas não conseguia me lembrar. Fui vendo os fatos em ordem regressiva, e de repente me deparo com um evento. Não qualquer evento, mas o que mudou minha vida de lá até aqui. Confesso que esperava uma história mais bonita, cheia de floreados, mas não é essa a história que eu tenho. Também gostaria que ela houvesse acontecido há um tempão atrás, mas me decepcionei quando percebi que tão recentemente decidi entregar minha vida às melhores mãos.

Certa vez me falaram de Deus. Disseram-me que ele era bom, e que ele seria a solução para todos os meus problemas. Diziam que ele era tão bom que eu até fingia conhecê-lo desde a infância só para poder dizer que eu andava com ele. Mal sabia eu que não adianta fingir sem viver, e que o que eu fazia era só para mostrar que eu era santa, superior, ou algo do tipo.

Tive a sorte e o prazer de ir além dos falsos momentos com ele. Eu poderia descrever uma história sobre como ele me mostrou um sonho com trilha sonora de "Mostra-me Tua Glória", com direito a raios e trovões. Poderia até dizer que ouvi a voz estrondosa dele numa noite de insônia, mas isso seria mentira.

A verdade é que, teimosa como sempre fui, tive que quebrar a cara para conhecer a bondade e soberania de Deus. Não que ele tenha armado alguma coisa, só eu que fui tola ao ignorar seus conselhos.

Era uma quinta-feira. Eu com um grupo de amigos decidimos chamar uma reunião com o corpo docente da escola para resolver algo. Ok, não queríamos resolver nada. Era algo como colocar lenha na fogueira em prol de interesses próprios (interesses bem furados, cá entre nós).

No mesmo dia, antes de dormir, contei para Deus sobre todo o plano, e as expectativas, e o que esperávamos, e tantas coisas! Sinceramente, esperava apoio. Espera uma luz raiando do teto do meu quarto com uma voz angelical dizendo "Vai na fé". Mas o que eu recebi... Ah, como me decepcionou a resposta. "Não", ele disse. Não um sonoro "não", ou um audível "não". Apenas "não". Não me disse porquês nem tentou me convencer. Apenas reprovou toda a minha ideia.

Gostaria que essa fosse a parte em que eu desistiria de toda essa bobeira e correria para os braços do Pai, aceitando o meu ministério e o desafio de ser cristã. Mas se eu contasse isso, infelizmente seria mentira – de novo.

A verdade é que eu simplesmente ignorei. Se eu pudesse voltar naquele dia, talvez eu fizesse diferente, ou me daria um tapa na cara pra tomar vergonha. Mas por outro lado, essa minha rebeldia foi o que desencadeou todo um desfecho maravilhoso.

Pois bem, fui com a cara e a coragem, e nem ousei segurar não mão de Deus. O resultado não foi o esperado. Nem as mais baixas expectativas foram tão ruins quanto o resultado. Também, o que eu esperava?

Cheguei em casa e com a maior cara deslavada fui falar com ele. "Você estava certo". "Devia ter te ouvido". "Como fui idiota em ignorar o que você disse".

E a parte feliz aconteceu: Reconheci minha natureza fadada ao erro, que misturada com minha teimosia enraizada só me levaria a lugares sombrios. E a resolução foi feita.

Inicialmente formada por interesse, mas que me levou ao ponto certo: A única solução para eu não quebrar a cara a cada decisão que eu precisasse tomar seria ter alguém para me ajudar. Alguém infalível, que tem uma visão geral e um conhecimento prévio sobre o mundo. Alguém que entendesse meus pontos de vista, mesmo que discordasse de todos eles. Alguém que fosse Deus enquanto eu não sou.

Encontrei - na verdade ele estava diante dos meus olhos o tempo todo.

Com isso percebo que estar na igreja não equivale a estar com Deus. Que podemos servir a igreja, o pastor, o grupo e os membros sem sequer procurarmos descobrir quem é Deus. Foi o que eu passei. Todos (inclusive eu) achando que eu estava em plena intimidade com o Mestre, reputação de crente a mil, mas e a intimidade que ninguém vê? Nem eu via! Mas Jesus me encontrou e mudou completamente minha forma de viver. Se tornei-me perfeita? De maneira nenhuma! Mas hoje conheço alguém que é, e que na sua perfeição e amor pleno convidou-me para fazer parte de um Reino. Não como um desses que quando vem uma guerra está sujeito a cair. Digo um Reino incorruptível. Um Reino que me espera, e que busco incessantemente enquanto digo Maranata. Ele vem!

Talvez esse não seja o testemunho mais emocionante que você tenha ouvido falar. Na verdade eu mesma já ouvi testemunhos bem mais extravagantes quanto o meu. Olhando não parece nada, mas vivendo... Ah, que valor imensurável! Foi o início de tudo. Não daria para escrever um livro, mas o que tenho vivido agora não há registro que pague. Ele me diz para não ir, eu vou, quebro a cara, volto arrependida, prometo que nunca mais vou desobedecê-lo, mas quando vejo já fiz de novo. E o amor dele sempre está lá. Sei onde encontrá-lo. Sei como ele me constrange e me faz crescer um pouco a cada dia. O começo não foi um dos mais esplêndidos, mas e se eu disser que ainda nem cheguei no clímax?

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