sábado, 7 de janeiro de 2017

Apaixone-se por Cristo!


"O seu falar é muitíssimo suave;
sim, ele é totalmente desejável.
Tal é o meu amado,
e tal é o meu amigo,
ó filhas de Jerusalém."
(Cantares 5.16)

Certa feita estava conversando com alguém sobre a saga maior que Em Busca do Vale Encantado: Em busca do crush encantado! Nas indas e vindas e nas trocas de ideias, essa pessoa me surpreendeu com uma declaração: Pra superar tudo isso, Jesus deve ser a sua primeira paixão! ~não com essas palavras, mas certamente com o mesmo significado.

Me peguei pensando sobre isso por esses dias. Tantos pregadores e estudiosos de música cristã condenam veementemente o fato de cristãos levantarem suas mãos na congregação para dizer que estão apaixonados por Cristo, ou que Cristo era apaixonado por sua missão.

O que eu tenho percebido, é que grande parte dos cristãos é apaixonada por Cristo - e não há mal nisso! O divisor de águas não é estar apaixonado por Ele ou não estar. Mas sim com que tipo de paixão estamos apaixonados.

Veja bem, existem dois tipos de paixão. Uma delas vamos chamar de paixão repentina e a outra chamaremos de paixão construída. Vamos pensar um pouquinho sobre cada uma delas para entendermos se é bom ou não é a forma como estamos nos relacionando com Cristo.

A paixão repentina é o que costumamos sentir pelo crush encantado. Nós mal conhecemos a pessoa, mas ela se comunica tão bem, trata tão bem os que estão à sua volta, é usada por Deus, excelente e comprometida em tudo que faz. Ao final de inúmeras análises, tudo o que podemos concluir é: Uau! Como não se apaixonar?

Quando o sentimento que temos em relação a Cristo é a paixão repentina, podemos dizer que Jesus é o nosso crush, e isso é totalmente prejudicial para nosso relacionamento com Ele. Muitas pessoas que sofrem com a paixão repentina se sentem tão extasiadas ao ouvir o nome do crush que mal consegue mandar uma mensagem pelo whatsapp! É esse o tipo de relacionamento que queremos ter com Cristo?

Cristo, o galã, o atleta, o Cara! Todas as garotas murmurando pelos corredores do colégio como ele é maravilhoso. Nenhuma tem coragem de dar um oi no refeitório. Que comportamento infantil, não é? Como podemos nos iludir acreditando que Cristo cobra de nós toda essa euforia que nos rouba o controle e nos trava diante de sua presença, se ele nos chama à maturidade?

A paixão construída é o completo contrário! Não é se deleitar nas qualidades de uma pessoa sem que a pessoa saiba que você exista (não literalmente pois, como sabemos, ele é onisciente). A paixão construída é aquela que se faz ao conviver de forma íntima com uma pessoa. Trocar ideias, olhares, fraquezas, sonhos, quês e porquês. É a paixão descrita tão poeticamente no livro de Cantares.

A paixão que se desenrola entre quatro paredes. Na porta tem uma plaquinha escrito: O que acontece em Vegas, fica em Vegas. É o segredo, o abrir a alma, o chorar de angústia, é a parceria para realizar grandes sonhos. Percebe como essa aqui soa muito mais madura - e segura?

A paixão construída é no levantar cedo para preparar o café da manhã, no ver as roupas jogadas pela sala e dar valor maior à pessoa do que à ordem (mesmo que esta também seja muito importante), no acordar e ter o vislumbre dos fios bagunçados e cara amassada da pessoa amada, no escutar o não, chorar, mas não desistir de sentar à mesa à noite para contar o que se passou durante o dia.

Apaixone-se por Cristo! Mas que não seja aquela paixão histérica, típica garotinhas do colegial vendo o veterano andar com classe pelos corredores dos calouros. Que seja aquela paixão profunda, segura, que se pode dizer: Eu te pertenço e você me pertence. Que nós não venhamos falar sobre Cristo com as informações resultantes de incessantes investigações pelo facebook dos amiguinhos cristãos. Que venhamos falar de um Deus bom, porque Ele tem sido bom para nós.

Apaixone-se, mas não loucamente. Cristo não quer vários loucos pulando de um precipício como prova de amor. Ele nós convoca, através de Sua Palavra, a apresentarmos o nosso culto racional (Rm 12.1). Apaixone-se, mas não pelo Jesus crush. Apaixone-se pelo Noivo, aquele que vem nos buscar.

Que não venhamos gastar nosso tempo colecionando fotos e prints dos melhores ângulos de Cristo, mas nos ataviando para caminharmos, vitoriosos e radiantes, até o altar celestial!

4 comentários:

  1. Ótimo texto!! Devemos ter uma vida de relacionamento com Cristo, não algo passageiro. Que Deus abençoe!

    playlistdoreino.com.br

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  2. Uau!!! Que post top!

    "Apaixone-se, mas não pelo Jesus crush. Apaixone-se pelo Noivo, aquele que vem nos buscar."

    Amei isso ! Parabéns pelo post.

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  3. Acho que a paixão repentina é muito comum entre os novos convertidos, é difícil conhecer a Deus e não se apaixonar imediatamente, e creio que seja o pontapé inicial para começar a construir a paixão construída. Através da paixão repentina, a pessoa começa a buscar mais a Deus, construir um relacionamento de intimidade e, consequentemente, amá-lo sem medidas.

    Amei seu post, Karina! Você escreve muito bem.

    Beijos,
    S de Sarah

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  4. Que lindo! vejo que o "Jesus crush" é alguém não acessível, impossível de ser alcançado, mas o Jesus noivo é aquele que nos chama, se dispõe, nos ensina, nos molda e é totalmente possível estar com Ele.
    Deus abençoe ^^

    Meninas da Igreja

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