sábado, 10 de setembro de 2016

O jejum aprazível a Deus



Quando falamos em jejum, logo pensamos em um período sem nos alimentar, para pedir ou agradecer a Deus por algo. E justamente por pensarmos que o jejum é somente isso, perdemos sua essência e o seu real significado.

"Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó, os seus pecados. Todavia, me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos; como um povo que pratica a justiça e não deixa o direito do seu Deus, perguntam-me pelos direitos da justiça, têm prazer em se chegar a Deus, dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e tu o não sabes? Eis que, no dia em que jejuais, achais o vosso próprio contentamento e requereis todo o vosso trabalho. Eis que, para contendas e debates, jejuais e para dardes punhadas impiamente; não jejueis como hoje, para fazer a vossa voz no alto. (Isaías 58.1-4)

O povo de Israel jejuava, porém o Senhor dizia para que Isaías anunciasse os pecados do povo. O povo jejuava, mas Deus não recebia o sacrifício. O Senhor diz que não aceitava o jejum porque eles o faziam para bater no peito como os fariseus e dizer que jejuavam, faziam isso para se achar superior. De que vale abrirmos mão de nosso café da manhã e às vezes até do almoço em vão?

Por esses tempos tenho passado por algumas situações que necessitam de preparação espiritual, e por isso tenho me preocupado em saber se Deus tem recebido o meu jejum, e quero compartilhar com vocês o que tenho descobrido.

  • O jejum é espiritual e não material
Se pensarmos no jejum como algo material, o simples ato de não comer já se torna jejum. Quando pensamos de uma forma espiritual, conseguimos entender o porquê do jejum, e percebemos que vai além do alimento.

Nós não jejuamos para ficar com fome. Jejuamos para mortificar a carne. O nosso corpo precisa do alimento, e nós simplesmente não alimentamos o nosso corpo, num ato de controlar nossos impulsos e de mostrar que a nossa carne não tem poder sobre nós. Que não seja uma necessidade fisiológica que nos impeça de fazer algo especial para Deus.

Quando mortificamos a nossa carne conseguimos calá-la por um instante, e temos a oportunidade de alimentar o nosso espírito.

  • O jejum é uma substituição e não uma abstenção
Suponhamos que você quer levar uma vida saudável. Logo, você não comerá um lanche super calórico, certo? E de que adianta você não comer o lanche super calórico mas também não se alimentar com um belíssimo prato de salada? Em outras palavras, de que adianta mortificarmos a carne se não alimentamos o espírito?

O jejum é uma troca. Trocamos o prazer da carne pelo prazer do espírito. Não adianta não comermos mas também não fazermos nada para fortalecer nosso espírito. O dia que separamos para jejuar ao Senhor deve ser um dia totalmente dedicado a Ele, pois nossa carne estará fraca, porém nosso espírito deve estar forte.

  • O jejum é sobre o que entra e o que sai
Então nós decidimos jejuar até seis horas da tarde, e nossa língua não toca uma gota de água. Porém, perdemos a conta de quantas vezes murmuramos contra Deus ou contra o próximo. De que vale não comer nada mas pecar o dia todo?

Como já disse, jejum é algo espiritual. Precisamos estar vigilantes a todo tempo (e não só nos dias em que jejuamos) em relação ao que entra e ao que sai. O que você tem consumido? Que músicas têm chegado a seus ouvidos? Que filmes têm chegado a seus olhos? Que palavras têm saído de sua boca? Que pensamentos têm chegado à sua mente? É preciso estar bem atento a isso pois, novamente, o jejum é algo espiritual

  • O jejum não é dieta
Um grande erro que muitas vezes cometemos é tentar aproveitar uma situação para jejuarmos. Como exemplo clássico, usar jejum para emagrecer. Quantas vezes não pensamos em jejuar porque não vai dar tempo de tomar café antes de sair de casa? Ou então porque não tem nada do que gostamos? Novamente volto a dizer: O jejum é espiritual. Além disso, Deus não divide a glória com ninguém. Antes de tudo, precisamos decidir se vamos fazer algo para Deus ou para nós mesmos, porque as duas coisas não dá.

  • O jejum não é uma tortura
E justamente por não ser uma tortura é que não devemos ficar nos lamentando por fazer. Veja o que o Senhor disse ao povo de Israel:
"Seria este o jejum que eu escolheria: que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco grosseiro e cinza?" (Isaías 58.5)
O jejum é para ser agradável, uma forma de estarmos mais sensíveis à voz do Espírito Santo, e não um motivo para nos lamentarmos. Se for para tacar na cara de Deus que estamos jejuando e que está doendo, é melhor então nem jejuarmos.


  • O jejum é para ser feito em secreto
Jesus nos ordena que, quando jejuarmos, não alteremos nosso humor, não nos mostremos tristes ou desolados, mas para apresentarmos um humor digno de uma pessoa feliz, para que ninguém saiba do nosso jejum, apenas Deus (Mateus 6.16-18).

O jejum é intimidade com Deus, e não cabe a terceiros o conhecimento desta intimidade. Não vale de nada usarmos essa intimidade com Deus para nos vangloriarmos e nos acharmos mais santos. O simples fato de decidirmos fazer um jejum já significa que reconhecemos que nada somos diante de um Deus tão glorioso.

***

"Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e que despedaces todo o jugo? Porventura, não é também que repartas teu pão com o faminto e recolhas em casa os pobres desterrados? E, vendo o nu, o cubras e não te escondas daquele que é da tua carne? Então, romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será tua retaguarda. Então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás e ele dirá: Eis-me aqui; acontecerá isso se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo e o falar vaidade." (Isaías 58.6-9)

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