sábado, 7 de maio de 2016

Depressão



Saúde, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é o bem estar bio-psico-socio-cultural, declínio dessas áreas são considerados enfermidade

A depressão, ao contrário da opinião popular, não é “frescura” ou “doença de rico”, mas um estado de tristeza patológica¹. “É considerada uma síndrome maníaco depressivo. Essa doença atinge cerca de 0,5% da população mundial. É considerada uma patologia que evolui por fases”. ²

O indivíduo chega nessa situação, normalmente por um acontecimento traumático, perda familiar, desemprego. Perdas, injustiças e indecisões são os fatores que originam a depressão.

Algumas alterações neurais ocorrem no cérebro do depressivo. “Os neurotransmissores (noradrenalina, serotonina e dopamina) permitem a comunicação entre as principais células nervosas – os neurônios – sendo a ausência desses neurotransmissores que causa a depressão.” ³

“A noradrenalina é o neurotransmissor liberado pelos nossos neurônios, que mais influencia o nosso humor, felicidade, prazer, entusiasmo, autoconfiança e estado de alerta. Outro importante neurotransmissor é a serotonina, que também interfere com alguns sintomas emocionais como o humor, sono, apetite e funções intelectuais”4. Existem anti-depressivos farmacológicos que podem auxiliar na estabilidade dos neurotransmissores.

É caracterizado pela a ausência total da motivação na vida. Existem encarcerados que cumprem a pena com bom ânimo por existir um incentivo posterior ao cárcere, por exemplo: filhos, família, projetos, etc.

Existem níveis de depressão, de tristeza podendo chegar ao desespero; vontade/ação inibida, podendo chegar a total inércia; perda de apetite; pessimista nas interpretações do passado, presente e futuro; obstipação intestinal (prisão de ventre); insônia (ou excesso de sono, devido ao desregulação da serotonina, que regulariza o sono); sente-se pior pela manhã e melhor a noite; sente-se fatigado e com certa preguiça, astênico, cansado com indisposição para tudo; intenso sentimento de culpa, perda e impotência diante das situações; lentidão psíquica, fazendo com que o tempo demore muito para passar e que cada segundo tenha a intensidade de 24 horas de desprazer, levando o indivíduo ao isolamento em relação às pessoas e situações; risco maior e por vezes desejo de suicídio.

A dificuldade de tratar de alguém com depressão ou de ser tratado, concernente à metodologia, à fórmula e à abordagem, acabam tornando-se um grande tabu para leigos e até mesmo alguns profissionais da área da psicopatologia. Vejamos como Deus tratou da depressão de Elias, história essa contida nas Escrituras Sagradas no Antigo Testamento de I Reis cap. 19.

O que levou Elias à depressão? Um renomado profeta de Deus, homem destemido, na qual sempre teve como característica a ousadia e coragem.

O início de sua depressão foi o que chamamos de efeito “rebote”, após grande conquista no monte Carmelo triunfando sobre os profetas de Baal, os altos níveis de euforia podem culminar a quedas abruptas de ânimo. Uma palavra de ameaça da rainha Jezabel (v 2), fez com que Elias se afastasse do seu ofício. A ansiedade e o medo se apoderam do profeta, de maneira que deixa o seu servo (v 3), e isolando-se no deserto, não querendo ver ninguém, saiu sem rumo ou meta alguma. O desânimo e a falta de incentivo é tamanha que pede para si a morte (v 4); nãoo têm mais interesse algum em continuar vivendo. A autocomiseração é marcante no discurso de Elias (v 4): ele deita e dorme (v 5), um ser totalmente abúlico, sem perspectiva alguma e expressamente inerte. Um anjo toca em Elias e ordena para ele levantar e comer. Já que a pessoa nesse estado não possui apetite, o tratamento de Deus é cuidar primeiro do físico para que a depressão não torne algo psicossomático 5, o Senhor vai tratando dos danos causados ou que podem causar mais problemas para a saúde do profeta.

Elias sai dali e entra numa caverna, lugar escuro e solitário, longe de tudo e todos... Canto perfeito para um deprimido (v 8). Deus pergunta: “O que fazes aí, Elias?” (Tratamento nutricionismo havia sido feito, agora o tratamento psicológico) (v 9), deixa Elias expressar o que está acontecendo, antes de censurá-lo. Seu discurso é de alguém com um profundo sentimento de culpa (v 10) e individualista, alheio a percepção a outras pessoas (v 18), mas curtindo somente sua dor da injustiça do episódio passado. Deus diz para Elias sair daquela caverna; nada fazia ele sair; as manifestações naturais não chamavam a atenção. Às vezes vociferamos com força e violência de um terremoto, querendo quebrar a penha do coração endurecido (v 11), buscando atrair a obediência do enfermo, mas a voz mansa, delicada e compassiva do Senhor trouxe Elias para fora. Que maravilha!

Deus poderia estar em todos os lugares, mas esteve preocupado com Elias. Teve paciência com o profeta... Não desistiu dele!

O Senhor agora coloca sentido na vida de Elias, mostrando que ele continuava sendo útil, que nada havia terminado, que existia ainda 7 mil (v 18) padecendo as mesmas dores, mas não se entregando a elas. Clareia o horizonte, dizendo que grande é a sua caminhada, mostrando que a história dele não terminava ali, naquela caverna.

Agora Deus restaura a vida social do profeta: para andar lado à lado com Elias, o Senhor providencia Eliseu, pois Deus sabe que somos seres sociais e que dependemos de pessoas para vivermos.

Por uma ameaça, apenas uma ameaça colocou Elias para vala comum social, Deus não subestimou a intensidade da dor ou a fragilidade do homem Elias de desesperar-se por algo “tão pequeno”. não menospreze jamais o problema, pois Elias foi sujeito as mesmas paixões que nós (Tg 5:17).

Elias posteriormente encontra-se com o seu pior pesadelo: Acabe e Jezabel (monarquia de Israel). Não há mais dor, medo, desespero... Elias, agora restaurado da depressão, marca a cultura judaico-cristã como um dos maiores profetas de todos os tempos!


Bruno Assis
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1 phatos = paixão/sofrimento/doença, logos = lógica/conhecimento
2  CECÍLIA, Ana TRIPACCHIO Adalberto “A filosofia Clínica e as Psicoterápicas enomenológicas” - 2000
3 PÓVOA, Helion. CALLEGARO, Juarez. AYER, Luciana. Nutrição Cerebral
4 Idem
5 Soma de outros fatores patológicos que são desencadeados

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