quarta-feira, 16 de março de 2016

Distrações



Era um dia desses. Dia neutro. Nem bom, nem ruim. Eu estava mais sonolenta do que o normal, e talvez por isso eu tenha demorado tanto tempo para perceber. Algo incrível aconteceu! Era uma ocasião normal, com as companhias de sempre em uma situação rotineira, e de tão simples somente a minha alma conseguiria se alegrar com o ocorrido.

As palavras trocadas naqueles quinze minutos, mais ou menos, foram o suficiente para me fazer traçar mentalmente uma maneira de estudar melhor a Bíblia, de me achegar mais a Deus e de fugir de quaisquer distrações que quisessem atrapalhar o meu plano.

Distrações.
(Como seria bom se eu me lembrasse dessa palavra durante o resto do dia.)

O resto do meu dia foi um completo caos. Primeiro, eu não queria sair novamente de casa, mas precisei sair; segundo, minha falta de atenção resultou em consequências que ninguém desejaria para si; depois, ainda havia diversos problemas rondando o ambiente mais os problemas que eu precisaria resolver quando eu chegasse em casa.

Distrações.

Ao chegar em casa tudo o que havia em mim era enfado. Eu gostaria de poder me esconder em uma cúpula e ficar ali, distante do mundo, durante uma semana. Meu corpo estava cansado, minha mente, acabada, e minha alma - ah, pobre alma! -, já estava a desfalecer.

Naquele momento eu desejei chutar o balde e jogar tudo para o alto. Não era a primeira vez que eu desejava isso, mas eu nunca levei essa vontade tão a sério. Eu nunca havia estado tão cansada, tão estressada e tão ocupada como naquele dia.

Se nem o meu descanso importava, o que mais importaria?

Distrações.

Fui dormir decidida a, no dia seguinte, começar a planejar a como me desfazer aos poucos das minhas atividades. Eu realmente estava levando toda aquela história de chutar o balde a sério.

"Esse foi o pior dia do ano...", eu pensei. "...até agora. Mas eu não gostaria de passar por nada pior do que isso", eu disse olhando para o teto do quarto, talvez indagando a Deus, talvez falando como se ninguém pudesse me ouvir. "Eu não deveria nem ter levantado da cama hoje".

Distrações.

E dormi.

De tão distraída, a menina
Só percebeu seu engano
No dia seguinte
Ao meio dia

Dei-me conta de minha ruína. Percebi que havia tanto tempo que eu não carregava o fardo suave, preferindo o jugo pesado que o sistema me obrigava a aderir. Há quanto tempo eu já não tirava um momento para ficar a sós com Deus? Há quanto tempo eu não me dispunha a sequer folhear e dar uma espiada nas letras das Sagradas Escrituras? Há quanto tempo eu não tinha mais ninguém com quem contar e a quem contar as aflições do dia a dia?

Um breve contato com o Criador foi o bastante para que a minha alma se revigorasse.

Olhei, então, para o meu dia anterior, e lembrei-me da pequeneza que me fez tão feliz. Arrependi-me profundamente por tê-la esquecido, por ter dito que aquele havia sido o pior dia do ano, por dar maior importância aos problemas do que aos raios de luz que dançavam por entre a persiana para clarear minha escuridão.

"Mais grato a Ti, mais grato a Ti
Mais consagrado, oh, faz-me, Senhor
Mais humilhado e cheio de amor
Faz-me mais grato a Ti
Mais grato a Ti"

Sorri. Havia aprendido a minha lição.



Quantas vezes somos tentados a ceder às distrações...

"Ah, mas é só uma festa. E além disso, eu sei me cuidar."

"Eu estou cansado demais hoje, e... Olha, lançaram a nova temporada da minha série na Netflix!"

"Eu não tenho tempo para essas coisas. Você sabe como ando ocupado."

E tantas outras distrações.

Nós perdemos a direção ao nos atentarmos a um fato que acontece nas calçadas da estrada. Nos esquecemos de quem somos e do que estamos fazendo aqui. Nos distraímos, e acabamos a perder a essência de nossa caminhada.

Elas estão por toda a parte.

Mas há uma solução para as distrações: FOCO.

"[...] Mas uma coisa faço, e é que,
esquecendo-me das coisas que para trás ficam
e avançando para as que estão diante de mim,
prossigo para o alvo
pelo prêmio da soberana vocação de Deus
em Cristo Jesus"
Filipenses 3.13b-14

"Olhando para Jesus,
autor e consumador da fé,
o qual, pelo gozo que lhe estava proposto,
suportou a cruz"
Hebreus 12.2a

Foco em Cristo! Autor e consumador da fé, nosso alvo, o socorro que está além dos montes e a nossa cura para a distração. Ele suportou a cruz, e foi nosso maior exemplo de foco. Em momento algum se embaraçou com as coisas desse mundo, mesmo tendo várias oportunidades para isso.

Ele nos amou. Teve foco por amor.

Estamos dispostos a abrir mão das distrações por amor a Ele?



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