domingo, 19 de fevereiro de 2017

A vida está acontecendo



Com o olhar atento sobre as árvores que dançam ao chacoalhar do vento, e sobre as crianças despreocupadas a brincar, percebo que o mundo não segue meu desejo, que não sou eu quem faz o planeta girar.

Com essa louca preocupação de cuidar de tudo e todos, e carregar o peso que não pertence a mim, passei a ingenuamente acreditar que esse é o meu mundo, essa é minha vida e o meu jeito de acontecer.

Mas sabe o que é? A vida tem suas próprias cores, vozes e movimentos. Com o olhar atento sobre as árvores que dançam ao chacoalhar do vento, percebo: Mesmo sem mim, a vida está acontecendo.

O grito animado das crianças não para se eu decidir parar de brincar. O coração apaixonado não morre se eu resolver dizer adeus. Os pássaros não deixam de cantar só porque não sou plateia. O tempo não para de correr só porque eu me cansei.

Sossego o coração agitado, relaxo esse corpo cansado e entendo: Com o olhar atento sobre as árvores que dançam ao chacoalhar do vento, sem dizer uma palavra ou mover um dedo, a vida está acontecendo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Nada mais importa



Uma noite de sono ou sem dormir. Um riso ou uma face oculta marcada por choro para que outros possam sorrir. A força, a sabedoria, o conhecer e o executar. A ausência de tempestades ou peregrinação em alto mar. Nada é tão importante quanto o fator agravante que define os meus dias e a eternidade vida após. No final, a vida toda é um emaranhado de nós, e somente o Criador pode tornar a confusão em confessar, chamar o miserável para uma ceia a sós, transformar cordão trançado numa rede de pescar.

Quanto vale o dinheiro ao lado do sangue? Qual o valor do sucesso comparado ao sacrifício? Bebeu o cálice, provou a ira, entregou o seu espírito. Chorou, sofreu - como eu. Mesmo com a dor tomando forma não desistiu ou se rendeu. Moeu a carne, afligiu a alma, desfaleceu. Não bastasse o notável sacrifício para justificar os miseráveis como eu, retornou à glória, fez jus ao nome Filho de Deus. Nem a morte o pôde conter. Ele venceu!

Por esta razão, minhas pálpebras pesadas não incomodam, tampouco o clamor de uma alma desolada antes do sol raiar. Somos filhos, somos servos daquele homem cujo maior ministério era incondicionalmente amar. Diante do inegável fato que nos deu a esperança de um final, o que importa mais: a Verdade ou esse mundo superficial?

Que nem o meu sono ou conforto sejam mais importantes do que não deixar o soldado ferido morrer. Que o meu ministério não tome o lugar do Deus que por mim decidiu se reder, como se nada mais importasse.

Aos meus olhos, com óculos divinos que me consola e exorta, enxergo a verdade que já recusei ver: Além de Cristo, nada mais importa.