sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Âncora



As crianças nascem sem os dentes. Crescem, nascem os de leite. Depois estes caem, dando lugar aos permanentes. Lá pro final da vida - pelo menos reza a lenda -, a arcada dentária começa a enfraquecer e, dependendo de cada caso, os dentes, um a um, vão caindo, deixando a boca do indivíduo como no primeiro instante de vida.

Nós nascemos sem cabelo. Com pouco tempo de vida ele começa a nascer e crescer. Durante a vida, temos diversas opções: Corte? Chapinha? Baby Liss? Tintura? Progressiva? Doação? Peruca?

Nosso corpo muda de uma forma que não podemos medir. E o que dizer então do que tem dentro de nós? Hoje nos apegamos apaixonadamente, amanhã colocamos no "não gosto nem desgosto". Hoje rock, amanhã clássica. Ontem confiança plena, hoje dúvida voraz. A cada tribulação que passamos, mais pacientes, experientes e esperançosos ficamos [Leia Romanos 5.3-5].

Imagine Deus. Desde antes de o mundo ser mundo, Ele era o mesmo Deus que é hoje e que será na consumação dos séculos. Ele não tem se tornado mais sábio com o tempo, pois toda a sabedoria vem dEle! Ele não se tornou mais liberal ou mais conservador, pois toda a Lei e o cumprimento das profecias messiânicas está nEle!

Ouso dizer que Deus é a pessoa que mais facilmente podemos lidar. Ele não é daqueles que marca um compromisso e depois esquece, e nem daqueles que está radiante pela manhã e mergulhado em extrema depressão ao anoitecer. Ele é o que Ele é, ontem, hoje e eternamente. Se ele disse uma coisa, então podemos firmar os nossos pés e as nossas convicções no que Ele disse (desde que tenhamos certeza absoluta de que foi Ele mesmo quem disse, não o nosso coração, ou o coração do profeta, ou alguma ação demoníaca).

Nem em nós mesmos podemos confiar. O nosso coração nos engana! Nós não temos dimensão do que nossa mente é capaz de projetar ou nosso coração é capaz de produzir. As situações da vida afetam o nosso humor e os nossos planos, mas Deus é inatingível por qualquer porém que a vida ou a eternidade queiram lançar.

Só em Deus é que podemos ficar firmes como prego na areia. Ele é a areia que não se dissipa sob o mar, onde podemos ancorar nossos barcos. Não existe certeza nesse mundo além do próprio Deus. Não existe poesia eterna que não depende de interpretação, discurso duro que não necessita de especulação, ou quebra-cabeça sem peça faltando que não seja no próprio Deus.

É nele onde podemos ancorar nossas certezas e incertezas. É a Ele que podemos contar nossos segredos. É Ele quem não deixa nosso barco se perder do farol durante a noite tempestuosa. É Ele!

É Ele. Aquele que criou Adão e colocou seu sopro de vida dentro dele. Aquele que deu a Lei a Moisés. Aquele que se manifestava através dos profetas, sacerdotes e reis. Aquele que deixou toda a sua glória de Deus, mas não deixou de ser Santo e Imutável. Aquele que sofreu o que sofremos, durante trinta e três anos. Aquele que morreu uma morte que (provavelmente) nenhum de nós terá de passar.

É Ele quem ouve as nossas orações. É Ele quem voltará para buscar a Igreja. É Ele quem colocará um fim na terra que conhecemos, e fará tudo novo. Os nossos corpos serão novos, o calço onde pisaremos, desconhecido, mas Ele... Ele é o mesmo!

Quando grandes amigos perdem o contato por muito tempo, não é de admirar que um perceba no outro mudanças no modo de pensar, agir e se vestir. São outros filmes, outros livros, outros gostos. Outros sonhos, outras guerras, outros dramas. Mas Deus, independentemente de quanto tempo demoremos para voltar para casa, estará igualzinho, e totalmente reconhecível!

Nesse jogo todo, quem vive mudando de traje somos nós, e Deus é como um daqueles personagens de vídeo game antigo, que mantém as mesmas escalas de cores e especiais de poder (por mais que nem todos os seres humanos do mundo juntos possam listar todas as suas formas de manifestar-se ao homem).

Ele é o mesmo. Ele está no mesmo lugar. Quem pega a herança e foge somos nós. Nos momentos de tempestade ou de descanso, sempre podemos pegar nossos conflitos pesados e lançar ao mar, certos de que a Areia firmará nossa âncora, e não deixará o barquinho de nossas vidas perder o rumo.

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