sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Eu vou ler a Bíblia toda, e você?



Eis que o ano novo vem chegando, e muitos cristãos têm entre as suas metas e resoluções ler a Bíblia toda em 2017. Hoje eu vim falar um pouco para vocês sobre o que eu andei pensando e aprendendo sobre isso.

A primeira coisa que precisamos ter em mente é que, se tratando de uma meta tão ambiciosa, ser realista na hora de traçar um plano será bem mais útil do que ser espiritual. A parte espiritual que há em nós vai planejar acordar uma hora mais cedo e ler dez capítulos por dia. A parte realista vai ponderar que talvez não seja possível, assim logo de cara, acordar mais cedo, afinal, você chega tarde em casa, e é com esforço que se levanta no horário normal.

A segunda coisa é ter uma motivação. A minha motivação para ler a Bíblia toda tem sido: Eu preciso conhecer a Deus além dos salmos e cartas de Paulo! Qual é a sua motivação? É entender o porquê de alguma doutrina específica? É compreender a manifestação do Deus Trino durante as épocas da história? Ou é para bater no peito e dizer que você leu a Bíblia toda e os outros não?

Se a sua motivação não for forte o bastante para te empurrar, você não conseguirá cumprir essa meta. No meu caso, eu sei que se eu desistir, perderei a grande oportunidade de conhecer a Deus de uma forma mais ampla, escolhendo por mim mesma a viver um evangelho raso e um relacionamento frágil com Deus.

A terceira coisa é: Não planeje o seu ano. Planeje o seu hoje! Planejar ler dez capítulos por dia nos causa uma ansiedade, com certeza. Porque se hoje eu leio nove, amanhã eu tenho que ler os dez mais o um que eu não li hoje. Então entramos numa bola de neve e desistimos. Por isso, se você está certo de que quer ler a Bíblia inteira, comece agora! Pare o que você está fazendo e comece a ler Gênesis 1 nesse exato momento.

A última coisa é nunca desistir. Se por acaso você não leu hoje, ainda dá tempo de ler. O dia não acabou! Se ontem você simplesmente se esqueceu que a sua Bíblia existia, o que vale mais a pena: Se lamentar e se culpar porque não honrou com seu compromisso diário, ou respirar fundo, pegar a Bíblia e ler? O seu erro de ontem não pode te fazer desistir de se levantar corajosamente hoje, entendeu? Mas que isso também não seja uma desculpa esfarrapada para usarmos para "driblar o sistema". Os prejudicados seremos nós mesmos.

Que a nossa leitura não seja como tarefa de casa, ou uma obrigação. Que seja realmente um momento de intimidade com o Pai, onde procuramos aprender um pouco com cada fragmento do texto, e não devorar tudo sem nem mastigar. Lembre-se sempre da sua motivação!

Eu realmente espero que esse 2017 seja abençoado para vocês, e que esse texto tenha nos encorajado a tirar o pó de nossas Bíblias e a conhecermos e prosseguirmos em conhecer a Deus!

É isso galera!
Fiquem com Deus
e até a próxima!

Se Deus desistir de mim, eu desisto de tudo


Onde encontrar forças para encarar uma longa jornada com um madeiro sobre os ombros? De onde tirar coragem para seguir viagem mesmo após o tombo? Como espremer as entranhas e dizer não aos desejos profundos? Por que abandonar vida, reputação, conforto para seguir um novo rumo?

Pra onde mais irei se somente Ele é quem tem as palavras de vida eterna? Como pagarei minha dívida perpétua de gratidão, senão com meu próprio viver? Como encontrar esperança sem Aquele que fortalece os meus ossos e não me deixa desfalecer?

O mal que vivi foi para que eu aprendesse os Seus estatutos. Nessa estrada que caminho, o bem nunca me negou. Os pensamentos que tem ao meu respeito são de paz, e os projetos que tem para mim são maiores do que posso imaginar.

Que bem tenho eu além do símbolo extremo de soberania que se limitou a viver como eu? Que colo me acolherá depois das fugas? Qual supremo bem-querer colocará à prova minhas lições aprendidas? Quem me corrigiria tão severamente como só Ele faz, para que a dor da eternidade seja descartada?

A minha esperança está em Ti!

És o meu Alvo, minha Esperança, meu Cais, meu Lugar Secreto, tudo o que tenho. És Tu a minha força para não desistir. Por isso, olho para minha alma e digo: Se Deus desistir de mim, eu desisto de tudo.

Pois Tu és a minha Razão para não jogar tudo pro ar.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016



Quando o ano começou, estávamos todos cheios de expectativas. Foi um ano de surpresas, devo confessar, mas sequer me recordo das tais expectativas que coloquei sobre ele. Na verdade eu nem me lembrava direito de tudo o que aconteceu nesse ano, mas percebi que esse cantinho aqui acompanhou minhas guerras, quedas e vitórias.

Esse ano eu me dediquei para que cada post tivesse um porquê, para que eles não existissem simplesmente para cumprir horário. E o que eu vejo aqui é um compilado de textos que formam o livro que conta a minha história em 2016.

Aqui estão guardadas as minhas histórias, como a de quando eu me importei de verdade em comprar meu material escolar (uma vez pra nunca mais xD ), o meu primeiro projeto da aula de marcenariaa vez que uma menina do curso perguntou o que estava escrito na minha camisetaquando eu esqueci que tenho fobia de altura e quando eu fui com os amiguinhos pra um lugar no nosso último dia de aula.

Esse foi um ano de altos e baixos e, justamente por isso, abundantemente vivo!

Esse foi o ano de conhecer novas pessoas, dizer adeus para outras, quebrar preconceitos, mexer com as estruturas, sorrir e chorar, andar e parar tudo para rever conceitos. Abrir mão de coisas aparentemente tão importantes quanto oxigênio, e fazer amizade com aquelas pessoinhas que eu fazia de tudo para evitar.

No início do ano, eu orei a Deus dizendo que 2016 seria o meu Ano do Crescimento Espiritual. E não é que foi mesmo? Ele usou cada detalhe, cada erro e cada experiência para me ensinar a ser mais forte e mais parecida com Ele.

Eu pedi para que Ele preparasse as minhas amizades, e olhando para mim hoje, parece até brincadeira. Quem poderia imaginar que Deus seria tão perfeito em seus propósitos?

Por isso, pra 2017, a minha resolução não girará em torno de mim, mas em torno dEle, pois Ele tem me feito muito bem. Mas isso é assunto pra outro post!





Pra quem ficou curioso sobre qual era esse tal projeto da marcenaria, é esse aí embaixo. Projeto BeyBlade ou Projeto Geometria. E o círculo que eu falo lá no post, É essa peça do meio, de lateral laranja.


É isso galera!
Fiquem com Deus,
e até a próxima! o/

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Identidade, Enlatados e Deus


Quem sou eu? Essa é a pergunta que frequentemente nos assombra, pois quase sempre vem sem resposta alguma, apenas com mais questionamentos. A nossa identidade, enquanto vagueia pelo desconhecido, é como um monstro indomável. Como poderíamos, então, trazê-la à luz para a educarmos a se comportar e a não devorar todas as certezas que vê pela frente?

O que a maioria das pessoas faz (confesso que já estive nesse meio), com toda a tecnologia que temos, é se afundar em enormes tutoriais e aconselhamentos YouTube afora, alma adentro. Procuramos pelos enlatados, cujo único trabalho que temos é usar o abridor de latas.

Fugimos do alimento sólido, e crescemos com músculos frágeis e ossos quebradiços. Não queremos buscar o alimento e ir para o fogão. Preferimos o miojo ao arroz com feijão. Não queremos gastar tempo mastigando e engolindo o alimento que pode nos fortalecer. Preferimos soro nas veias, pois podemos ficar deitados, sem esforço algum.

A geração atual é chamada de geração fast food, e a igreja não fica pra trás. Nós nos tornamos os cristãos fast food, que se recusam a esmiuçar a Palavra de Deus para ingeri-la a fim de se fortalecer, que batem no peito para exaltar os "quilinhos a mais" de puro inchaço, sem crescimento. Nos gabamos de nosso conhecimento vasto, mas não temos forças para levantar do sofá e colocar em prática nesse vasto mundo o vasto conhecimento que adquirimos.

Nós não podemos nos limitar a nos alimentar de vídeos do YouTube, opiniões postadas no Facebook, a Palavra do dia que o pastor envia pelo WhatsApp ou por posts de blogs como esse aqui. Precisamos parar de beber a água mineral das prateleiras do mercado e passar a buscar a água da Fonte.

Não há problema algum em assistir vídeos no YouTube ou ler blogs cristãos (se eu defendesse essa ideia, que bela hipocrisia eu estaria falando aqui, não é mesmo?). O problema é quando trocamos o bom e velho, nutritivo mas nem sempre o preferido arroz com feijão por chocolate na hora do almoço.

Você quer saber quem você é? Então vá ler o Manual do Fabricante! Ou melhor, pergunte ao próprio Fabricante. A Bíblia é um livro que pode ser lido na companhia do Autor, com direito a notas de rodapé em primeira mão. Você não precisa vir até esse blog para saber o que fazer, pois Ele já deixou tudo isso registrado em Sua Palavra. Usar como apoio? Ok! O que não podemos fazer é tomar o que vemos pela internet e nas revistas da vida como via de regra.

Veja bem: A única coisa que não só pode como deve ter uma posição incontestável em nossa vida é a Bíblia, a Palavra de Deus. O que Ele disse está dito! E se nos depararmos com algum "absurdo" entre aquelas linhas, é só nos dedicarmos um pouquinho a procurar além do texto e do contexto, pois a Bíblia possui as resposta das perguntas que ela mesma cria.

Que não seja a minha palavra ou a palavra de algum youtuber usado por Deus a palavra final em sua vida. Que seja a Palavra do Próprio Deus, o Manual do próprio Fabricante, a única coisa incontestável em seu viver!

domingo, 25 de dezembro de 2016

Coisas que aprendi em 2016



E aí, pessoal! Como é que vocês estão?

Hoje eu quero compartilhar com vocês algumas lições que aprendi no decorrer desses doze meses. Para mim é muito bom chegar diante dessas lições aprendidas e concluir que 2016 não foi de tudo lutas e escolhas erradas, mas também muita Graça de Deus sobre a minha vida, para me ensinar algumas lições que durarão - assim espero - a vida toda.

Cada lição tem algumas referências, e alguns posts da época que eu as aprendi. Caso tenham curiosidade, todas as referências estarão no final do post. Sem mais delongas...

Bora lá ver o que eu aprendi?

***

1. Ame mais, julgue menos

O amor é capaz de quebrar qualquer barreira imposta por classe social, cor de pele ou dificuldades cognitivas. Eu aprendi que não cabe a mim julgar as razões de uma pessoa ser como é e agir como age - isso cabe somente a Deus! A mim cabe apenas amar, e levar o amor de Cristo até essa pessoa.

Eu não posso dizer que o meu problema é maior ou mais difícil que o de outra pessoa, pois, como diria Marcela Taís, "todo mundo tem as suas próprias guerras".


2. Se todos os teus dias forem ensolarados, não contemplarás o arco-íris

Eu aprendi que são justo os momentos difíceis que nos fazem valorizar os dias de paz. Hoje eu sei que cada luta, dor ou tribulação é uma nova lição aprendida, que me ajudará a enfrentar problemas bem maiores lá na frente.

Eu aprendi a parar de pedir que Deus me livre das tempestades, e começado a orar para que Ele me ajude a deitar junto com Ele no barquinho e dormir.


3. Onde o Pai está, o medo não pode habitar

Esse ano foi, sem dúvida, o ano de reencontro com os meus medos antigos, enterrados no quintal. Demorei um tempo para entender (mas graças a Deus, não tarde demais) que onde a presença de Deus está, o medo não pode habitar. Eu aprendi que, se por algum motivo eu sentir os braços do medo a me envolver, eu preciso voltar correndo aos braços do Pai.

Hoje eu posso dizer: "E no quarto onde morava o medo, descansa a Tua paz".


4. Deus vale mais do que o meu tesouro fofinho

Tesouro fofinho é a forma que eu me refiro a algo em que deposito grande apreço. Nesse ano eu aprendi que vale a pena entregar o meu tesouro fofinho a Deus, pois Deus é muito mais valioso que qualquer admiração minha. Paulo mesmo considerou tudo o que Ele tinha por ganho, reputou como perda por Cristo.

Além disso, aprendi que peças de cristais não foram feitas para ser manuseadas por crianças.


5. Se alguma coisa te tira a paz, entregue-a ao Deus da paz

Em Filipenses, Paulo diz para nós colocarmos diante de Deus todas as nossas ansiedades, e assim, a paz de Deus guardará o nosso coração e os nossos pensamentos (ou sentimentos, dependendo da tradução). Nos versículos que seguem, Paulo continua dizendo para nós pensarmos em tudo que for bom, honroso e de boa fama, e assim, o Deus da paz estará conosco.

Eu aprendi que não é normal andar inquieta e ansiosa, mas que posso confiar todas as minhas ansiedades a Deus - por mais bobinhas que elas sejam.


6. Jesus tem um jugo suave e um fardo leve

Se o peso que tenho sobre minhas costas é maior do que eu posso carregar, quer dizer que não foi Cristo quem colocou isso sobre os meus ombros. Tantas vezes carregamos o peso de querer ser perfeito, e almejamos e nos esforçamos para abraçar algumas virtudes que ainda não é o tempo de abraçarmos.

Precisamos sempre estar atentos à voz do Espírito Santo, para sabermos por onde ele quer nos guiar. E assim nós fazemos, nenhuma vírgula a mais, nenhum ponto a menos.


7. Isso não é uma catástrofe!

Eu aprendi que nem tudo na vida é culpa minha, e que não é porque alguma coisa muito ruim está acontecendo que essa coisa seja uma catástrofe. Olhando para trás, eu já sobrevivi aos meus dias mais difíceis, aos que eu pensei que não teria mais jeito, e porque de agora em diante seria diferente?

Isso não é uma catástrofe! Isso é a vida! E às vezes a vida parece mesmo o fim do mundo, mas na verdade é só o Boss pra passar pra próxima fase.


8. Não existem heróis ou vilões

Classificar as pessoas como boas e ruins dá muito certo em contos de fada, mas só lá. Na vida real, não existem heróis ou vilões: existem pecadores. Somos todos pecadores, e por mais bondosos que sejamos, estamos fadados, pela nossa natureza, a sermos cruéis, a fazermos escolhas erradas e a ferirmos a nós mesmos e aos outros.

Eu não posso me colocar no pedestal de heroína, imaculada e santa, enquanto jogo o resto da humanidade pro inferno. Somos todos pecadores, somos todos maus, todos nós merecemos a condenação. E é apenas pela Graça que nós nos tornamos pessoas melhores (mas ainda cheinhas de erros)

***

É isso galera! Essas foram as minhas lições aprendidas em 2016!
Caso queiram ver as referências de cada lição, continuem lendo.
Caso contrário...
Fiquem com Deus,
e até a próxima! o/

***

Referências

Ame mais, julgue menos

Ame mais, julgue menos é uma música da Marcela Taís, e um dos versos da música é "Todo mundo tem, todo mundo tem as suas próprias guerras". Você pode ouvir clicando aqui
• Aqui no blog tem um texto que escrevi pensando sobre como nós julgamos as pessoas pelo seu passado, sem considerar um processo de regeneração na vida delas: Eu acredito na regeneração


Se todos os teus dias forem ensolarados, não contemplarás o arco-íris

Essa é uma frase de um texto que foi postado aqui no blog: Após a chuva
• Leia Romanos 5.3-5


Onde o Pai está, o medo não pode habitar

• Esse é um verso da música Pequeninos de Nel Braga
E no quarto onde morava o medo, descansa a Tua paz é um trecho da música Marcas do Livres para Adorar
• Leia esse artigo de Leslie Ludy, traduzido por Francine Veríssimo: Série “Os 10 maiores desperdiçadores de tempo” – #2 Medo (parte prática)


Deus vale mais do que o meu tesouro fofinho

• Leia Filipenses 3.7-8 
• Aqui no blog temos um texto sobre entregar a Deus: Entregar, ok. Descansar, talvez
• Você pode ler dois contos que escrevi sobre entregar: Minha dor e Entrega


Se alguma coisa te tira a paz, entregue-a ao Deus da paz

• Leia Filipenses 4.6-9
• Leia 1 Pedro 5.7


Jesus tem um jugo suave e um fardo leve

• Leia Mateus 11.28-30


Isso não é uma catástrofe!

Vem ler o meu testemunho: A história de quando eu decidi me perdoar


Não existem heróis ou vilões

• Leia Romanos 3.23 e um texto sobre esse versículo: Todos pecaram

sábado, 17 de dezembro de 2016

Colo de mãe


Quando eu escolher deixar Teu regaço, ao ser atraída pelos prazeres que esse mundo tem a oferecer. Quando eu me perder no super mercado da vida, onde existem milhões de opções, mas não tenho a capacidade de escolher sozinha. Quando eu não tiver um lugar para reclinar minha cabeça em paz.

Quando meu corpo estiver envolto nos braços do medo, da ansiedade ou da preocupação. Quando todos os rostos forem desconhecidos. Quando eu não tiver quem me sustente. Quando eu não tiver um lugar para me afogar segura em minhas lágrimas de aflição.

Quando eu constantemente cair por falta de apoio sob meus pés. Quando eu não tiver a quem contar as dores, e quando ninguém for capaz de curar minhas feridas. Quando a parte vazia em mim for mais espaçosa que a parte cheia. Quando meu mundo acabar...

Tudo que eu preciso, tudo o que eu busco freneticamente são Teus braços, como uma criança que busca desesperada o colo de mãe. Tudo o que eu preciso é me lançar do colo do desconhecido, confiando que, como uma mãe, não me deixarás cair, e nem me machucar.


"Pode uma mulher-esquecer-se de seu filho de peito,
de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre?
Mas ainda que esta se esquecesse,
eu, todavia,
não me esquecerei de ti."
- Isaías 49.15

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Âncora



As crianças nascem sem os dentes. Crescem, nascem os de leite. Depois estes caem, dando lugar aos permanentes. Lá pro final da vida - pelo menos reza a lenda -, a arcada dentária começa a enfraquecer e, dependendo de cada caso, os dentes, um a um, vão caindo, deixando a boca do indivíduo como no primeiro instante de vida.

Nós nascemos sem cabelo. Com pouco tempo de vida ele começa a nascer e crescer. Durante a vida, temos diversas opções: Corte? Chapinha? Baby Liss? Tintura? Progressiva? Doação? Peruca?

Nosso corpo muda de uma forma que não podemos medir. E o que dizer então do que tem dentro de nós? Hoje nos apegamos apaixonadamente, amanhã colocamos no "não gosto nem desgosto". Hoje rock, amanhã clássica. Ontem confiança plena, hoje dúvida voraz. A cada tribulação que passamos, mais pacientes, experientes e esperançosos ficamos [Leia Romanos 5.3-5].

Imagine Deus. Desde antes de o mundo ser mundo, Ele era o mesmo Deus que é hoje e que será na consumação dos séculos. Ele não tem se tornado mais sábio com o tempo, pois toda a sabedoria vem dEle! Ele não se tornou mais liberal ou mais conservador, pois toda a Lei e o cumprimento das profecias messiânicas está nEle!

Ouso dizer que Deus é a pessoa que mais facilmente podemos lidar. Ele não é daqueles que marca um compromisso e depois esquece, e nem daqueles que está radiante pela manhã e mergulhado em extrema depressão ao anoitecer. Ele é o que Ele é, ontem, hoje e eternamente. Se ele disse uma coisa, então podemos firmar os nossos pés e as nossas convicções no que Ele disse (desde que tenhamos certeza absoluta de que foi Ele mesmo quem disse, não o nosso coração, ou o coração do profeta, ou alguma ação demoníaca).

Nem em nós mesmos podemos confiar. O nosso coração nos engana! Nós não temos dimensão do que nossa mente é capaz de projetar ou nosso coração é capaz de produzir. As situações da vida afetam o nosso humor e os nossos planos, mas Deus é inatingível por qualquer porém que a vida ou a eternidade queiram lançar.

Só em Deus é que podemos ficar firmes como prego na areia. Ele é a areia que não se dissipa sob o mar, onde podemos ancorar nossos barcos. Não existe certeza nesse mundo além do próprio Deus. Não existe poesia eterna que não depende de interpretação, discurso duro que não necessita de especulação, ou quebra-cabeça sem peça faltando que não seja no próprio Deus.

É nele onde podemos ancorar nossas certezas e incertezas. É a Ele que podemos contar nossos segredos. É Ele quem não deixa nosso barco se perder do farol durante a noite tempestuosa. É Ele!

É Ele. Aquele que criou Adão e colocou seu sopro de vida dentro dele. Aquele que deu a Lei a Moisés. Aquele que se manifestava através dos profetas, sacerdotes e reis. Aquele que deixou toda a sua glória de Deus, mas não deixou de ser Santo e Imutável. Aquele que sofreu o que sofremos, durante trinta e três anos. Aquele que morreu uma morte que (provavelmente) nenhum de nós terá de passar.

É Ele quem ouve as nossas orações. É Ele quem voltará para buscar a Igreja. É Ele quem colocará um fim na terra que conhecemos, e fará tudo novo. Os nossos corpos serão novos, o calço onde pisaremos, desconhecido, mas Ele... Ele é o mesmo!

Quando grandes amigos perdem o contato por muito tempo, não é de admirar que um perceba no outro mudanças no modo de pensar, agir e se vestir. São outros filmes, outros livros, outros gostos. Outros sonhos, outras guerras, outros dramas. Mas Deus, independentemente de quanto tempo demoremos para voltar para casa, estará igualzinho, e totalmente reconhecível!

Nesse jogo todo, quem vive mudando de traje somos nós, e Deus é como um daqueles personagens de vídeo game antigo, que mantém as mesmas escalas de cores e especiais de poder (por mais que nem todos os seres humanos do mundo juntos possam listar todas as suas formas de manifestar-se ao homem).

Ele é o mesmo. Ele está no mesmo lugar. Quem pega a herança e foge somos nós. Nos momentos de tempestade ou de descanso, sempre podemos pegar nossos conflitos pesados e lançar ao mar, certos de que a Areia firmará nossa âncora, e não deixará o barquinho de nossas vidas perder o rumo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Após a chuva



A jovem moça estava à janela, falando sobre as injúrias da vida, sobre a dor que tarda a passar. Observava a paisagem tempestuosa e se identificava com cada folha frágil que se desprendia de seus ramos e era empurrada, sem rumo, a um destino desconhecido. Ao lado estava sua avó, que admirava a mesma paisagem como se fosse obra de arte.

- Vai dar tudo certo! - a senhora de cabelos grisalhos tentava consolar a neta.

- Para você é muito fácil dizer, nessa cadeira de balanço, sem grandes responsabilidades além de regar as plantas. É diferente de ter que lidar com um monte de pessoas que eu não aguento, e com aquele nome que eu detesto. Todos os dias!

- Logo mais tudo isso passa.

- Mas você diz isso sempre!

- Toda dor é por enquanto.

- A minha situação já deixou de ser dolorosa há muito tempo. Agora é simplesmente insuportável!

- Já tive minhas dores dessa vida. Se pensas que já não mais tenho se engana. Ou achas que depois de várias décadas a dor se cansa de bater à porta, ou então esquece o caminho?

- Então você sabe muito bem o que eu estou passando. Você sabe o quão horrível a vida pode ser!

- Preste atenção, menina. A vida é como mãe que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais, pois sabe que faz bem.

- O que isso quer dizer?

- Espere...

E como se esperasse a deixa, a tempestade se escondeu. Depois veio o sol. O resultado foi o que se aprende na escola, que a ciência comprova, mas que se duvida quando os olhos não veem. Um belo arco-íris se formou diante das expectadoras detrás da janela.

- Viu? - a voz rouca retomou a conversa.

- É maravilhoso!

- Se a chuva não vier, não saberás como é bom voltar para casa com os pés secos, não darás valor aos dias que podes andar pelas ruas sem dificuldades, não acharás ruim quando o ar estiver seco. Sem as trovoadas, o canto dos pássaros não será tão belo. Se todos os teus dias forem ensolarados, não poderás contemplar o arco-íris.

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Notas finais

Eu quero agradecer à Yasmin pela ideia do título. Sua mente é muito demais ♥ TuT

As partes em itálico são trechos de músicas. Caso tenham interesse, é só copiar a parte em itálico e jogar no Google. 

Esse texto foi escrito pensando na Fran lá do Graça em Flor, com uma de suas 24 lições aprendidas em 24 anos.

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É isso pessoal!

Fiquem com Deus
e até a próxima! o/

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Sobre o meu futuro



Antes de começarmos, quero que saibam: ISSO AQUI NÃO É UM DESABAFO! Okay? Okay!

E, para começar, deixa eu contextualizar um pouquinho vocês sobre minha atual situação. Nesse exato momento eu estou de férias da escola, indo rumo ao terceirão (uhuu \o/). Minhas aulas no curso de marcenaria vão até o final do mês, e ano que vem eu vou fazer administração na mesma unidade (e essa unidade só oferece esses dois cursos). 2017 é o meu ano de despedida tanto da escola quanto da minha unidade atual de curso.

Talvez a melhor pergunta para se responder num momento como esses é: Qual faculdade pretendo fazer? Mas, em minha mente à prova de indecisões (só que não), tenho essa resposta desde o meio do ano: NENHUMA! (E nem tentem me convencer do contrário, por favor).

Pouco a pouco, todas as minhas metas e grandes objetivos pós-ensino médio foram sumindo. Durante esse ano, eu sinceramente cansei de escolher pelo menos pior, mesmo que o melhor levasse um tempinho para chegar. Por isso, como não sou besta nem nada, fui expôr a minha situação a Deus.

O mais interessante é que, tempos antes, Ele já havia me dito que me ensinaria e que me guiaria nessa vida. Cheguei com minha agenda de 2018 completamente vazia (figuradamente, claro) e a pergunta que geralmente falta em meus lábios: E agora, Deus? Para onde vou?

Bem, Ele não disse.

Um ou dois dias depois, me deparei com uma ideia bombástica! Eu realmente estava muito animada, correndo com os preparativos, vários rabiscos no papel e até uma carta escrita para Deus para que Ele abençoasse o projeto. Nesse dia, dormi pensando no tal projeto.

No dia seguinte, resolvi orar sobre isso. Deus me disse que há um tempo para todo propósito e para todo intento. E então, eu que vivo sempre buscando brechas para encaixar minha vontade na vontade de Deus, pensei: Pois bem, o Senhor disse que há um tempo para tudo, e não necessariamente que este não é o tempo. E, como Gideão, me vi colocando o velo e pedindo para que Deus molhasse em volta e deixasse a lã seca (não exatamente isso, mas na mesma intenção). O resultado foi que nem choveu!

A única solução? Esperar.

Falando assim, até parece que eu estou aqui para contar um testemunho glorioso sobre como consegui esperar o tempo de Deus, e agora estou a contar as bençãos da obediência, depois eu agradeço a oportunidade, as palmas louvam ao Senhor e em seguida o pastor faz o apelo e três mil almas se rendem aos pés de Jesus. Para falar a verdade, tudo o que estou contando para vocês hoje aconteceu entre as duas últimas semanas, e não, o tempo de Deus ainda não chegou. Portanto, a solução continua sendo esperar.

Mais do que esperar, fui convocada a entregar o meu futuro nas mãos do Bondoso Deus. Mais do que entregar, fui convidada a deitar-me em Seu colo e tirar um longo cochilo a respeito desse meu tão sonhado projeto.

Um pensamento que sempre me atordoa não deixou de marcar presença. Enquanto você está aí esperando Deus para fazer alguma coisa, você já poderia estar fazendo e os resultados já estariam vindo. Para minha sorte, não fui acometida com uma grave amnesia dessa vez. Eu me lembrei da última vez que pensei isso, e de como meti os pés pelas mãos bagunçando e criando buracos e monturos no caminho reto que Deus tinha preparado para eu trilhar.

Logo em seguida, tive uma pequena lâmpada acendendo sobre minha cabeça ou, como gosto de chamá-la, uma bela de uma epifania. Se é Deus quem está dizendo para eu esperar e descansar nEle, e se Ele além de estar aqui também está lá no futuro, e se Ele só quer o meu bem, não é o fato de eu esperar o tempo certo e descansar em Seu colo que vai fazer com que alguma coisa ruim aconteça. Não é porque vou esperar nEle que nada de ruim vai acontecer, mas vai evitar muitos perigos que eu poderia correr caso eu decidisse andar com minhas próprias pernas.

Por esses tempos eu estava lendo o livro A Cruz e o Punhal, que conta a história real de um projeto que nasceu do coração de Deus para a vida do pregador David Wilkerson. Olhando, nem parece que realmente aconteceu. Parece história de ficção, não um testemunho! Isso porque foi Deus quem foi guiando-o, passo a passo, rumo ao futuro (que agora é presente) de paz e resultados.

Quando olhamos para a Bíblia, para a história de José, por exemplo, parece um conto infantil. É mais fácil focarmos em José recebendo uma túnica colorida ou sendo exaltado como segundo no Egito. Quando a gente lembra das coisas ruins, sempre sabemos o final da história, por isso parece valer a pena. Mas o que faríamos se fôssemos nós o encarregado da casa de Potifar, e sua mulher viesse com "garras e dentes" pra cima de nós? E depois de ser acusado injustamente de ter forçado a tal mulher? Como enfrentar as grades? Como descer de um alto cargo de confiança para um buraco cheio de criminosos?

O que dizer de Jesus, então? Ele sentiu uma angústia tão grande a ponto de dilatar suas veias até estourar e então ele suar sangue. Tudo isso para que hoje eu pudesse estar sentada confortavelmente numa cadeira giratória, diante da tela de um computador digitando sobre Ele. 

Hoje sabemos o final de tudo e poderíamos até dizer a Jesus: "Vai valer a pena, Mestre", nesse momento de desespero. Na nossa vida não é diferente. Vivemos lutas e tribulações, mas nos esquecemos que, se nossa história é escrita por Deus, as consequências de suportar a dor calado superam a dor de receber as chicotadas nas costas.

E ta aí uma coisa que eu não quero esquecer.

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Perdoem-me se ficou um pouco confuso, mas no fim das contas minha cabecinha é isso (e talvez a sua também seja). Só quis compartilhar um pouco da minha louca experiência de confiar loucamente nos planos desse meu Deus Grandão!

Fiquem com Deus
e até a próxima! 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Miserável que sou


Caminhando sobre pétalas de rosas que faziam do chão um tapete vermelho, cada passo tilintava ao som dos guizos presos aos tornozelos. Uma fina camada de açúcar por pele, e uma dança de encantar os olhos.

Passado o tempo e trilhado o caminho, chegou-se a chuva que não se pode evitar. A principio eram minúsculas gotículas, perfeitamente esquiváveis, depois gotas maiores que caíam bruscamente, e só então uma sinfonia de água abundante se precipitando de nuvens alvas que criava um manto onde não se podia ver através da água.

Como ditam as leis, todo açúcar que lhe concedia graciosidade diluiu-se à água e correu apressada aos bueiros. Sem a parte doce, ficou exposta toda a sua essência - e não era de caramelo. No exato momento da chocante revelação, a água cessou, não levando o pó sob o açúcar também ao ralo.

Se negou a olhar nos olhos da vida e dizer a verdade sobre si. Nada era, além de um punhado de barro preenchido com um sopro divino. Se este sopro lhe fosse arrebatado, que restaria? Uma luminária sem fiação, uma caixa de sapatos vazia.

O que seria além de um emaranhado de alegria, tristeza, pesar? Histórias, vitórias, joelhos ralados? Se não houvesse a quem atribuir glória e adoração, nada mais seria que um ego inchado.

Que proveito há num punhado de pó? Quem colocaria tal numa xícara de café? Que doçura, agrado, afeto, poesia há nas escórias de uma máscara caída? Quem quereria esse punhado de pó, senão quem ordenou que a chuva viesse e quem já sabia o que restaria após o temporal?

Ele se achegou com a ternura de um velho amigo de infância. Não se importou em sujar as mãos para reconstruir a alma esfarelada após o confronto com a realidade. Não era possível compreender. Aquele não era o Criador da eternidade? Aquele não era o que se manifestava no Santo dos Santos? Como poderia, com todo poder e santidade, tocar em uma portadora da terrível raiz pecaminosa?

Como um Deus bom poderia se aproximar de uma alma que tem prazer em fazer o mal? Como pôde um ser divino despir-se de glória para derramar sangue por imponentes mortais? Como é possível que gaste horas, sendo Dono do tempo, para ouvir canções melancólicas entoadas de madrugada clamando por socorro?

Como pode?

Isso é algo que eu jamais serei capaz de saber. Nem mesmo na ascensão sobre o tapete vermelho, nem no auge da caminhada quando todo o açúcar de minha pele foi por água abaixo. Ao me deparar com uma porção de barro diante do espelho, nunca consegui compreender o que Ele viu em mim para achar que eu merecia um sopro divino para que minha existência não se resumisse a mero pó. Na verdade, talvez até melhor do que eu, Ele saiba que eu não mereço. Até mesmo o ar que corre pelos meus pulmões e as informações que correm loucas pelo meu cérebro são pela graça.

Diante de tudo disso, só posso concluir isto: Gracioso como é, sem quê nem porquê, decidiu amar a alma perdida e miserável que sou.

E quão miserável eu sou!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Vento


Donde vêm os ventos que agitam os mares e que espalham as folhas caídas? Quem conhece o seu berço ou a sua sepultura? Seja brisa ou vendaval, quem o pode evitar? Até mesmo as árvores se rendem ao seu convite solene de a Deus adorar!

Onde se cessa o correr ou o andar? Quem já seguiu o curso do vento para ver até onde dá? É livre, e ai de quem tentar mudar essa condição. Se é levado cativo, desfalece, mas o vento ainda se espalha aqui e acolá, e não há quem saiba o que acontece.

Das fontes preciosas procede a riqueza intocável. Dos baús de madeira encrustados com fechaduras de ouro é que saltam os ventos à terra. Tesouro particular do próprio Deus, que é enviado aos próprios mortais.

Uma pessoa da própria Trindade que ninguém sabe de onde vem nem pra onde vai. Que guia quem se deixa ser guiados, que ouve as orações lançadas ao vento, e as transcrevem de forma que o Eterno entenda. Faz isso até mesmo com as lágrimas, mesmo que o vento não possa ali chegar. É que, por mais que se pareça com o vento, não depende dele para ser quem é.

E é isso quem ele é: Espírito Santo, o presente tirado dos tesouros de Deus Pai.

"Tira os ventos dos seus tesouros"
(Salmo 135.7b)

domingo, 11 de dezembro de 2016

Deixando as coisas que para trás ficam


Ela suspirou, esperando sentir em seus pulmões o ar fresco que apenas seus olhos podiam contemplar. Estendeu a mão na esperança de pegar uma flor ou um punhado de terra para colocar em um potinho e carregar consigo para sempre, mas a única coisa que pôde tocar foi o vidro do carro que a levava para longe dali.

Às vezes pensava em voltar, mas foi ela mesma quem escolheu estar ali, e por mais que estivesse certa de que aquela era a melhor coisa a se fazer, a vozinha do medo sempre estava lá, sussurrando e despertando as memórias mais ferozes que sempre arrancavam a casquinha de suas feridas que estavas prestes a desaparecer.

Ela olhou através do vidro as coisas que escolheu deixar para trás. Seu coração apertou contra o peito e um gemido escapuliu de sua boca. Tantas coisas importantes, tanto trabalho duro, tantas certezas e incertezas, que após algum tempo na estrada não fariam mais diferença alguma. Uma vida inteira, ela diria, que a partir dali seria apenas passado.

Ela sempre ouviu dizer que na vida existem escolhas difíceis para se fazer, mas nunca imaginou que sentiria tanto. Sua cabeça, assim como seu coração, estava dividida: uma parte queria colocar o cinto de segurança e seguir viagem, a outra queria sair correndo dali e ver se suas coisas ainda estavam no lugar. Relutante, escolheu colocar o cinto.

- Vamos? - disse uma voz que veio do motorista.

Ela assentiu com a cabeça. Ele mexeu em algumas alavancas e botões que ela não entendia muito bem o que significavam, e em menos de um minuto o carro saiu do lugar. Ela olhava pelo retrovisor sua casinha velha caindo aos pedaços, cheia de coisas que conseguiu com uma vida inteira de trabalho duro.

Lembrou-se do seu quarto, com sua cama confortável e quadro dos sonhos, da cozinha com suas comidas preferidas, da caixinha de lembranças cheia de sentimentos e de traumas intocáveis. Tudo para trás.

Ela não fazia ideia de para onde estava indo, mas isso não tinha importência se o próprio Cristo era o motorista.

"Esquecendo-me das coisas que atrás ficam
e avançando para as que estão diante de mim,
prossigo para o alvo,
pelo prêmio da soberana vocação de Deus
em Cristo Jesus."
- Filipenses 3.13b-14

sábado, 10 de dezembro de 2016

Eu acredito na regeneração


Eu acredito na regeneração. Eu sei que nem todo mundo sabe lidar com essa realidade, e que às vezes nem eu mesma sei, mas ela está aqui. Está em toda parte! Eu sou um exemplo de regeneração, e muito provavelmente você também seja.

Quem era você há um ano? Quantas coisas ruins você fazia sem notar, e hoje luta arduamente contra elas? Se as pessoas decidissem se relacionar ou não com você tendo em vista seus anos mais rebeldes, quantos amigos você teria?

Quando permitimo-nos viver a constante metamorfose típica da humanidade, estamos de mãos dadas à regeneração. Quem é você hoje? O seu eu do passado olharia para você e diria: "Uau! Olha só como melhorei!"? Então você é um exemplo de regeneração.

A regeneração é real em nós, mas à vezes fazemos como diz uma letra de Lito Atalaia: "Que a Lei seja sobre eles e a Graça sobre mim!". Queremos o perdão de Deus e dos homens, afinal, nós mudamos, e não há erro em almejar perdão. O problema é quando usamos pesos diferentes para todos aqueles que não são nós mesmos.

Olhamos para o passado das pessoas e determinamos o presente delas. Se ela mentia antes, quem garante que ela é honesta hoje? Se ela errou ontem, com que moral ela vem pedir perdão hoje?

Eu acredito na regeneração! Senão, seria um tiro em meu próprio pé. Só Deus e eu para saber o quanto que caí, e para saber a garra com que me levantei. Só Deus e cada um dos seres humanos da terra para saber dos piores deslizes e das mais gloriosas ascensões.

O problema é que o erro é público, mas o arrependimento acontece no quartinho trancado, mergulhado em lágrimas, reconhecendo a natureza pecadora diante do Deus imaculado. Ninguém vai ver quando você se sentir um monstro à noite, mas todos verão suas garras sujas de sangue pela manhã. Só Deus para tratar no interior de nossas feras. Ele nos doma muito bem, mas continuamos sendo os seres peludos, pecadores. Para todos, é só uma questão de tempo até que caiamos novamente e usemos nossas garras para destroçar alguém. Por isso é tão difícil acreditar na regeneração.

Mas eu preciso dela, por isso vivo e, mesmo não sendo comum, eu acredito. E você?


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Miopia



- Eu vou ficar nessa cidade, não vou voltar pro sertão!

- Eu não me vejo na cidade...

- Você prefere o sertão? Calmo, pacato, entediante?

- Não. Também não me vejo lá.

- Oras, onde você se vê então?

- Em lugar nenhum.

- Isso é impossível. Deve haver algum lugar.

- Não dá. Não consigo. Sou míope.

- Ah, sim. Dá pra saber que você é míope pelos óculos. Mas isso é só forma de expressão.

- Mas não é só do olho. Da alma também.

- Alma não tem visão!

- Claro que tem. A gente é que não usa.

- Se é assim, o que sua alma vê?

- No momento, não muita coisa. Só uns borrões, uma figura aqui, outra ali. É difícil distinguir às vezes, porque nem tudo é o que parece. Além disso, é bem complicado, porque minha alma não vê pessoas, árvores ou um céu azul num dia ensolarado.

- E o que ela vê?

- Ela vê ideias, histórias, sentimentos. Ela vê o que não dá pra pintar com giz de cera. Ela vê laços de amizade e amores, sorrisos escondidos, tristezas ocultas e profundos temores. Mas ultimamente uma coisa tem se misturado na outra, se fundindo como numa aquarela nas mãos de que não sabe usar.

- Antes você via melhor?

- Eu não diria melhor. É que antes eu estranhava. É que quando nascemos tudo é estranho e desconhecido, e procuramos algo familiar em toda parte, e quando não encontramos, nos acostumamos a essa realidade sem sentido. Eu acho que já me acostumei.

- Por isso você não se vê em lugar nenhum?

- Sim.

- Não tem nenhum lugar? Nenhunzinho?

- Tem um lugar... Ele é muito especial.

- Ah, é? Por quê?

- É que alguém especial mora lá. Tenho saudades de seus abraços.

- Hmmm... Sabia que tinha alguma coisa nisso aí. E posso saber onde essa pessoa mora?

- No Céu!

- Uau! Mas que lugar excêntrico!

- Sim. Ele também é um pouquinho.

- Então quer dizer que você só se vê no Céu?

- Uhum.

- E por que só lá e não aqui?

- É que foi lá que eu deixei meus óculos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Aprendendo a esperar em Deus com Adão


E tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.
E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele.
Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar.
E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão.
E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.
(Gênesis 2.15,18,21-23)

Cada vez mais ouvimos falar de pessoas que escolheram esperar. Seja para evitar novos traumas ou seja para viver o melhor de Deus, escolheram. O que todo mundo sabe é que esperar em Deus é bom, porque Ele é Bom. O que pouca gente sabe é como esperar do jeito certo.

Vamos ter uma aulinha de relacionamentos com Adão!

O texto que lemos lá em cima diz que Deus tinha colocado Adão para trabalhar. Sua missão era cuidar do jardim do Éden e nomear todos os seres vivos. Antes de escolhermos esperar, precisamos ter a definição de papéis muito clara em nossa cabeça. O nosso papel é trabalhar naquilo que o Senhor nos colocar, nos dedicar, e seguir cada ordem que Ele nos der.

Prosseguindo com a história...

Deus, observando o trabalhar de Adão, pensou: "Não é bom que o homem esteja só". Vamos observar de novo pra ficar na mente. Quem é que achou que não era bom o homem estar só? Isso mesmo! Deus! Amiguinhos e amiguinhas, de que adianta a gente aparecer com reloginho no pulso, batendo pézinho igual o Sonic e dizer pra Deus que já tá na hora da varolinda ou do boyunção aparecer? Ele é quem tem que achar as coisas na nossa vida, não nós (Lembra do "Já estou crucificado com Cristo, agora vivo não mais eu mas Cristo vive em mim" lá de Gálatas 2.20?). Vale lembrar também que o "achar" de Deus é ter plena certeza, por Ele é um Deus que sabe de tudo, inclusive o que é melhor pra nós.

Depois disso, Deus fez com que Adão caísse num sono muito pesado. Sacou a chave disso aqui? Adão precisava estar dormindo para não ficar dizendo que estava doendo ou para tentar ver que raios Deus queria com sua costela. É preciso descansar. Dormir, nem dar bola pra qual seja o plano mirabolante de Deus para cruzar o seu caminho com o caminho da tampa da sua panela. Dorme, sacou? E não é em qualquer beco, não! É pra dormir no colo do Pai, viu? Dorme sonhando com a Eternidade.

E então, a parte esperada: e trouxe-a a Adão. Todo mundo cantando: "Quanto tempo eu esperei, chegou a minha veeeeeez!". E quer ver a melhor parte? Adão disse que Eva era carne de sua carne e osso de seus ossos. Eva era a mulher que Adão podia chamar de sua e Adão era o homem que Eva podia chamar de seu.

Eu sei que você deve estar pensando: "Agora sim chegou a parte que interessa", mas não é assim! A nossa vida não é uma preparação para casar (a não ser que se considere o casamento com Cristo), e a vida não acaba depois do altar. O processo é muito importante. Precisamos nos lembrar dos papéis.

Vamos fazer um resumão pra ficar mais fácil de lembrar:

► Dizer o que precisa ser feito ► Papel de Deus
► Se dedicar para fazer o que Deus mandou ► Nosso papel
► Decidir a hora do nosso vaso cheio da unção chegar ► Papel de Deus
► Descansar e confiar inteiramente em Deus ► Nosso papel
► Unir nossos caminhos com o caminho do vaso cheio da unção ► Papel de Deus
► Se comprometer a firmar um compromisso com o vaso cheio da unção ► Nosso papel

É isso, galera. Deus não é um velhote super conservador que quer ver todo mundo solteiro pro resto da vida, não. Na verdade é Ele quem escreve as mais belas histórias de amor. Nós só precisamos nos colocar em nosso lugar, e não querer tomar o lugar de Deus nessa parada toda.

Lembrem-se dos papéis! Os papéis são importantes!

Fiquem com Deus, galerinha
e até a próxima! o/

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Liberdade é pouco!



Se dizem sim se dizem livres
mas não podem dizer não

A Geração Y é marcada pela internet. Com ela podemos nos esconder em nossos cubículos em frente às nossas telinhas e dizer o que dá na nossa telha. E tem as redes sociais. Ah, essas redes... Dentre todas elas, a que mais me simpatizo é o nosso querido Facebook. Rede esta em que todos têm o poder de produzir conteúdo, ser quem quiser, praticar cyberbullying ou marcar manifestações na Avenida Paulista, criar uma identidade falsa ou inflar o ego como faziam com as aves do filme A fuga das galinhas.

Estamos brincando de João e Maria sem saber. A mansão de doces é clara aos nossos olhos, e tão convidativa quanto uma água fresca no meio do deserto. Ninguém precisaria nos aprisionar, pois, como diz o poema...

Falam os poetas
a torneira seca
(mas pior: a falta
de sede)
a luz apagada
(mas pior: o gosto
pelo escuro)
a porta trancada
(mas pior: a chave
por dentro)

Nos acostumamos às correntes e ainda chamamos isso de liberdade! Nos deram um carro sem freio e nos colocaram numa ladeira calçada por nossas vontades. Tudo o que temos é um acelerador incansável, que não respeita os limites de velocidade. Nos ensinaram a correr atrás daquilo que queremos, mas nunca nos disseram que nós precisamos é de sobriedade, de reflexão. Fomos treinados para agir por impulso, falar por impulso e pensar por impulso. Nunca nos disseram que chega um momento na vida em que nós estamos totalmente errados e devemos todos os pedidos de desculpas do mundo a nós mesmos.

Somos fortes, eles disseram. Mas choramos como crianças longe das vistas de nossos amigos. Podemos tudo, eles disseram. Mas nos sentimos incapazes de contradizer o caminho mais prático para correr atrás de nossos sonhos. Somos livres, eles disseram. Mas estamos presos a este frasco cheio de vômito com rótulo de liberdade.

Tudo é permitido, exceto submissão. "Seja livre!", eles disseram. Mas o que é ser livre, afinal? Nos ensinaram que ser livre é fazer o proibido e não ser castigado. Mal sabem que a mais genuína liberdade é ter todas as guloseimas do mundo para o café da manhã e escolher o pão com manteiga e café com leite, porque sabemos que doce pela manhã faz mal.

Essa nossa boa internet que disponibiliza cursos online e uma fonte de pesquisa imensurável também é a que nos mostrou como é bom ir contra tudo e todos. Ninguém mais parte do nada para fazer alguma coisa. Todos nós estamos nos digladiando, procurando erros nos outros e montando nossa artilharia para estraçalhar suas fortalezas.

Perdemos nossas identidade no meio do caminho. Não só a identidade como a capacidade de reconhecer erros, defeitos, fraquezas. Todos somos fracos fingindo ser fortes. Quando olhamos para os queixos erguidos. pensamos: "Eu não posso ficar de fora". Mas, permita-me dizer, todos nós estamos no mesmo barco. Cada um de nós tenta esconder a rachadura que ele carrega, sem levar em conta que o barco está afundando e ninguém está fazendo nada.

Pare com essa mania de querer ser forte só porque todos são fortes. Deixa eu te contar um segredo: Todos nós somos tão fracos e frágeis como folhas de outono! Todos nós usamos máscaras com medo de expôr fraquezas e sermos excluídos por não sermos como ninguém! Tentamos esconder nossas feridas, mas nos esquecemos que esse mundo aqui é uma guerra só, 

Ser livre? Na concepção comum talvez seja fazer o que dá vontade. Mas só isso não basta. É preciso combater arduamente tudo o que todos acreditam a fim de defender nossas teses. Somos insaciáveis. Liberdade é muito pouco. Queremos muito mais!

Um dia esse apetite desenfreado ainda vai nos matar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Se a presença de Deus fosse um lugar, eu fugia pra lá



Eu estava no lugar em que em costumava sentir paz. A luz do sol refletindo nas folhas das árvores e o vento chamando-as para bailar: O típico cenário que me faz pensar no poder, criatividade e harmonia de Deus, junto com o mais profundo deleite de ali estar, e desejar que cada minuto se torne horas. Ali estava eu, no meio das árvores, do vento e da luz do sol. A costumeira admiração estava lá, mas e a paz?

Os problemas do dia anterior não se esvaíram durante a noite. Eles estiveram lá por toda a manhã e, por mais que eu tentasse colocar essas vozes no modo mudo, eles gritavam de forma tão sedutora que fui sendo, situação a situação, persuadida a tirar os fones e dar ouvidos às vozes das preocupações com cauda de sereia, me afogando sem querer no mar do desespero.

Meu recanto de paz de cada dia estava lá, e eu estava nele. A paz também estava lá, mas não estava em mim. Se o lugar que mais me oferece prazer não conseguiu me acalmar, nenhum outro conseguiria. Não adiantaria espernear nem respirar fundo e contar até dez. Não adiantaria fingir que os problemas não estavam lá, disputando arduamente contra minha paz. Eles estavam! E estavam fazendo um ótimo trabalho, a propósito.

A natureza refletindo a glória e majestade de Deus deliciou meus olhos, mas não pôde me acalmar. Talvez somente um abraço do próprio Cristo poderia oferecer calmaria à minha tempestade, mas este está reservado à eternidade.

O que fazer?

Diante de tremendo caos sussurrando aos gritos impetuosos da minha alma me dizendo para descansar nos braços do Pai, concluí que somente Sua presença poderia me privar de tamanho incômodo. Então, um pensamento baixinho me deu esperança: Se a presença de Deus fosse um lugar, eu fugia pra lá.

Satisfeita lembro que Ele breve vem, e é só uma questão de tempo até que eu possa me aconchegar em Seus braços, lembrar das dores e dizer: Valeu a pena!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Maturidade



Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça! Se tranca no quarto, despeja suas dores, enxuga as lágrimas e vai ao baile pela manhã. Não vai à fantasia, nem usa máscaras, mas se recusa a por os pés fora do quarto como veio ao mundo.

Dá passos atenciosos mas, como qualquer outro, está sujeita às quedas. Quando acaba indo ao chão, não chora nem faz birra. Se apressa em levantar, e caso não consiga, não hesita em pedir ajuda a uma mão amiga.

Taca as verdades na cara, mesmo que o resultado seja um belo de um tapa. E aceita a consequência das ações e palavras sorrindo, e quando não aguenta, vai chorando mesmo, mas não dá pra trás.

Sabe bem o momento de chorar, contar, afogar-se em lágrimas. Mas também sabe que, na maior parte do tempo e com a maior parte da gente, é preciso sorrir, aconselhar, colocar a dor no bolso e estender a mão para quem está à beira do caminho.

Ela é a coisa mais linda que pode se ver. Provoca arrepios quando ninguém consegue decifrar. Quem pensa que sempre foi assim, se engana. Há muito tempo atrás era só uma criança: incontrolável, oito ou oitenta. Depois engatinhou à aterrorizante adolescência: inconstante, egocêntrica. E só depois de muito cair e se levantar, tentar e errar, repetir e acertar, aprendeu que nem sempre tudo dá certo, mas que lutar com garras e dentes é necessário.

Hoje só sabe tudo o que sabe, porque ontem sofreu pelo que não sabia, e aprendeu na raça o que fazer. Ela não é uma daquelas modelos que se vê na TV, mas cada cicatriz expostas nas partes do corpo que a roupa não pode chegar a tornam ainda mais estonteante. Cada uma delas rende uma história interessante, desperta memórias que faz com que seu sorriso fique ainda mais lindo ao ver que venceu as dores passadas.

Ela não é o que disseram pra ser. Mesmo assim, qualquer um que a veja na rua ou a conheça nua e crua reconhece: Uau! Mas que mulher!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

[Música]: Cântico da Salvação



E aí, galera! Como é que vocês estão?

Hoje trago para vocês - em primeira mão! - a música Cântico da Salvação. Ignorem o ruído ao fundo e a falta de cenário. Os uivos caninos, não, pois apesar de não terem sido planejados, com certeza dá um ar mais saudoso à canção.

Espero que a apreciem a música!


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Deus que não quer lhe fazer mal - Parte 2



Que o Senhor não nos nega o bem, já sabemos. O que é realmente difícil é entender que nem tudo que é bom parece ser realmente bom. De todas as coisas que Deus jamais me negou, quero destacar três delas para vocês.

O contexto em que Deus me mostrou essas três dádivas que eu tinha em mãos não foi um dos melhores e nem um ponto alto em minha caminhada. Deus havia me pedido para confiar nele, fui teimosa e, depois de tudo, cheguei ao ponto de concluir que não havia mais jeito. Então me deparei com esses três presentes divinos:

  • Perdão
Depois de todo ocorrido, me achegava a Deus sem orgulho algum de uma vírgula sequer que eu havia feito. Me sentia como um monstro por minhas ações e como uma filha rebelde por minhas birras, teimosias e desobediência.

Quando reconheci o meu erro, reuni as migalhas de humildade que havia em mim e apresentei meus cacos diante dele. Por mais que eu esperasse apenas correção e nada mais, Ele me ofereceu o seu perdão. Ele não me culpou e nem disse coisas para que eu me sentisse pior do que eu já estava. Ele apenas me perdoou, e jogou todos os meus erros no mar do esquecimento.

A partir dali, nunca mais eu teria que me esforçar para me justificar ou então me culpar até não haver mais forças em mim. Naquele momento Deus me deu um começo novo, uma vida nova e um livro com páginas em branco, que eu poderia ou não deixar nas mãos dele para que Ele escrevesse.

Mas, por mais que o perdão seja um presente glorioso, o bem que Deus via para mim ia além, e chegava à...


  • Restauração
Sem o peso da culpa e do pecado sobre minhas costas, me restavam as marcas. Soou como o sal sobre as feridas abertas. Um processo iniciou-se, e Deus colocou diante de mim todos os machucados que eu tinha feito, mas ignorado.

Esse segundo presente que recebi de Deus cicatrizou a feridas que fiz durante meu percurso tortuoso, porém não me livrou das cicatrizes. Mesmo que Ele tenha me colocado novamente nos caminhos que espera que eu trilhe, o que fiz não deixou de ser feito, e as marcas continuam aqui.

A restauração faz com que eu possa olhar para essas cicatrizes e tocar nelas sem que doa, mas não me livra das histórias que vivi. Elas farão parte do livro da minha vida para sempre. E então chegamos à última dádiva...


  • Consequências
Como já diziam os antigos: A semeadura é opcional, mas a colheita é obrigatória. Deus não me negou as consequências. Confesso que os frutos dessa plantação não são os mais agradáveis ao paladar, mas o que seria de mim se eu não colhesse os frutos de meu trabalho? Como saber que algo que eu fiz não foi bom se o que vier depois também não for bom?

Deus não se colocou na minha frente quando a vida veio com a cinta. Ele deixou que tudo acontecesse. Ele não mandou que eu fosse cutucar onça com vara curta. Fui eu quem quis tudo isso, por conta e risco, e Ele respeita minhas escolhas como ninguém.

Hoje eu sei que o caminho A que trilhei não é o melhor para se trilhar. Da próxima vez, não vou pelo A. Tenho de B a Z pra tentar. Mas, se eu ouvir a voz de Deus e obedecê-la, talvez eu perceba que não é preciso percorrer o alfabeto inteiro para saber que o plano bom de verdade é o Y.



Deus não quer lhe fazer mal, assim como não quer fazer comigo. Tudo o que vem tem um motivo, seja para nos honrar e colocar um sorriso no nosso rosto, seja para nos fazer chorar e aprender a fazer diferente. Deus, por nos conhecer como ninguém, poderia simplesmente nos dar as sentenças. Mas isso não seria justo, certo? Não seria essa a nossa resposta? Então Ele nos deixa caminhar. Às vezes queremos agir como gente grande, soltamos a mão do Pai e corremos por caminhos tortuosos. Ele não nos disse para ir para tais caminhos. Ele estava a nos guiar aos pastos verdejantes. Nós escolhemos fugir. Ele não coloca uma coleira em nossos pescoços para segui-lo a qualquer custo, e Deus nos ama tanto que tem o melhor para nós, mas mesmo assim nos permite escolher se queremos o nosso bom ou o melhor de Deus.

sábado, 19 de novembro de 2016

[Música]: Já decidi



E aí, pessoal! Tudo bem com vocês?

Hoje quero compartilhar com vocês uma música que compus recentemente. Diante de um Deus tão grande, compreendi que já é tarde demais para voltar atrás e perder tudo o que já construí até aqui. A solução é lutar com todas as forças para lá no final trocar essa cruz pesada por uma coroa de glória, e morar pra sempre num lugar sem pranto, sem tristeza, sem conflitos.

Espero que apreciem a música! ^^

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Epifania e Metamorfose



As duas irmãs andam de mãos dadas. Não há mudança sem compreender a verdade. Não se conheceu a verdade se não provoca mudança.

Epifania nos traz de súbito a visão da realidade. Sem óculos, sem lentes, sem uma tela embaçada. Metamorfose tira nossas patinhas de lagarta do chão e nos torna borboletas esplendorosas.

Epifania vem quando bem entende, mas não costuma bater palma no portão, por isso é necessário deixar a porta aberta. Dependendo do humor, se preciso for, arromba até a janela. Mas costuma ser educada, por isso é extremamente necessário ter a mente aberta.

Metamorfose é como uma mãe que embrulha seus filhotes nas cobertas, e os persegue durante o sono para ensiná-los a andar e a correr. Às vezes soa como uma canção, mas geralmente arde como uma punição, só que traz maturidade.

As duas irmãs andam de mãos dadas. Por mais que nos ensinem a ser gente e ajam tão maduramente, gostam de uma brincadeira em especial: Policial bonzinho e policial mauzinho. Não se importam em trocar de papel se necessário for. Mas, se é necessário a lição soar como dor, elas vêm com instrumentos de tortura.

E só lá na frente é que a gente descobre que comer brócolis não mata ninguém (a menos que esse alguém seja alérgico - nesse caso elas trocam por jiló).

terça-feira, 1 de novembro de 2016

[Aviso]: Fechado para reforma



E aí galera! Como é que vocês estão?

O que venho falar para vocês hoje não é sobre nenhum tema específico, senão sobre minha própria vida.

Dou graças a Deus por cada crise existencial que passo, pois ao término delas grandes mudanças acontecem. Agradeço também por cada vez que caio em mim mesma e percebo que novamente errei - pois se não percebesse, aí sim seria um problema.

Seja o clima de fim de ano e ano novo, vida nova ou um propósito específico de Deus para um momento específico de minha vida, estou a colecionar crises existenciais e a buscar freneticamente por respostas que as solucionem.

Quisera eu poder iniciar um fórum onde a melhor resposta fosse premiada, mas essas crises... Vocês sabem como funcionam. As respostas estão aqui dentro e dentro dAquele que criou aqui dentro. Tudo o que posso pedir para vocês são as vossas orações, para que Deus me dê clareza e para que eu consiga compreender o que precisa ser compreendido.

O real motivo desse post não é me lamuriar de minhas crises, mas avisá-los sobre minha ausência nos próximos tempos. Não sei quando volto, mas espero que logo. Eu sei que meu último afastamento aconteceu recentemente mas, como eu disse da última vez, eu não quero e nem posso vir aqui e encher vocês de coisas que não estou vivendo.

Daqui até quando Deus queira, o Tesouros ao Vento não será atualizado. Nesse tempo, uma reforma será feita. Não no blog, mas em mim.

Espero que compreendam.

Volto a dizer que, mesmo que não haja novas atualizações, os textinhos antigos ainda estão aí. Então podem caçar pelo arquivo do blog caso queiram ler alguma coisa. Deixo a seguir algumas recomendações minhas para vocês:


E, para encerrar, deixo aqui pra quem não viu uma música de minha autoria. Música esta que inaugurou o nosso canal! \o/



(Em breve eu libero pra vocês o áudio para baixar)

É isso pessoal!
Fiquem com Deus, e até nosso próximo post! o/

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Deus não quer lhe fazer mal - Parte 1



"Porque o Senhor Deus é um sol e escudo;
o Senhor dará graça e glória;
Não negará bem algum aos que andam na retidão."
(Salmo 84.11)

Se tem uma coisa que tenho aprendido é que Deus nunca me negará o bem se eu me entregar a Ele. O que nem sempre vemos é que o que é bom para nós nem sempre agrada o nosso paladar. Nós somos muito imediatistas; queremos as coisas pra ontem! Sempre desejamos a sobremesa antes do almoço e comer até se empanturrar, mas só Ele é quem sabe dos benefícios que apenas um bom e belo brócolis tem para nós.

Deus quer o nosso bem até quando parece que tudo o que acontece ao nosso redor coopera para nos afundar. Deus é tão bom e vela tanto por nosso bem que usa até mesmo nossas dores, angústias e aflições para nos transformar. Sua misericórdia é tão grande que Ele usa até o final de nossas histórias escritas em linhas tortas como ponte para uma história escrita por Ele.

Como em todo relacionamento, é necessário confiança para se relacionar com Deus. É necessário total entrega para viver em plena harmonia com uma Pessoa que não podemos ver ou abraçar. Deus quer ter o controle de nossas vidas, mas não por ser um manipulador de última geração. Ele quer sentar no banco de motorista de nossas vidas por nós não temos carta de habilitação nem sabemos usar GPS. Mas quantas das vezes temos receio de entregar nossos humildes passos a Deus?

A nossa reação diante do pedido de Deus para entregarmos nossas vidas a Ele depende, sobretudo, da visão que nós temos a respeito dele. Se nós o vemos como um Deus estraga prazeres que quer nos confinar em uma cúpula de vidro e nos privar de nossos sonhos de infância, dificilmente confiaremos suficientemente nele a ponto de render-lhe o controle de nossas vidas. Agora, se o vemos como um Deus Bondoso e protetor que conhece o futuro tão bem quanto o passado e que quer nos livrar das armadilhas que, tantas vezes, existem em nós mesmos, nos tornarmos frágeis em Sua presença é tão aconchegante quanto deitar nos braços de uma mãe quando recém-nascido.

Ele só quer o seu bem, acredite você ou não. Mas Ele não vai chegar arrombando a porta com um caminhão de mudança na calçada. Ele só pode curar as feridas do teu coração, te livrar da tua ansiedade e te preencher se você o convidar. Ele é o Todo Poderoso, mas não um Deus tirano. Ele pode tudo, mas se limita a bater na porta e esperar que você o receba antes de entrar em sua casa.

Deus não te negará o bem se você andar na retidão. E é Ele quem endireita as veredas! Se você estiver junto dele (não por interesse ou medo do inferno, mas por amor), Ele certamente não lhe negará o bem. Pelo contrário, te tornará alguém a quem contar segredos e ensinar o bê-a-bá.

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Essa é a primeira de duas partes do tema "Deus não quer lhe fazer mal". As palavras que digo a vocês é o que tenho vivido nos últimos tempos, e espero que minhas experiências, meus erros e as lições que Ele tem me ensinado te ajudem a caminhar.

Na segunda parte, trarei para vocês três coisas que o Senhor nunca me negou - e nem negará a você.

Até o próximo textinho, pessoal! o/