quinta-feira, 28 de julho de 2016

Nau, Futuro e Deus



Se eu pudesse destacar um dos meus muitos defeitos, com certeza destacaria a ansiedade. Mas não aquela que exige tratamento; no meu caso é só segurar o coração que tudo se resolve. E nesses meus acessos de excesso de futuro, acabo me desesperando. O problema é que eu não consigo viver o presente, ao mesmo tempo que tento manipular as coisas para chegar ao futuro desejado. (Mais uma vez repito: é só segurar o coração que tudo isso para).

A questão é: Se eu creio em um Deus que transpassa as barreiras do tempo, e se eu acredito piamente que Ele cuida de mim, por que é que eu me preocupo tanto com o que há de vir? Não foi o próprio Jesus quem disse que basta a cada dia o seu mal?

Eu me lembro do primeiro hino da Harpa que eu aprendi, e o refrão dizia assim: Solta o cabo da nau, toma os remos na mão e navega com fé em Jesus. Eu confesso que, até pouco tempo atrás, essa metáfora era um mistério para mim, mas recentemente descobri o que quer dizer, e quero compartilhar com vocês.

O "cabo da nau" é o que conhecemos como "leme" ou "timão". Geralmente é o capitão - ou, na falta dele, alguém importante na tripulação - quem segura o cabo da nau e, consequentemente, toma o controle da embarcação. Estar detrás daquele timão é ter posição de destaque, todos conseguem te ver. Após uma expedição bem sucedida, a quem parabenizarão? A quem está detrás do cabo da nau, claro.

Porém, não é essa posição que somos convidados a ocupar. O compositor da canção nos chama a tomar o remo nas mãos. Os remadores ficavam no porão da nau. Era serviço pesado e não reconhecido. Não é um cargo atrativo, e certamente é abraçar o anonimato. É uma tarefa anônima, mas certamente muito importante para a locomoção do barco. Pois bem, vamos à conclusão.

O Senhor Jesus pede o controle da nau da nossa vida, é Ele quem deve ficar em evidência. É preciso entender que o foco de nossa vida deve ser Ele para que algo realmente tenha sentido. Mas perder o controle da nau não é motivo para ficar sentando jogando cartas. Ele nos chama para pegar o remo nas mãos. Entenda: tem a parte de Deus, e tem a nossa parte. Quando é impossível para nós, Deus move céus e terra para nos ajudar, mas quando está no alcance do nosso braço, Ele não move uma palha. Ele acredita em mim e em você, e se Ele diz que somos capazes, quem somos nós para contrariar? E por fim, somos chamados a navegar com fé em Jesus. Os remadores não tinham visão do mar ou do caminho que estavam seguindo. Só lhes bastava confiar que o comandante estava ciente do que fazia.

Como eu disse, Deus tem o poder de transpassar as barreiras do tempo. Isso quer dizer que Ele é capaz de ver os icebergs detrás da névoa, e ainda em tempo hábil para fazer a embarcação desviar e impedi-la de rachar-se no meio.

Confiar em Deus é entender que Ele está aqui, lá, agora e no futuro. Não tem porque temer o que está por vir, porque Ele já sabe o que vai acontecer. Largar o controle do barco não é um tiro no escuro, mas deixar que a própria Luz conduza a sua vida.

Solta o cabo da nau!

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