sábado, 24 de setembro de 2016

A história de quando eu decidi me perdoar



Eu sempre fui o exemplo típico de boa menina. As expectativas sempre foram altas a meu respeito. Mas somente Deus, as pessoas que eu já tinha feito algum mal e eu sabíamos quão podre eu sempre fui por dentro. Dentre todos os pecados que eu cometia com frequência, talvez o que mais me incomodasse fosse o incrível poder que eu tinha de machucar as pessoas.

Aos nove fiz isso e não notei. Com onze repeti e perdi uma grande amizade. Resolução para 2016: não cometer novamente os erros que cometi. Realidade: Falhei de novo. Droga!

A partir daquele dia (ou daquela sequência de fatos) não me olhei da mesma forma. Quando encarava o espelho, tudo o que eu via era um monstro com garras sujas com sangue de alma inocente, e orgulho maior do que a capacidade destrutiva.

Se havia alguém que poderia me ajudar, esse alguém era Deus. Sentei à beira da cama e pedi perdão. Essa cena se repetiu durante meses. Mal sabia eu que Ele já havia me perdoado. Sentada no chão já pedi por ajuda, clamei por socorro, implorei por conforto. Mas não era o perdão de Deus que me faltava; era o meu próprio perdão.

Imperdoável. Era assim que eu definia as minhas ações. A culpa era maior que a certeza de que eu já tinha sido perdoada. Me apeguei ao passado e coloquei na cabeça que tudo o que aconteceu lá definia minha existência. Me esqueci que até mesmo Saulo, que perseguia aqueles que seguiam a Cristo, foi perdoado, restaurado e totalmente livre de seu passado.

Não cabia a mim decidir se aquilo era perdoável ou não. Nunca coube. Se Deus já havia me perdoado, quem era eu para me negar a oferecer perdão a mim mesma? Conversei sobre essa situação com uma pessoa especial que me disse: "Isso não é uma catástrofe!". Então percebi que realmente não era!

Eu errei, mas tantas pessoas já erraram comigo e eu permaneço viva. Lembrei-me de minhas angústias passadas: Aquilo não era o fim. O que fiz não foi bom, mas se eu me arrependi, pra que tanta culpa? O que foi feito, foi feito. De nada adianta me culpar e consumir qualquer raiz de esperança como forma de demonstrar arrependimento. Arrependimento é mudança de mente e de atitude, e não tentar se matar por asfixia gritando no travesseiro.

Ei, presta atenção! Não há pecado imperdoável para Deus, ouviu? Ele só precisa que você se arrependa. E não é remorso, não. É entender que aquilo foi errado e se comprometer a trilhar caminhos que não te levem ao mesmo erro. O peso de seu pecado não cabe a você. Pecado é pecado, erro é erro e Deus é Deus. Deus que perdoa, Deus de graça que nos dá o que não merecemos. Consequência é consequência, lide com elas! Mas o perdão de Deus é inevitável quando há arrependimento e confissão. O perdão do Dono da Justiça está em suas mãos, agora só falta você.

Pare de se culpar. Culpar-se não traz mudança. Analise seus passos, mude de tática, mande a culpa para o calabouço onde ela não possa te atormentar com seus gritos! Agarre o perdão de Deus, libere seu próprio perdão. A vida não acabou, foi isso que aprendi. Você ainda tem muito chão pela frente. Pare de se concentrar no buraco que te fez cair lá atrás!


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