sábado, 23 de abril de 2016

O cabresto da alienação e a corrupção da identidade



Acabou de emergir da pequena vida doméstica, onde era cercados pelos cuidados e provisão dos pais; agora depara-se com um imenso rebanho de sua geração, apascentados pelas modas, palavras, olhares e comportamentos... O jovem acostumado com o paternalismo caseiro, agora depara-se com o desprezo e hostilidade dos bacanas. O aspirante deve obedecer “as regras” se não quiser sucumbir e ser lançado na vala comum do isolamento, (algo extremamente repudiado) ou seja, para não ser lançado de volta como criança aos braços da mãe, esse jovem enfrenta e paga pelo ingresso o preço que for preciso para participar da “roda viva”.

As ordenanças devem ser rigorosamente obedecidas pelos componentes do grupo, a violação da mesma torna-se imperdoável, a sentença são: insultos, gozações, hostilidade e extremo desprezo, de todo aquele que se porta diferente dos iguais. São guiados por instintos imitativos. É inadmissível o ponto fora da curva! 

A moral desse jovem é difamada pela massa para com aquele que der “uma mancada” ou “uma brecha” 

O ser humano possui a necessidade de aparecer, ser notado, ter sua voz ouvida, ser aceito e compreendido. E quando essa busca latente não consegue ser satisfeita naturalmente, são tomadas algumas medidas (vãs) para atrair a “tão almejada atenção” muitos desses neófitos cometem o que eu chamo de suicídio da personalidade.

Descaracterização da essência oriunda da cultura familiar. Longe dos valores dos lares, essa vítima passa a prostituir o seu caráter, aceitando tudo aquilo que vem do paradigma da evidência e do reconhecimento, fazer alianças e crescer em admiração do grupo... Roupas, fotos e comportamentos ousados pelo simples desejo intrínseco de receber elogios que nutrem o próprio ego. Não há nenhuma crítica ou questionamento. Não possui autonomia de escolhas e suas preferências são determinadas pela grande massa.  A alienação é tamanha que aquilo que atrai não é a beleza em si, mas a quantidade de pessoas que buscam e adotam posturas e práticas, como: roupas, tatuagens, palavreados, uso de entorpecentes, sexos descompromissados (que conduzem à gravidez indesejada na adolescências), a grande maioria de joelhos em posição servil no afã pelo destaque e eminencia em meio a essa manada jovial

A imensa maioria possui carência de atenção e aprovação alheia, por mais interesse e vigor se empenhe para que a metamorfose (utópica) aconteça. As frustrações alimentam um certo distúrbio emocional pelo descontentamento de sua postura diante dessa alcateia, essa desapontamento não é externado ao grupo, não se pode mostrar fragilidade emocional diante deles, mas esse gatilho emocional precisa ser disparado em algum lugar. 

Apresento a vocês jovens insubmissos aos pais, não aceitam o tratamento de rebento pueril que recebem em casa, o “complexo da chupeta” são combatidos veementemente, o descontentamento está consigo mesmo e nada com o sistema familiar. Subversivo aos professores, na qual usa-o como vítima para apontar aos demais alunos os holofotes da atenção sobre si, é um jogo de cartas marcadas, pois sabe que o professor no fundo quer o seu bem, porém impotente para revidar tais agressões verbais (em alguns casos físicas). São ingratos com quem querem seu bem e gratos com quem os açoita moralmente, leões em casa e cordeiros em meio ao grupo. A grande crise existencial que a juventude contemporânea atravessa é que são bebês em casa e homens/mulheres na rua. O olhar do outro não podem determinar o caráter do jovem!

Seja fiel aos seus valores, seu senso crítico, sua personalidade... Não permita que o “Tsunami” do modismo te traguem, que a manipulação ideológica imposta pelos jovens venham te converter naquilo que você não é – Não se prostra diante da estátua de ouro babilônica, não é porque todos prostram-se que é o certo!

“Depois das luzes, do discurso e das máscaras, quem é você?” (Luiz Arcanjo)

Bruno Assis

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