quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Propaganda ambulante



Não, você não é radical por comer cereal ou tomar achocolatado. Não vai "pegar as melhores" depois de tomar cerveja. Não vai ficar com pele de bebê só porque um sabonete diz que vai. Qual é, quem não sabe disso? É claro que não teremos a família perfeita só porque comemos margarina. Será que não percebemos que essa é a mesma tática que se usa para nos levar para o mal caminho? "Está triste? Tome esta coisa aqui e os seus problemas sumirão". Ou por que não "Saia com quantos puder para sentir prazer intenso"?. Venda de felicidade, amor, prazer, aceitação... Não é muito diferente de ouvir "Você precisa desse celular de última geração", não é?

O mundo é um supermercado gigante, onde estamos cercados de milhares de prateleiras repletas de produtos prontos para serem comprados, consumidos e para penetrar em nossas veias até que sejam tão necessários quanto sangue. Somos forçados a olhar para os produtos mais atraentes e chamativos todos os dias. Sabemos que estão cheios de açúcar e de gorduras e que eles entopem nossas veias, mas estão todos comprando...

Somos diariamente tentados a desejar e a possuir um corpo que não é nosso. Todos os dias surgirá uma nova oportunidade para espalhar discórdia. O tempo inteiro estamos cercados de assuntos que não poderíamos participar. Mas todos estão fazendo...

A pressão nos obriga a fazer o que todos estão fazendo. Quando percebemos, estamos viciados em produtos podres reputados como os melhores. Não, essa não é a pior parte. O pior é quando já estamos tão acostumados com o sistema que nós entramos nas embalagens sem nem perceber! Agora somos produtos. Não temos mais movimento nem lugar para respirar. Somos vendidos como exemplo social, mas dentro de nós sentimos nojo do que fizemos.

Não vivemos para sermos felizes. Sobrevivemos tentando agradar os que nos rodeiam. Já não somos nós, nem nos reconhecemos. Na correria fazemos o que não deveríamos, e à noite nos culpamos por toda nossa idiotice. Nos tornamos marionetes do príncipe deste século (isto é, do diabo) e cedemos ao sistema tão facilmente. Não sabemos a quem pertence o domínio do sistema? Não sabemos da ira de Deus que se manifesta por causa de nossos constantes pecados planejados? Não sabemos que fomos chamados para fazer a diferença? Sim, sabemos. Então por que é que insistimos em estar na moda? Por que queremos ser como todo mundo? Não mais vale ser rejeitado pelo mundo inteiro do que por Deus? Mais do que tudo! Então por que seguimos o fluxo quando nosso destino está na contramão?

Eu sei, eu sei, é difícil ir contra todo mundo. Confesso que também nem sempre consigo. Mas às vezes nos conformamos com o que está acontecendo. Achamos normal ter uma vida sem desafios. Temos nossas convicções mudadas porque não usamos a massa cefálica que Deus colocou em nossa cabecinha para tirar nossas próprias conclusões. Vamos indo pelas ideias dos outros, até que caímos num grande abismo - como todos os outros.

No momento parece valer mais a pena andar com a multidão, mas só lá na frente veremos o fim dela. A multidão quer o fácil, e o fácil dá num fim trágico. Alguns poucos que conseguem fugir são questionados sobre seu futuro e até pisoteados nessa de seguir na contramão, mas lá na frente, bem lá na frente, mas bem lá na frente mesmo, eles veem que tudo isso valeu muito mais a pena. Valeu a pena ser tachado como "crentinho", valeu a pena fica no canto quando todos estavam curtindo, valeu a pena fechar bem os olhos quando à sua frente haviam coisas extremamente tentadoras a provar.

E se esses pouquinhos forem eu e você? E se lutarmos com todas as nossas forças para encontrar nosso lugar de conforto? E se dermos a outra face e perdoarmos quem nos traiu? Será que vai ser fácil? Será que aguentaremos segurar uma cruz pesada? Será que conseguiremos atravessar uma trilha de espinhos? Será que poderemos lutar depois de perder todas as nossas forças? Isso assusta, eu sei. A gente olha o caminho a se trilhar e dá um frio na barriga e uma vontade de voltar para nosso lugar quentinho. Mas diz aí: Você vai querer ver o Deus glorificado, o Cristo ressurreto, o lugar de paz e alívio e viver por lá para sempre? Quer mesmo? Sinto dizer que você terá que passar por todas essas situações dolorosas. Mas tem um porém: Você não está sozinho nessa!

Olhe para cima. Um pouco mais. Para dalém dos montes mais altos, por detrás da neblina, além da estrada de espinhos. Consegue ver? Sim, sim. Eis a sua salvação. Consegue ver Jesus? Ele, todo forte e revestido de glória, sem fraqueza alguma. Parece distante de nós, não é? Pois saiba que esse aí pegou toda a sua força, sua glória e majestade e as colocou em uma caixinha, um dia, lá atrás, só para vir nessa Terra, para habitar nesse corpo que sente fome e dor, só para hoje mesmo, quando olharmos para ele, ele possa dizer que nos entende. Saiba que ele te entende plenamente. Ele sabe como é difícil manter a santidade e tudo mais. Mas ele conseguiu, e é isso o que ele quer falar. Ele venceu! Olhe para cima! Mantenha seus olhos focados no alvo. Diante de tanta formosura as pedras que lhe jogarão serão fichinha!

Ele sabe que você consegue.

Vem nessa comigo! Deixa esses estereótipos para trás. Seja chamado de quadrado, de antissocial e de chato mesmo. Não aceite o que é errado só porque todo mundo diz que é certo.

Você não está sozinho.

Não seja só mais um comercial ambulante. Não viva para transmitir felicidade quando não está nada bem. Arranque as máscaras, dispense a produção. Seja você mesmo. E olhando para o alvo, faça de você mesmo o melhor você pode poderia existir.

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