quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Da aula de marcenaria ao cuidado infalível de Deus


Lá estava eu, diante de uma máquina com uma fita de metal cheia de dentinhos afiados que se movia a uma velocidade capaz de cortar um pedaço de MDF de doze milímetros. Eu precisava cortar um círculo na madeira que estava em minhas mãos com aquela máquina. Posicionei a madeira e coloquei as mãos sobre ela, e então mais um par de mãos: as do meu educador. Ele estava ao lado da serra-fita (é assim que a tal máquina se chama) auxiliando a todos os alunos que precisavam que um círculo surgisse daquele pedaço de madeira. Ele começou guiando a peça, fazendo com que o corte ficasse rente ao traçado. Depois de alguns segundos ele afastou as mãos e permitiu que eu continuasse o trabalho. Resultado? Qualquer coisa, menos um círculo. Rapidamente o educador retornou as mãos ao posto e me ajudou a finalizar o corte - que desta vez voltou a ser circular.

Eu levei o círculo até a outra máquina para finalizar o trabalho. "Não fui eu quem fiz isso", eu pensava enquanto ajeitava a borda da peça, e eu realmente não havia feito.

Chegando em casa, comecei a refletir sobre o episódio ocorrido. Em metade do tempo eu pensava em como otimizar meu tempo de aula para que eu, eu mesma, sem ajuda de ninguém, conseguisse cortar outro círculo depois de terminar as atividades propostas, e na outra metade eu me questionava sobre por que o meu educador não deixou que eu fizesse sozinha. Talvez porque a intenção dele fosse cortar toda a circunferência desde o início, talvez porque ele quisesse que o processo fosse mais rápido afim de dar tempo de todos os alunos cortarem as suas peças, ou talvez por simplesmente ele notar que eu não conseguiria.

Você deve estar se perguntando aonde eu quero chegar. E se eu te disser que sua vida é o pedaço de madeira?

Há um risco ali. Você e eu vemos aquele risco. Nós sabemos que precisamos cortar naquele tracejado, mas não conseguimos. Nossa coordenação motora nos deixa na mão, não giramos a peça na velocidade necessária e de repente parece que perdemos o controle da máquina!

Então as mãos que sabem como manusear o material chegam. Fazem toda aquela situação tensa parecer muito simples. Em um ou dois minutos um círculo de circunferência perfeita se livra dos dentinhos nervosos, e pronto! O que você precisa está em mãos.

Perceba que é muito mais simples quando você deixa que a pessoa mais experiente tome as rédeas. E se considerarmos que Deus é o nosso educador, devemos considerar também que Ele não só é o mais experiente na arte de viver como o próprio Criador da vida! Logo, seria ingenuidade nossa acreditar que podemos viver toda uma circunferência sozinhos.

Quando deixamos Deus tomar o controle das nossas vidas, corremos o risco de cometer um grave erro: acreditar e propagar a ideia de que todas as coisas boas que acontecem conosco é por mérito nosso. Lembre-se: Não foi você quem fez o círculo. Não foi você quem domou a máquina. Você pode até ter desenhado a forma, mas não foi você quem a cortou.

Depois de uma, duas, três peças (ou mais) com a ajuda direta de seu educador, você provavelmente estará preparado para fazer o mesmo serviço sozinho. Você já entende como manusear a madeira, você já conhece a velocidade da máquina, você já sabe por onde começar e por onde terminar. Você está preparado! Não adianta chamar seu educador para fazer por você em caso grave de preguiça. Não adianta dizer que você não sabe como fazer - todos já perceberam que você sabe.

Você já sabe como manter seu ministério, como organizar sua agenda, como buscar seu alimento espiritual. Não espere que Ele te ajude a guiar o que você já sabe fazer. Ele te dirá: "Faça isso", e confiará que você será responsável o bastante para utilizar todos os meios que estiver dentro de seu alcance. Ele confia em você. Não o decepcione. Não brinque com as furadeiras. Não corra pela sala. Apenas faça o que você sabe fazer. Não se preocupe, Ele está te observando. Em caso de acidentes é Ele quem estará apertando o botão de emergência.

É isso o que Ele faz. Ensina a desenhar. Ensina a cortar. Treina junto. Depois Ele diz: "Meus parabéns, você aprendeu! Agora você já pode fazer isso sozinho." E mesmo quando as coisas saem do controle, Suas fortes mãos estarão ali, prontas para segurar seu ferimento e passar uma gaze em volta.

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