quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Recíproco amor

Leia ao som de Dara Maclean ♫ ♪ ♫



Ela caminhava sozinha. Sentia a grama sob seus pés, e o olhar da lua sobre os seus passos. Falava baixinho na alma sobre suas dores, sobre sua necessidade de recíproco amor. Cochichava sobre laços, ora maiores de um lado e menores do outro. Aquela velha história de que o amor é como um elástico. Ela se dedicava tanto a amar as pessoas, pensava mil vezes antes de dizer algo, sorria mesmo com o coração sangrando. Ela se importava de verdade, e em troca recebia um punhado de indiferença. Não uma ou duas vezes. Várias.

"Isso é injusto", ela repetia consigo mesma. Ver amigos partindo doía na alma.

Sentou-se, olhou para o céu como se olhasse para os olhos de Deus. "Isso é injusto", ela disse novamente. "Se amar for recompensado dessa forma, não quero mais amar. Não quero mais tratar de arranhões quando tenho feridas desatadas dentro de mim".

Um vento forte ouriçou seu cabelo, penetrou em seu coração e disse de forma doce: "Você não pode parar". A voz em forma de calmaria inquietou a moça.

"E como eu poderia continuar!? Como posso dar a mão para quem me vira as costas? Como posso aceitar de novo quem foi embora sem mais nem menos? Já faço isso há tanto tempo, e é desgastante, sabe? É cansativo manter a calma todas as vezes que eles dizem mal. Como posso continuar fazendo isso?"

A garota calou-se. Silêncio pelo arredor. Ela realmente esperava uma resposta, por mais que desejasse que Ele a permitisse desistir. "Como?", sua alma sussurrou.

"Como eu", Ele respondeu.

Antes que ela pudesse retrucar com o clássico argumento "mas é porque o Senhor é Deus", Ele continuou a falar. "Quantas vezes você foi quando eu disse para você ficar? E quantas vezes eu já te aceitei novamente? Quantas vezes eu ouvi você falar sobre os seus problemas, mesmo sabendo que tudo aquilo era emoção passageira? Quantas vezes eu já te perdoei por ter feito o que eu disse para você não fazer? Eu morri naquela cruz por você. Todo o amor que você precisa eu já te dei. Se queres reciprocidade, aja de tal forma para comigo. Ame por mim".

Ela desviou o olhar do céu para o gramado. Seu orgulho que estava nascendo foi despedaçado. Ela não era melhor do que ninguém, afinal. O que era um pouco de ingratidão comparado a carregar todos os pecados do mundo desde a criação até a consumação?

Ela se levantou, enxugou a confusão do rosto, sorriu para o manto estrelado e disse: "Pelo Senhor, então".

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