quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Epifania e Metamorfose



As duas irmãs andam de mãos dadas. Não há mudança sem compreender a verdade. Não se conheceu a verdade se não provoca mudança.

Epifania nos traz de súbito a visão da realidade. Sem óculos, sem lentes, sem uma tela embaçada. Metamorfose tira nossas patinhas de lagarta do chão e nos torna borboletas esplendorosas.

Epifania vem quando bem entende, mas não costuma bater palma no portão, por isso é necessário deixar a porta aberta. Dependendo do humor, se preciso for, arromba até a janela. Mas costuma ser educada, por isso é extremamente necessário ter a mente aberta.

Metamorfose é como uma mãe que embrulha seus filhotes nas cobertas, e os persegue durante o sono para ensiná-los a andar e a correr. Às vezes soa como uma canção, mas geralmente arde como uma punição, só que traz maturidade.

As duas irmãs andam de mãos dadas. Por mais que nos ensinem a ser gente e ajam tão maduramente, gostam de uma brincadeira em especial: Policial bonzinho e policial mauzinho. Não se importam em trocar de papel se necessário for. Mas, se é necessário a lição soar como dor, elas vêm com instrumentos de tortura.

E só lá na frente é que a gente descobre que comer brócolis não mata ninguém (a menos que esse alguém seja alérgico - nesse caso elas trocam por jiló).

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