quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Liberdade é pouco!



Se dizem sim se dizem livres
mas não podem dizer não

A Geração Y é marcada pela internet. Com ela podemos nos esconder em nossos cubículos em frente às nossas telinhas e dizer o que dá na nossa telha. E tem as redes sociais. Ah, essas redes... Dentre todas elas, a que mais me simpatizo é o nosso querido Facebook. Rede esta em que todos têm o poder de produzir conteúdo, ser quem quiser, praticar cyberbullying ou marcar manifestações na Avenida Paulista, criar uma identidade falsa ou inflar o ego como faziam com as aves do filme A fuga das galinhas.

Estamos brincando de João e Maria sem saber. A mansão de doces é clara aos nossos olhos, e tão convidativa quanto uma água fresca no meio do deserto. Ninguém precisaria nos aprisionar, pois, como diz o poema...

Falam os poetas
a torneira seca
(mas pior: a falta
de sede)
a luz apagada
(mas pior: o gosto
pelo escuro)
a porta trancada
(mas pior: a chave
por dentro)

Nos acostumamos às correntes e ainda chamamos isso de liberdade! Nos deram um carro sem freio e nos colocaram numa ladeira calçada por nossas vontades. Tudo o que temos é um acelerador incansável, que não respeita os limites de velocidade. Nos ensinaram a correr atrás daquilo que queremos, mas nunca nos disseram que nós precisamos é de sobriedade, de reflexão. Fomos treinados para agir por impulso, falar por impulso e pensar por impulso. Nunca nos disseram que chega um momento na vida em que nós estamos totalmente errados e devemos todos os pedidos de desculpas do mundo a nós mesmos.

Somos fortes, eles disseram. Mas choramos como crianças longe das vistas de nossos amigos. Podemos tudo, eles disseram. Mas nos sentimos incapazes de contradizer o caminho mais prático para correr atrás de nossos sonhos. Somos livres, eles disseram. Mas estamos presos a este frasco cheio de vômito com rótulo de liberdade.

Tudo é permitido, exceto submissão. "Seja livre!", eles disseram. Mas o que é ser livre, afinal? Nos ensinaram que ser livre é fazer o proibido e não ser castigado. Mal sabem que a mais genuína liberdade é ter todas as guloseimas do mundo para o café da manhã e escolher o pão com manteiga e café com leite, porque sabemos que doce pela manhã faz mal.

Essa nossa boa internet que disponibiliza cursos online e uma fonte de pesquisa imensurável também é a que nos mostrou como é bom ir contra tudo e todos. Ninguém mais parte do nada para fazer alguma coisa. Todos nós estamos nos digladiando, procurando erros nos outros e montando nossa artilharia para estraçalhar suas fortalezas.

Perdemos nossas identidade no meio do caminho. Não só a identidade como a capacidade de reconhecer erros, defeitos, fraquezas. Todos somos fracos fingindo ser fortes. Quando olhamos para os queixos erguidos. pensamos: "Eu não posso ficar de fora". Mas, permita-me dizer, todos nós estamos no mesmo barco. Cada um de nós tenta esconder a rachadura que ele carrega, sem levar em conta que o barco está afundando e ninguém está fazendo nada.

Pare com essa mania de querer ser forte só porque todos são fortes. Deixa eu te contar um segredo: Todos nós somos tão fracos e frágeis como folhas de outono! Todos nós usamos máscaras com medo de expôr fraquezas e sermos excluídos por não sermos como ninguém! Tentamos esconder nossas feridas, mas nos esquecemos que esse mundo aqui é uma guerra só, 

Ser livre? Na concepção comum talvez seja fazer o que dá vontade. Mas só isso não basta. É preciso combater arduamente tudo o que todos acreditam a fim de defender nossas teses. Somos insaciáveis. Liberdade é muito pouco. Queremos muito mais!

Um dia esse apetite desenfreado ainda vai nos matar.

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