quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Deus que não quer lhe fazer mal - Parte 2



Que o Senhor não nos nega o bem, já sabemos. O que é realmente difícil é entender que nem tudo que é bom parece ser realmente bom. De todas as coisas que Deus jamais me negou, quero destacar três delas para vocês.

O contexto em que Deus me mostrou essas três dádivas que eu tinha em mãos não foi um dos melhores e nem um ponto alto em minha caminhada. Deus havia me pedido para confiar nele, fui teimosa e, depois de tudo, cheguei ao ponto de concluir que não havia mais jeito. Então me deparei com esses três presentes divinos:

  • Perdão
Depois de todo ocorrido, me achegava a Deus sem orgulho algum de uma vírgula sequer que eu havia feito. Me sentia como um monstro por minhas ações e como uma filha rebelde por minhas birras, teimosias e desobediência.

Quando reconheci o meu erro, reuni as migalhas de humildade que havia em mim e apresentei meus cacos diante dele. Por mais que eu esperasse apenas correção e nada mais, Ele me ofereceu o seu perdão. Ele não me culpou e nem disse coisas para que eu me sentisse pior do que eu já estava. Ele apenas me perdoou, e jogou todos os meus erros no mar do esquecimento.

A partir dali, nunca mais eu teria que me esforçar para me justificar ou então me culpar até não haver mais forças em mim. Naquele momento Deus me deu um começo novo, uma vida nova e um livro com páginas em branco, que eu poderia ou não deixar nas mãos dele para que Ele escrevesse.

Mas, por mais que o perdão seja um presente glorioso, o bem que Deus via para mim ia além, e chegava à...


  • Restauração
Sem o peso da culpa e do pecado sobre minhas costas, me restavam as marcas. Soou como o sal sobre as feridas abertas. Um processo iniciou-se, e Deus colocou diante de mim todos os machucados que eu tinha feito, mas ignorado.

Esse segundo presente que recebi de Deus cicatrizou a feridas que fiz durante meu percurso tortuoso, porém não me livrou das cicatrizes. Mesmo que Ele tenha me colocado novamente nos caminhos que espera que eu trilhe, o que fiz não deixou de ser feito, e as marcas continuam aqui.

A restauração faz com que eu possa olhar para essas cicatrizes e tocar nelas sem que doa, mas não me livra das histórias que vivi. Elas farão parte do livro da minha vida para sempre. E então chegamos à última dádiva...


  • Consequências
Como já diziam os antigos: A semeadura é opcional, mas a colheita é obrigatória. Deus não me negou as consequências. Confesso que os frutos dessa plantação não são os mais agradáveis ao paladar, mas o que seria de mim se eu não colhesse os frutos de meu trabalho? Como saber que algo que eu fiz não foi bom se o que vier depois também não for bom?

Deus não se colocou na minha frente quando a vida veio com a cinta. Ele deixou que tudo acontecesse. Ele não mandou que eu fosse cutucar onça com vara curta. Fui eu quem quis tudo isso, por conta e risco, e Ele respeita minhas escolhas como ninguém.

Hoje eu sei que o caminho A que trilhei não é o melhor para se trilhar. Da próxima vez, não vou pelo A. Tenho de B a Z pra tentar. Mas, se eu ouvir a voz de Deus e obedecê-la, talvez eu perceba que não é preciso percorrer o alfabeto inteiro para saber que o plano bom de verdade é o Y.



Deus não quer lhe fazer mal, assim como não quer fazer comigo. Tudo o que vem tem um motivo, seja para nos honrar e colocar um sorriso no nosso rosto, seja para nos fazer chorar e aprender a fazer diferente. Deus, por nos conhecer como ninguém, poderia simplesmente nos dar as sentenças. Mas isso não seria justo, certo? Não seria essa a nossa resposta? Então Ele nos deixa caminhar. Às vezes queremos agir como gente grande, soltamos a mão do Pai e corremos por caminhos tortuosos. Ele não nos disse para ir para tais caminhos. Ele estava a nos guiar aos pastos verdejantes. Nós escolhemos fugir. Ele não coloca uma coleira em nossos pescoços para segui-lo a qualquer custo, e Deus nos ama tanto que tem o melhor para nós, mas mesmo assim nos permite escolher se queremos o nosso bom ou o melhor de Deus.

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